segunda-feira, junho 28, 2010

O silêncio do desejo

Esta página branca não sabe ao certo como ser preenchida, agora perante o teu olhar ela enrola-se em si mesma, tímida, procurando como tornar as mais redondas palavras em linha contínuas, mais explícitas, querendo demonstrar o tamanho de um sentimento que num só livro não caberia, muito mais numa mera pobre página branca.

Caminha sobre essas linhas, e mesmo que tenhas receio em segui-las até ao fim segura firme a minha mão, volta de novo ao aveludado chão, sabendo que as mais doces palavras, revestidas em ouro, não vestem pele de cordeiro, são verdadeiras e para serem entendidas tal e qual como nasceram.

Nunca temas o meu silêncio, pois o meu silêncio sempre significará um beijo roubado ou um olhar apaixonado parados no tempo, um silêncio em busca da realidade de todos esses sonhos, esperando ansioso pela liberdade, ainda, fechada a sete chaves que não me deixa aproximar e saborear um novo doce.

sexta-feira, junho 25, 2010

Bem-vinda!

A tinta agora já visível aos teus olhos irá revelar todas as palavras mudas que ainda não pudeste descobrir, poderás encontrar respostas a questões presas no tempo, contudo não esperes ouvir aqui o que se esconde por detrás de duas portas, as mesmas que anseiam por ver a chave que sagradamente esconde a palavra mais bela alguma vez escutada.

segunda-feira, junho 21, 2010

E vai uma dentada?

No final de uma semana o destino da vida percorre melhor o trilho de barriga cheia, assim, separados por um pequeno campo de batalhas com espigões e serrilhas embebidos em sangue tinto, duas personagens irão proclamar paz, plantando flores que brotarão de um possível amor, brindarão a um futuro mais colorido e solarengo. Na troca de palavras espontâneas irão traduzir o que a alma sente, finalmente longe de todos, em segredo, revelando quem verdadeiramente são e o que os seus desejos, à procura de uma realidade, à tanto buscam...

sexta-feira, junho 18, 2010

Apetece-me desenhar ideias neste pedaço de papel mas, hoje não arrisco... deito-me abraçado a uma fotografia para a acordar a escrever cartas de amor.

terça-feira, junho 15, 2010

Sorrir

Se a doçura de uma palavra tua sabe a mil sorrisos, quero ver-te sorrir sempre!

sábado, junho 12, 2010

Desejos

O telefone ali deitado sobre a mesa de cabeceira revela vontade de ligar duas pessoas, silencioso fica ali a mirar-me, como que convidando-me a acariciá-lo ao digitar um nome da lista de almas presas dentro de si, porém a razão evita qualquer contacto já que o coração cega toda e qualquer certeza, o desejo contudo é grande, a vontade de abrir novas portas é ambição sua, talvez dar tempo ao tempo seja por agora o melhor conselho que se possa dar a um coração ansioso. Já dizia Shakespeare que «Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor.»

quinta-feira, junho 10, 2010

Veludo negro

Dizem por aí que quando se menos espera... BAM! Acontece! Ora não é essa bem a realidade actual mas, quando alguns sinais aparecem penso que é o nosso dever de ao menos explorá-los!

Se existe algo que detesto é quando alguém nos tenta impingir o que quer que seja, e quando alguém que conhecemos acha que se deve intrometer na nossa vida proferindo afirmações e juízos de valor, então aí as coisas por vezes podem azedar... Penso não estar só quando afirmo isto, contudo, e é mesmo raro eu confessar tal coisa, existem situações que acabam por se revelar uma agradável surpresa, e repito, mesmo que raramente goste de confessar...

Sempre que o seu nome foi mencionado bateu num muralha impenetrável, muralha essa que rejeitou qualquer interesse ou curiosidade em saber mais, muitas foram as tentativas de trazer esse assunto à mesa e algumas as mensagens provocatórias recebidas, mas o resultado foi sempre o mesmo, de forma fria dizer que não e pedir para que essas provocações parassem. Ora isso não aconteceu, felizmente, talvez esta seja das raras vezes que dou o braço a torcer, e sei que provavelmente neste momento os lábios de uma certa pessoa sorriam. Nos últimos dias essa enorme muralha começou a abrir frestas e do outro lado um rapaz meio tímido encostou um olho junto a uma dessas falhas e curioso espreitou para descobrir que afinal sempre existe alguém do lado oposto que aos poucos e poucos se revela.

De tudo o que tenho descoberto só poderia apontar um simples aspecto que me fez torcer o nariz, mas nem isso me fez esmorecer porque do outro lado da balança existe alguém que tem um coração do tamanho do mundo, uma pessoa que recebe com o maior sorriso do mundo os amigos, alguém que não receia de algum modo mostrar os sentimentos, uma pessoa que com esforço e sacrifício consegue alcançar objectivos traçados e sabe o que quer para si mesmo, dotada de uma personalidade bastante sensual, cabelos de veludo negro e um brilho nos olhos, ela conseguiu impressionar-me quando partilhámos aquela noite mais do que uma simples refeição, recordo-me de um momento particular, onde a brisa arrastada pela chuva foi ouvinte secreta da troca de inocentes palavras, palavras essa que acabaram por revelar curiosidades idênticas, naquela noite acabei por ter olhos só para ela, sempre tentando disfarçar quando o olhar era devolvido, um pouco como tentasse ler um livro que tinha sido colocado à minha frente num língua desconhecida, como que após cada página virada os caracteres começassem a fazer sentido e a leitura se tornasse apetecível e atraente.

Porém houve algo que fez suster a minha respiração, de novo, o facto de existir uma barreira retratada de forma inesperada perante os meus olhos, ali especados a tentar decifrar as diferentes tonalidades no visor, fez-me questionar tudo o que até ali tinha sido sussurrado perto do ouvido, ali ao meu lado alguém lia isso nos meus olhos, ou pelos menos assim pensei, daí que no dia seguinte ter percebido a preocupação na voz da amizade, assegurando-me de que tudo o que tinha percepcionado até aí estava distorcido, senti-me enganado mas ao mesmo tempo esperançado com a certeza dos caminhos percorridos separarem duas almas, para que uma talvez encontrasse a sua verdadeira alma gémea.

Hoje não sei o que pensar, sinto-me um pouco perdido embora o coração saiba o que quer cegamente, só sei que naquele dia o ar pareceu mais fácil de respirar, como que percorresse um enorme campo mágico, onde o sol brilhava amenamente, onde o silêncio bailava por entre as árvores e a alta vegetação cantava, um sentido de paz e alegria, um sentimento de pertencer, a vontade de semear uma árvore e vê-la crescer numa harmonia deslumbrante. Quero passear por aí, quero seguir esse trajecto, quero descobrir, porém não vou correr, quero ir com calma, quero ouvir todos os detalhes, quero lembrar aquele sorriso ternurento que me faz agora sonhar, quero...

Novo porto seguro

Ali, perto onde o homem ganha o seu pão diário, fica a morada do jovem que inicia uma nova etapa desta vida misteriosa que nos presenteia com algo novo todos os dias, ali rodeado do sexo oposto protegido apenas por uma companhia felina, essa sim a sua verdadeira paixão, terá agora de se comportar como um felino preguiçoso para passar ao ataque.

Após a correria frenética ao longo das últimas semanas o conforto de um novo porto seguro é agora absoluto, faltando apenas uns mimos aqui e ali, em breve, o jovem poderá despertar para um novo dia, esperançoso de que boas novas virão e de que o tímido sol que agora se esconde por detrás da violentas nuvens cinzentas possa brilhar mais que nunca.

Não serão muitos os dias até que a porta do seu esconderijo seja aberta a pessoas chegadas que com ele celebrarão o novo caminho percorrido marcado por desejos, comandado por um futuro ainda utópico.