Dizem por aí que quando se menos espera... BAM! Acontece! Ora não é essa bem a realidade actual mas, quando alguns sinais aparecem penso que é o nosso dever de ao menos explorá-los!
Se existe algo que detesto é quando alguém nos tenta impingir o que quer que seja, e quando alguém que conhecemos acha que se deve intrometer na nossa vida proferindo afirmações e juízos de valor, então aí as coisas por vezes podem azedar... Penso não estar só quando afirmo isto, contudo, e é mesmo raro eu confessar tal coisa, existem situações que acabam por se revelar uma agradável surpresa, e repito, mesmo que raramente goste de confessar...
Sempre que o seu nome foi mencionado bateu num muralha impenetrável, muralha essa que rejeitou qualquer interesse ou curiosidade em saber mais, muitas foram as tentativas de trazer esse assunto à mesa e algumas as mensagens provocatórias recebidas, mas o resultado foi sempre o mesmo, de forma fria dizer que não e pedir para que essas provocações parassem. Ora isso não aconteceu, felizmente, talvez esta seja das raras vezes que dou o braço a torcer, e sei que provavelmente neste momento os lábios de uma certa pessoa sorriam. Nos últimos dias essa enorme muralha começou a abrir frestas e do outro lado um rapaz meio tímido encostou um olho junto a uma dessas falhas e curioso espreitou para descobrir que afinal sempre existe alguém do lado oposto que aos poucos e poucos se revela.
De tudo o que tenho descoberto só poderia apontar um simples aspecto que me fez torcer o nariz, mas nem isso me fez esmorecer porque do outro lado da balança existe alguém que tem um coração do tamanho do mundo, uma pessoa que recebe com o maior sorriso do mundo os amigos, alguém que não receia de algum modo mostrar os sentimentos, uma pessoa que com esforço e sacrifício consegue alcançar objectivos traçados e sabe o que quer para si mesmo, dotada de uma personalidade bastante sensual, cabelos de veludo negro e um brilho nos olhos, ela conseguiu impressionar-me quando partilhámos aquela noite mais do que uma simples refeição, recordo-me de um momento particular, onde a brisa arrastada pela chuva foi ouvinte secreta da troca de inocentes palavras, palavras essa que acabaram por revelar curiosidades idênticas, naquela noite acabei por ter olhos só para ela, sempre tentando disfarçar quando o olhar era devolvido, um pouco como tentasse ler um livro que tinha sido colocado à minha frente num língua desconhecida, como que após cada página virada os caracteres começassem a fazer sentido e a leitura se tornasse apetecível e atraente.
Porém houve algo que fez suster a minha respiração, de novo, o facto de existir uma barreira retratada de forma inesperada perante os meus olhos, ali especados a tentar decifrar as diferentes tonalidades no visor, fez-me questionar tudo o que até ali tinha sido sussurrado perto do ouvido, ali ao meu lado alguém lia isso nos meus olhos, ou pelos menos assim pensei, daí que no dia seguinte ter percebido a preocupação na voz da amizade, assegurando-me de que tudo o que tinha percepcionado até aí estava distorcido, senti-me enganado mas ao mesmo tempo esperançado com a certeza dos caminhos percorridos separarem duas almas, para que uma talvez encontrasse a sua verdadeira alma gémea.
Hoje não sei o que pensar, sinto-me um pouco perdido embora o coração saiba o que quer cegamente, só sei que naquele dia o ar pareceu mais fácil de respirar, como que percorresse um enorme campo mágico, onde o sol brilhava amenamente, onde o silêncio bailava por entre as árvores e a alta vegetação cantava, um sentido de paz e alegria, um sentimento de pertencer, a vontade de semear uma árvore e vê-la crescer numa harmonia deslumbrante. Quero passear por aí, quero seguir esse trajecto, quero descobrir, porém não vou correr, quero ir com calma, quero ouvir todos os detalhes, quero lembrar aquele sorriso ternurento que me faz agora sonhar, quero...