quarta-feira, outubro 27, 2004

Máscaras com nome...

Quem é usuário habitual da internet, mais especificamente de fórum e de IRC, sabe que as pessoas tomam um identidade que as transforma num ser imaginário e que nos liberta da pessoas que somos todos os dias da nossa vida.

Eu sou frequente utilizador de fóruns, e nos últimos 2 anos também mais do IRC, e conforme os dias sem transformam em meses e esses meses em anos, as pessoas vão conhecendo outras que dos fóruns passam para o MSN, onde a possibilidade de ter uma conversa mais real e assim darem-se a conhecer melhor. Chega a uma altura que as cumplicidades começam a ser mais intensas e as pessoas começam a convidar para jantares, saídas e por aí fora.

Recentemente, mais especificamente na última sexta, tive o prazer de conhecer mais umas pessoas que só conhecia de fotos e conversas cibernautas. É engraçado que as pessoas nunca são o que nós pensamos que fossem e um sentimento de estranheza toma conta desses encontro, a principio o espanto anima logo uma primeira conversa e não tarda muito para as conversas se transformarem em debate divertidos entre as pessoas. Isto leva-me a pensar que depende do querer das pessoas para fazer novos amigos, algo que não é muito natural pois na rua quando passamos pelas mais diversas pessoas (quem sabe se não é uma das pessoas com quem falamos online) o mais que fazemos é estabelecer um contacto visual, nem uma palavra...

Daí ser quase uma aventura, mas também uma curiosidade, estabelecer este contacto mais humano com os nicks, nicks esses com quem, diariamente, convivemos, conversamos, partilhamos e brincamos.

Fiquei espantado com as pessoas que encontrei, umas mais que outras, mas fiquei feliz por as ter conhecido, fisicamente podiam não ser quem esperava mas em tudo o resto, personalidade e cara do nick estavam lá!

Para a PiNi, darksideoftheMooN [não sabia que andavas por aqui ;) ], gosma e fil beijos e abraços. =) beach, a ti já te conhecia! :P

Confianças...

Confiar nas pessoas, na maior parte dos casos, traz-nos dissabores a curto ou longo prazo, pelas mais diversas razões. Existe uma excepção à regra que é quando dentro de uma relação de amizade depositamos toda a nossa confiança na outra pessoa, cremos que essa pessoa já nos é chegada e não nos pode magoar e por isso abrimos mais um pouco o livro que somos, mostramos um pouco mais de nós, acreditamos nesse amigo.

O que aconteceu desta vez não foi nada que se calhar merecesse tal destaque, mas falo disto porque quando falamos de confiar em alguém estamos a falar de nós, da nossa pessoa, dos nossos valores.

Deve ser defeito, com certeza, da minha pessoa de confiar nas pessoas, apelidadas de amigas, e acreditar que cumpram com o que dizem ou comprometem-se, nem é preciso que esteja algo em jogo, até porque não maior parte dos casos não está, mas são os pequenos pormenores dentro de uma relação de amizade que doem mais. Deve ser muito dificil para as pessoas compreenderem que uma amigo jamais ficará zangado ou chateado se a outra pessoa lhe disser o que vai na alma e não arranjar uma desculpa, o que não acontece no dia-a-dia, será medo de magoar o amigo, sinceramente acho que dói mais estar a inventar uma desculpa quando esse mentiroso, palavra talvez forte demais, é logo denunciado pelos os seus actos posteriores.

Exemplificando com um caso bastante simples, pode acontecer uma pessoa combinar algo com outra, ora chegada a data do acontecimento, se uma delas não estiver com disposição para ir sair a um cinema, café, seja o que for, o mais acertado seria esse amigo que não lhe apetecia, porque talvez não estivesse na disposição, dizer que não lhe apetecia que ficava para outro dia, agora o que acontece na realidade, na maior parte dos casos, é arranjarem uma desculpa do género, afinal amanhã tenho de me levantar mais cedo e/ou é muito tarde. Ora se as pessoas são amigas é normal que conheçam mais ou menos a rotina uma da outra, tudo bem que por vezes nos desviamos dessa rotina, no entanto o coxo acaba sempre por escapar mais depressa que o mentiroso, é por isso que eu sei, experiência própria, que só se magoam os amigos com tais invenções.

Claro que conforme conhecemos as pessoas melhores sabemos que nem sempre podemos criar expectativas porque a confiança depositada na pessoa é tal que deixamo-nos envolver pela nossa ingenuidade infinita, ingenuidade essa que depois causa-nos dor cá dentro, talvez por castigo por se calhar nos recusarmos a aprender e talvez a depender demasiado de certas pessoas.

Pessoalmente fico pior que estragado quando alguém, que até me é querida, diz uma coisa, repete-a vezes sem conta e no final... puffff... nada! Sem dúvida que será defeito meu acreditar e deposiar tamanha confiança nas pessoas, talvez nunca deixarei de ser assim, até porque penso que só estaria a prejudicar futura amizades, quem sabe se de pessoas que merecem toda a minha confiança.