sexta-feira, outubro 29, 2010

A correr, lá se passou Outubro

Outubro passou a correr, começando com duas semanas longe do local de trabalho para recuperar fôlego, de modo a resistir até final do ano e, também, para tomar conta da minha adorada gata, que finalmente foi esterilizada.

Foi uma semana conturbada e por demais emocional para mim, não me lembro de andar tão sensível como estive durante aquela semana, sempre o medo de algo correr mal com a minha menina... Somente o facto de a ter deixado no hospital veterinário para a operação foi como perdê-la durante aquelas horas, o caminho para casa, sem a Cookie ao meu lado, quase deixou as lágrimas que o coração derramava transparecer, um almoço rápido e mal comido, o corpo parecia rejeitar qualquer tipo de alimento, um expressão pesada enquanto o tempo não passava e as notícias teimando em demorar a chegar. Após algumas tentativas e adiamentos, lá consegui falar com o cirurgião que explicou que a Cookie estava bem, atordoada contudo, como seria de esperar, e que a operação tinha corrido bem. Mal desliguei o telefone saí porta fora, quase sentindo a Cookie a miar ao longe, desesperada por voltar ao seu lar, quando o desespero era todo meu para a voltar a ter nos meus braços. A hora e meia que ainda tive de esperar no hospital foi ainda pior, sem saber o porquê da demora já não tinha como estar, de repente, ao ver a transportadora ao longe, esbocei um sorriso e após explicação da médica fiquei a saber que o atraso se devia a uma urgência com um outro qualquer animal.

Um olá sentido ofereci à minha pequena Cookie e coloquei-a no carro, de volta a casa. Para quem já andou com a Cookie de carro, sabe que ela detesta e não pára de miar, pois desta vez mal deixou um miar fugir, e os que escapavam desoladores. Já em casa deixei-a sair da transportadora, e com olhos mal abertos arrastou-se pela casa, mal me deixando tocar, com um rugido fraco mostrando a confusão da anestesia,  rejeitando-me, algo que mais uma vez deixou-me de coração partido quando mimos era a única coisa que queria partilhar. Acabou por adormecer encostada a uma porta, já com uma patinha dentro da coleira, em forma de funil, que tentava tirar. Deixei-a em paz, só o facto de a ter em casa e entregue ao meu cuidado era o suficiente para aliviar o peso que aterrorizava o coração.

Não foi fácil manter o colar em volta do seu pescoço e, por isso, não foi de estranhar que no dia seguinte já não o tivesse, tentei que andasse sem ele, sempre atento às suas lambidelas em torno do penso. Sem grande sucesso, o penso começou a descolar, mas qualquer tentativa de voltar a colocar a coleira, resultava sempre nas minhas mãos decoradas por feridas sangrentas. Daí a dois dias estava de volta ao hospital para trocar o penso e verificar como estava a sarar, não foi de admirar que o médico me desse nas orelhas pois a coleira tinha ficado em casa e, coração mole como sou, expliquei como custava vê-la cabisbaixa, mas insistindo o médico disse que era fundamental a Cookie usá-la. Custou tanto à Cookie essa viagem ao hospital que ao retirar o cobertor de dentro da transportadora, já em casa, vê-lo manchado por urina.

Nessa noite, com a ajuda de uma amiga, tentámos, sem sucesso algum, colocar a coleira de volta ou mesmo tentar cobrir o penso de modo a que não o lambesse. Já o dia ía longo e desistimos. No dia seguinte, já de luvas da loiça a proteger as minhas mãos, insisti e consegui colocar a coleira. Meio resignada não restou grande solução senão aceitar a coleira, ainda acabou por cair uns dias depois, mas já sem grande luta não reclamou quando a voltei a colocar.

Com jantar marcado com amigos nessa semana, jantar esse porque aguardava já a algum tempo, não consegui arranjar coragem para abandonar a Cookie naquela noite, não como ela estava, e assim por casa fiquei, sempre melancólico, sempre a desejar que a Cookie soubesse como me sentia naquele momento, como que num fatalismo português percebesse a dor que seria se alguma coisa lhe acontecesse.

Com este final de férias atribulado voltei ao trabalho, já com reportagem especial agendada, a minha primeira reacção foi respirar fundo, já imaginando que seria mais um tema depressivo, a última coisa de que precisava após as férias. Foi só mesmo segunda-feira que descobri, para meu contentamento, que não havia motivos para pensar no pior, afinal a temática era a felicidade e, aí, achei curioso ter sido o escolhido, talvez tenha sido o meu sorriso "BD", como a Sara o gosta de classificar, talvez a minha boa disposição diária, que tenha pesado na escolha para editar a tal reportagem.

Hoje, após duas semanas a editá-la, posso confessar que foi uma viagem tranquila, e até animada, cheia de trabalho, que o diga a minha tendinite, mas que finalmente chega ao fim e nada melhor do que ver um fim de semana à porta, com dia extra de descanso na segunda feira, visto não ter sido convocado para trabalhar nesse feriado.

Mas voltando atrás, a esse primeiro dia de trabalho, foi o único dia em que abandonei a minha Cookie à solidão da casa, arrastando o colar por onde quer que andasse, contudo já mais espevita e, no dia seguinte, terça-feira,  lá estava ela no hospital para retirar o que sobrava do penso, um médico bem sorridente com a sua recuperação. Um pedido final, por parte dele, que no local da operação a Cookie levasse um pouco de creme todos os dias, para ajudar às comichões do pêlo a crescer. Penso que foi aí que um enorme peso desapareceu das minhas costas, e com pouco tempo para sorrisos e festa, deixei a Cookie em casa e dirigi-me para o trabalho, tendo avisado previamente que chegaria hora e meia mais tarde. E agora que penso nisso tenho de enviar um mail para o chefe para que não me descontem essa hora. Não me posso esquecer!

Foi um mês estranho, começou bem animado, cheio de nostalgia e reencontros, um mês de sofrimento por aqueles que nos fazem sorrir todos os dias, um mês cheio de trabalho, chegar a casa exausto mas, tal e qual como nos tempos de escola, com trabalhos de casa, pesquisar sons e bandas sonoras, um mês propício a esquecer aquela pessoa que preenchia o espaço em branco no coração, mês propício a isso embora difícil de querer acreditar que tudo tivesse terminado, mas talvez por reavaliar decisões passadas coloque várias questões em relação ao futuro, que rumo tomar, que caminhos atravessar...

Enfim, um mês que termina, o Outono está aí e só me apetece sair para fotografar a beleza desta estação, de dizer adeus ao sol enquanto adormece no mar, de sentir o cheiro da terra com as primeiras chuvas, saborear as primeiras castanhas assadas, com uma noz de manteiga em cima, de estar no calor da minha casa, ver a chuva bater na janela, atraindo a curiosidade da Cookie e, bem, imaginar um beijo apaixonado daquela rapariga que um dia há-de bater à porta e pedir para entrar...

domingo, outubro 03, 2010

Outubro não poderia ter começado de melhor forma, primeiro dia cheio de significado e concretização de desejos, logo seguido por um novo dia que terminou em beleza! Que assim continue ao longo do mês e que mais e melhores dias possam chegar...