
De que vale?
De que vale um amor tão intenso se não é correspondido? De que vale sofrer assim por ti, se nem te apercebes do que se passa comigo?
De que vale chorar? Escrever para ti? Não lês o que escrevo, não corres a enxugar as minhas lágrimas...
Amo-te mais do que a mim mesma, a cada sinal de carinho teu eu derreto-me e deixo começar tudo outra vez, mesmo sabendo que provavelmente é tudo em vão... Mesmo sabendo que me irei magoar, uma e outra vez, até descobrir a saída deste ciclo vicioso, ou até que tu descubras a entrada...
(30/10/2004)
by Drops
Acho no mínimo curioso como todas as pessoas dizem que somos todos diferentes, só que nessas alturas vejo que afinal por mais diferentes que possamos ser, os nossos sentimentos são os mesmos, a nossa maneira de ver as coisas é que determina como racionalizamos tudo e como lidamos com os acontecimentos.
Cada um tem a sua maneia de se expressar, ora os nossos dedos flutuam sobre areia branca, marcando-a de negro com aquele pensamento que parece querer fugir mas que insistimos em preservar, ora através do nosso rosto, uma sobrancelha que treme, um olho que fecha ou uma boca seca que receia pedir por um pouco de atenção e libertar de uma prisão árida aquele desejo de partilhar uma emoção.
Fico boquiaberto quando alguém que não conheço de nenhum lado parece roubar-me a alma e traduzi-la em palavras escritas como a Drops fez. Li o que ela escreveu e pensei como era possível alguém encontrar-se no mesmo estado de espiríto que eu, com a única diferença que conseguia transformar em pequenas e sofridas palavras, o que uma pessoa normalmente procura, e só fica mais revoltada por não possuir, quiçá, o dom.
Não sei responder às suas perguntas pois são as mesmas que faço a mim mesmo, para além de desejar que a minha rapariga dos cabelos d'oiro, compreenda o sonho acordado que quero viver, mas que não parece preocupar-se em perceber porque ajo da maneira que ajo e porque motivo não páro quando um calmo e penetencioso 'Não!' é o que obtenho pelo o meu coração querer partilhar tudo com ela e mimá-la com todo o amor que tenho para oferecer...
É mais do que normal questionar-me como é possível o coração ter ainda forças para amar alguém quando já sobreviveu tantas batalhas, onde saiu de rastos, mas que ainda acredita, talvez numa utopia, que chegará o dia onde sairá não triunfante mas feliz, dele nascerão os frutos que depois até ao final das nossas vidas serão alvo de toda a nossa atenção e que será a nossa forma de partimos para o incerto, conscientes de que vamos felizes mas acima de tudo que podemos partir em paz pois o nosso amor venceu fronteiras e espalhámos o que de melhor vive em nós, para que as próximas gerações possam acreditar por tudo que lutamos afinal vale a pena...
Não procuro que os meus sentimentos ganhem espaço numa folha branca mas que ganhem vida e cheguem a quem procuro e desejo. Não quero dizer um amo-te mas sim senti-lo e fazê-lo sentir-se nos lábios dela, que as mãos geladas da solidão ganhem cor e companheiro, que um abraço de duas pessoas as transfome numa só para sempre.
