Como é possível viver sem um gato? Eis uma pergunta que deixei completamente de fazer a mim próprio há já alguns anos, de tal modo a resposta é evidente. Por que razão, com efeito, se privar de uma presença enriquecedora, tão equilibrante e tão estimulante? E se você ainda não está convencido disso é porque o gato ganha em ser conhecido e porque permanece, em relação ao outro rei dos animais de companhia - o cão -, prisioneiro de um certo número de ideias preconcebidas. Com certeza já ouviu dizer pelo menos umas cem vezes que o gato é egoísta, que não se liga às pessoas, que é hipócrita e sei lá que mais!
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Quem adopta um gato endossa uma grande responsabilidade. Enorme, mesmo, se reflectirmos um pouco sobre o assunto. trata-se de um contrato que pode durar de quinze a vinte anos. Que mulher ou que homem se comprometeria, desde o primeiro encontro, a viver tanto tempo com o objecto do seu amor, sem jamais mudar de opinião? O mesmo é dizer que não se deixa entrar um gato em casa por capricho, sob pena de se fazerem vários infelizes - a começar pelo gato. Ninguém, exceptuando o acaso ou o destino - seja qual for o nome que quiserem dar a isso. E, quanto a mim, a intuição diz-me que as minhas relações com a raça felina permanecerão sempre sob o signo do mistério.
in Palavra de gato, Pergaminho
Eu sou um fã tresloucado por gatos, no bom sentido é claro, onde quer que esteja um eu estou lá! Bem... é quase isso, se a vida fosse diferente com certeza que teria a minha casa cheio de gatos e gatinhos. Talvez seja o animal com que mais me identifico no panorama doméstico, calmo, inteligente, independente, confiante, brincalhão e fiel.
Lembro-me de um dia ter ido a casa de uma amiga minha após uma saída à noite com os amigos, e ao entrarmos já sabia de antecendência que ela tinha um gato, foi o tempo de entrarmos na sala e sentarmo-nos para quase que entrar num jogo telepático com o gato, não faltou muito para o ter ao meu colo e nesse instante tudo o resto é história, desligo da conversa que tinha até ao momento com os meus amigos e entro num estado hipnótico onde só vejo o gato, nem sei porquê mas sinto-me muito bem com eles, o silêncio, o olhar, o caminhar e roçar nas pessoas e objectos, a cauda erguida... tudo! Podia estar um dia inteiro a brincar com eles que não me cansava e para isso não existe melhor sítio do que o Jardim de Oeiras, onde à já alguns anos está um programa a funcionar que recolhe gatos abandonados e que vivem dentro do jardim, onde em retribuição pela comida e abrigo, mantém o jardim 'free from rats', por assim dizer. Ora durante o dia andam à solta pelo jardim e qualquer pessoa pode chegar ao pé deles e brincar com eles, conviver com eles ou só admirá-los... simplesmente genial.
Os gatos de certa forma sempre tiveram na minha vida, quer através de familiares quer através de amigos quer mesmo através dos gatos que percorrem as nossas ruas. Já não sei o número de vezes que estive à janela à noite e na rua, entre os automóveis estacionados e a lua vigilante, lá vai aparecendo um timido gato que anda na sua vida, sempre fugindo a olhares mais curiosos, pata ante pata, sem miar sequer, eu como girassol virado para o sol não desviava o meu olhar de todos os movimentos feito pelo gato, mesmo até quando passava por debaixo de uma carro permanecia atento para ver onde iria espreitar a cabeça do gato.
Mas páro sempre quando vejo um, é raro não comentar com alguém nesses momentos e dizer com entusiasmo 'Olha um gato!', nem sempre as pessoas percebem esta minha euforia, mas não faz mal, talvez não seja para ser, porque é algo que é importante para mim, e tal como acontece com todas as pessoas quando algo de inesperado e bom acontece também eu gosto de fazer transparecer todo esse meu entusiasmo.
Acredito que a cumplicidade com estes lindos e simpáticos amigos acompanhar-me-á para toda a vida e quando tiver o meu espacinho, entenda-se casa própria, lá encontrarei essa tal companhia para a vida.
Mas falo de gatos infelizmente por ter tido uma notícia de a morte de um desses amigos. Soube ontem que o gato de uma amiga minha tinha morrido, já não aguentava mais o tempo que passava vivo em sofrimento e decidiu avançar para a próxima fase de vida... é sempre triste e quem gostas de gatos não deixa de se sentir tremendamente infeliz e um tanto ou quanto revoltado com a vida, vá-se lá perceber porquê.
Para a _^Lobinha^_ todo o meu carinho e apoio nesta fase menos boa da vida... Beijinhos menina ************** Sabes que se tivesse neste momento a possibilidade oferecia-te um gatinho acabado de nascer... :)
Já agora, recomendo o livro 'Palavra de gato', da Pergaminho, para os admiradores de gatos que gostariam de saber mais sobre eles, de uma forma divertida e quem sabe se finalmente percebam o que eles queriam dizer com aquele olhar ou gesto... falado na primeira pessoa... pelos gatos! ;)