quarta-feira, março 15, 2006

Dia de IRS


Quem já está acostumado a entregar todos os anos o IRS saberá muito bem como são os últimos dias de entrega das ditas declarações, como este ano decidi ser eu mesmo a preencher, em vez de entregar a contabilistas com quem o meu pai trabalha, acabei por deixar as coisas arrastar enquanto não juntava todos os malditos recibos que fui guardando ao longo do ano, apesar de a maior parte estarem bem arrumados.
Felizmente não tive de me deslocar a Algés para entregar a declaração já que a junta de freguesia recebeu 3 funcionários das finanças que fizeram o favor de receber e conferir as declarações. Lá fui eu com a minha declaração e os recibos todos atrás, dez minutos antes da hora que estava marcada para a recepção do IRS, cheguei à junta e deparei-me com uma fila que já chegava cá fora, não me restou outra opção senão esperar, a fila foi aumentando mais depressa que o atendimento era feito, a pasmaceira foi instalando-se até que de uma lado da fila alguém cumprimenta outra pessoa do lado oposto, ora não é que começam a debater futebol, ora grita um ora grita outro, comentam o Benfica e contam piadas, foi o suficiente para meter que estava na fila com um sorriso que virou gargalhada conforme a conversa ía ficando mais absurda.
Passou cerca de uma hora e sem ninguém dar por conta, excepto um desses dois senhores que anteriormente discutiam futebol, uma senhora de idade avançada passa à frente de tudo e todos e desloca-se directamente às funcionárias das finanças, ora o caro senhor ao dar por isso começa logo a anunciar para que estava na fila "Se aquela mulher for atendida eu vou lá!", repetiu a ideia várias vezes até à altura em que a senhora é atendida e entra pela junta a dentro, arma uma discussão e volta cá para fora ainda a resmungar com a situação, gritava coisas do género "É por isto que o país 'tá assim, isto é um país de cordeiros!", "É por estas e por outras que ninguém gosta de mim, por defender o que está correcto!" ou mesmo "Se aquela senhora fosse macho ía lá e dáva-lhe um valente sopapo!". Quase ninguém resistiu e deu uma valente gargalhada, ao mesmo tempo que o homem estava furioso fazia descrições do que faria com um sentido de humor.
A fila lá avançou e mesmo já dentro da junta ainda ouvia o homem lá fora a barafustar pela situação vivida. Quase duas horas depois fui atendido e em cerca de cinco minutos estava despachado, a funcionária ao ver o valor do que tinha recebido o ano passado comentou "Acho que o senhor recebeu a mais. Tem aí a folha da empresa?", ao entregar a folha lá confirmou que estava tudo correcto, fiquei a pensar se não teria sido a minha aparência que tinha iludido a senhora, lá por estar com uma barba à Pai Natal não quer dizer que só um pobre empregado mal pago, mas pronto, o mais importante estava feito e assim fiquei com o resto do dia de folga para molengar.

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