sexta-feira, janeiro 28, 2005

Vale a pena!?

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De que vale?

De que vale um amor tão intenso se não é correspondido? De que vale sofrer assim por ti, se nem te apercebes do que se passa comigo?

De que vale chorar? Escrever para ti? Não lês o que escrevo, não corres a enxugar as minhas lágrimas...

Amo-te mais do que a mim mesma, a cada sinal de carinho teu eu derreto-me e deixo começar tudo outra vez, mesmo sabendo que provavelmente é tudo em vão... Mesmo sabendo que me irei magoar, uma e outra vez, até descobrir a saída deste ciclo vicioso, ou até que tu descubras a entrada...

(30/10/2004)

by Drops


Acho no mínimo curioso como todas as pessoas dizem que somos todos diferentes, só que nessas alturas vejo que afinal por mais diferentes que possamos ser, os nossos sentimentos são os mesmos, a nossa maneira de ver as coisas é que determina como racionalizamos tudo e como lidamos com os acontecimentos.

Cada um tem a sua maneia de se expressar, ora os nossos dedos flutuam sobre areia branca, marcando-a de negro com aquele pensamento que parece querer fugir mas que insistimos em preservar, ora através do nosso rosto, uma sobrancelha que treme, um olho que fecha ou uma boca seca que receia pedir por um pouco de atenção e libertar de uma prisão árida aquele desejo de partilhar uma emoção.

Fico boquiaberto quando alguém que não conheço de nenhum lado parece roubar-me a alma e traduzi-la em palavras escritas como a Drops fez. Li o que ela escreveu e pensei como era possível alguém encontrar-se no mesmo estado de espiríto que eu, com a única diferença que conseguia transformar em pequenas e sofridas palavras, o que uma pessoa normalmente procura, e só fica mais revoltada por não possuir, quiçá, o dom.

Não sei responder às suas perguntas pois são as mesmas que faço a mim mesmo, para além de desejar que a minha rapariga dos cabelos d'oiro, compreenda o sonho acordado que quero viver, mas que não parece preocupar-se em perceber porque ajo da maneira que ajo e porque motivo não páro quando um calmo e penetencioso 'Não!' é o que obtenho pelo o meu coração querer partilhar tudo com ela e mimá-la com todo o amor que tenho para oferecer...

É mais do que normal questionar-me como é possível o coração ter ainda forças para amar alguém quando já sobreviveu tantas batalhas, onde saiu de rastos, mas que ainda acredita, talvez numa utopia, que chegará o dia onde sairá não triunfante mas feliz, dele nascerão os frutos que depois até ao final das nossas vidas serão alvo de toda a nossa atenção e que será a nossa forma de partimos para o incerto, conscientes de que vamos felizes mas acima de tudo que podemos partir em paz pois o nosso amor venceu fronteiras e espalhámos o que de melhor vive em nós, para que as próximas gerações possam acreditar por tudo que lutamos afinal vale a pena...

Não procuro que os meus sentimentos ganhem espaço numa folha branca mas que ganhem vida e cheguem a quem procuro e desejo. Não quero dizer um amo-te mas sim senti-lo e fazê-lo sentir-se nos lábios dela, que as mãos geladas da solidão ganhem cor e companheiro, que um abraço de duas pessoas as transfome numa só para sempre.

terça-feira, janeiro 25, 2005

Tempo traiçoeiro que me corróis e me roubas de mim mesmo.

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Já nem tinha noção o quanto o tempo me roubou da minha vida e por isso mesmo não tinha consciência que o blog já andava nú pelas ruas da amargura.

Olhando para trás, vejo que passei uma grande noite no concerto dos The Corrs, não só pela banda mas acima de tudo porque estava acompanhado pela dona do meu coração, mais perfeito... bem... podia ser sempre mas se não aconteceu foi porque a altura certa ainda estava para chegar, e nem certas expectativas frustadas me tiraram a felicidade que invadia o meu coração. Talvez pelos meus olhos terem ficados hipnotizados, brilhando perante a felicidade daquela rapariga, que me sorria despreocupada, que em qualquer outro dia da semana estaria em pânico com um local alagado de pessoas.

Deambulando entre casa - trabalho, trabalho - casa, não tardou muito para o Natal chegar com uma véspera que foi mais doce que o próprio dia, guloso por excelência, e nada como um dia de sol primaveril de inverno para passar, por muito breves que fossem, um momento num esplanada improvisada com o sorriso, quiçá envergonhado quiçá nervoso, daquela pessoa de cabelos da cor do sol. Troca de palavras que chegavam para passar os dias com um coração repleto daqueles pequenos momentos que o fariam continuar a bater.

Não tarda é casa - trabalho, trabalho - casa mais uma vez, num constante círculo vicioso, mas... há algo que quebra por uma dia a rotina, este ano a passagem de ano trazia um convite para uma noite festejada em casa de uma amiga, muita conversa, risos e um jantar para acompanhar. Então por um dia só, a rotina que implicava ir de casa para o trabalho era interrompida, uma casa ali em Lisboa esperava por mim, e nem mesmo a noite avançada tirava o ânimo naquela casa bem disposta, onde três amigos partilhavam os seus últimos minutos de um ano que morria conforme o relógio corroía o tempo que não teimava em parar.

Jantar perto da meia noite era algo que à muito não fazia, mas lá surgiu o tempo malvado a impor-se, parecia que dizia "Parem, está na hora, parem, é altura de me celebrarem pois já não volto mais a este momento!" Lá interrompemos o jantar em passo acelerado ultimando os últimos pormenores, onde estavam as passas, o dinheiro e o champagne?... o silêncio era quebrado pela televisão que anunciava o ano novo, passas praticamente engolidas e champagne para ajudar a escorregar após um brinde. Mas o que escondiam os desejos de cada um, acho que desde à muito que não desejava algo que não me fosse destinado, aquela luz solarenga que iluminava o meu coração dorido tinha a minha atenção total, o desejo de ver aquela luz brilhar mais do que nunca era mais importante para mim que qualquer outro tipo ou motivo de felicidade. A noite foi avançando ao som das imagens de um DVD que passava como programa de festa da anfitriã, as cincos horas significavam que o sol brilhava naquela noite escura, espalhando calor pelos vastos campos daquele motor orgânico que precisava de energia para continuar a bater alegremente.

O tempo voltou a intrometer-se e o relógio mandava que o dia estivesse encerrado para sempre nas nossas memórias, parecia que já ouvia ao longe a rotina chamar-me, podia ter ficado presa naquele ano, no entanto por mais um ano estava prometido que faria parte do meu dia-a-dia.

Até ao dia em que escrevo, o ano não me destinou o que não quero desejar mas pelo que suspiro diariamente, os dias criam oportunidades mas o receio apodera-se de mim e a mente fica turva de tanta indecisão, dando origem à revolta dentro de mim e torna penoso aqueles momentos que poderiam ser de celebração e exaltação, será que fujo de uma possível felicidade ou será que o respeito é mais forte do que o bater do coração?!...

Ah, já me ía esquecendo, Tabby, esse amor de gato que passeou-se pelo meu colo e por quem me apaixonei desde o momento que ouvi falar dele, mas também pudera, a dona do gato já me tinha arrebatado por completo à mais tempo do que realmente tenho noção. Mas não quero olhar para trás pois ela está bem lá à frente, sózinha, procurando sem saber um porto de abrigo mas com medo de escolher um. Um beijo especial para a Sónia (desejo-te tudo do melhor porque quer queiras quer não, mereces!) e também para a Angela, que por vezes me atura e da última vez que falei com ela não estava nos seus melhores dias.