Nas páginas do destino uma combinação matemática é apresentada, algumas das parcelas são escolhidas sem motivo aparente, acabam por se distribuir ao logo da folha sem grande importância, umas somando a tantas outras, subtraindo a estação quente que agora parte mas multiplicando a lua que se erguerá cheia de influências imprevisíveis, todas estas probabilidades, divididas no fim por duas inconstantes partes, definirão o total desta questão, estranhamente, matemática.
Foi já a meio da tarde que me apercebi deste enigma, que me deixou acelerado mais do que o normal, logo ali comecei a fazer contas à vida, tamanha era essa excitação, tentando perceber se realmente tudo o que tinha sido previsto estava afinal para acontecer, quando já perdia a esperança de ver concretizadas tais adivinhações. Mesmo assim a incerteza do enigma ter um resultado positivo, um pouco como as expectativas também o são, deixa-me muitas reticências até o grande dia chegar, talvez não seja um dia por assim além grandioso mas de banal pouco terá, sabendo que carrega nos seus ombros um número poderoso e, sabendo que serão reveladas as consequências da equação acima referida, talvez não totalmente matemática, como antes tinha calculado.
Já ouvi dizer que não serei perdoado se no final desse dia não tiver roubado a timidez que se entre põe perante um beijo... bem, que dizer depois de isto? Sinceramente fico sem palavras, sem realmente saber como reagir senão esboçar um sorriso acanhado, mas secretamente grandioso dentro de mim, digno de exigir um suspiro profundo, dando espaço suficiente para começar a sonhar acordado, colocando essa possibilidade mas, não posso! Não posso deixar-me levar pelas nuvens dos sonhos, pois quanto mais subo mais me arrisco a cair em queda livre.
Sabendo que estas palavras vão chegar a determinado destino, não quero, de alguma forma, assustar ou intimidar, pois não ditei a equação, simplesmente transpus para papel, mesmo que virtual, tudo o que vejo a juntar-se ao virar da esquina. Vou tentar passar os próximos dias sem pensar para onde caminho inevitavelmente, pensamentos que estou certo não vão abandonar a minha mente, hoje mais que nunca controlada pelo coração, vou fingir que não tento resolver a equação que me deixa doido, vou continuar a sorrir, porque mesmo sabendo que nunca fui bom a matemática, esta em especial, não será racional e por isso sem final certo.
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