sexta-feira, novembro 26, 2010

नमस्ते [namasté]

Namasté minha querida.

Certamente poderás estar pensar que estou em falta, pois o hábito cria nas pessoas expectativas sobre situações já tornadas rotinas, e não estarás enganada, já andava a algum tempo para te escrever e contar como vivi o nosso reencontro. Acredito que já estejas a esboçar um pequeno sorriso só por esse facto, já a saborear as palavras que ainda não conheces.

É curioso, mas não sei muito bem como descrever tudo o que se passou, pois olho para esse dia e tenho a noção de que não tinha consciência alguma do que fazia ou dizia, como não estivesse dono de mim. Ainda quis acusar o nervosismo e levá-lo a tribunal, contudo seria fútil, pois deixei-o em casa nesse dia, talvez o meu contentamento tenha levado a melhor, e quase como uma criança, sem noção dos seus actos, me deixei levar por ti.

Enquanto esperava por ti, abrigado da bênção de S. Pedro, desesperava por não ver a hora de te rever, procurando em cada carro que passava a cor do teu, tentando perceber quem conduzia, irritado, confesso, por o senhor da loja do lado ter metido conversa comigo, sei lá sobre o quê, quando o que queria é que me deixasse em paz para ter a certeza que não ias longe demais. Hoje lembro-me que mal me despedi do caro senhor quando corri para abrir a porta, e um pouco como um filme de Hollywood, entrar dentro do carro e sentir uma alegria tremenda de te encontrar, como se que de repente o mundo todo coubesse dentro daquele espaço confinado, protegido pela chuva dispersa.

Das poucas coisas que imaginei, e que mais tarde partilhei contigo, é que agora sabendo a localização do meu esconderijo ficas automaticamente convidada para bateres à porta, sem necessidade alguma de justificações, somente a vontade de lá estares, nem que por breves momentos...

Foi por demais agradável a descoberta de novos sabores na melhor das companhias, embora um pouco assustado com a imagem que possa ter ficado do animal devorador em que me transformei, pelo menos naquele dia. Hoje rio-me desse pequeno pormenor, embora meio embaraçado por tal atitude, certo que não constará do manual da boa etiqueta.

Agora não percebo porque ainda avisas que vais fumar, confesso que adoro esse teu modo de ser, provavelmente preocupado com o que eu poderia pensar, vendo nisso uma necessidade de te justificares, ou de certa forma desculpares-te. E mesmo tu sabendo que jamais poderia proibir-te de tal acto viciante e necessário de satisfazer lá continuas, de forma adorável, a chamar à minha atenção para o facto.

Adoro partilhar todos aqueles minutos que passo contigo, minutos que depressa se transformam em horas, sem nos apercebermos como eles acabam a certa altura por reduzir e colocar um ponto final a todos aqueles momentos de partilha e felicidade. Essa ventura fica gravada na memória e, sempre que te sinto longe, faço play, recordando-me dessas ocasiões, mergulhando nesse mar tranquilo e ali permanecer a flutuar, calmo e pacífico, sem qualquer problema a atormentar a mente, enamorado por um quase sonho.

Segura esta carta entre as tuas delicadas mãos como o meu profundo agradecimento por todos as sextas-feira que marcámos no calendário, por todos os motivos de contentamento vividos e, diria até, por todos os outros que hão-de ser experienciados. Que rude sabor esta última palavra parece ter, não é? Quando o seu significado é bem mais doce.

Fica esta carta lacrada com um beijo de amizade.

Pedro

quinta-feira, novembro 18, 2010

Pequenas diferenças

Apercebi-me ontem, ao falar com uma desconhecida, que pequenos detalhes realmente fazem toda a diferença! Conversava ao telefone com uma rapariga da associação SOS Animal, após a troca de alguns emails, para a possível adopção de um gatinho e, no final da chamada, notei o prazer e o modo de estar na vida da pessoas que têm um amigo de sete patas em casa, a paixão por quem depende de nós, por quem preenche a nossa vida, a vontade de querer ajudar, senti uma alegria crescente a trepar pelo meu corpo até ao canto do meu olho e, num sentimento misto de alegria e tristeza, um sorriso não deixou uma lágrima derramar...

Ainda não aprendi, e dificilmente acontecerá, a lidar com elogios, caio numa timidez que já pensava ter perdido, por isso as suas últimas palavras deixaram-me engasgado em palavras soltas, de certa forma orgulhoso, mas sem saber agradecer pois sempre fui assim e nunca, de forma alguma, cresci para ser melhor que o próximo.

domingo, novembro 14, 2010

Eu sei juntar letras, logo sou escritor!

Começo a pensar que o cúmulo da escrita é um poeta, ou um típico escritor, sentado na esplanada de café, assimilando tudo o que rodeia, encontrando inspiração para um futuro livro, enquanto o mundo inteiro pensa saber escrever e lança livros a torto e a direito, fazendo disso um grande acontecimento, senão vejamos o que se passou esta semana com repórteres de imagem das três estações portuguesas. 

O que acontecerá de seguida, será que realizadores, produtores e assistentes também se vão dedicar à escrita, porque não editores a lançar um livro sobre os exteriores que tiveram durante a sua carreira, desde Timor à vizinha Espanha, de eventos desportivos, como um Mundial, até à guerra no continente Africano, certamente que muitas serão as histórias, claro nunca esquecendo de referir como são eles que fazem o milagre de trabalhar a deficiente imagem que alguns repórteres de imagem não conseguiram obter, talvez estivessem a pensar que história de vida  que irião partilhar no livro, esquecendo-se de que estavam a trabalhar. Seria interessante saber como alguns repórteres de imagem, ao cometerem erros que poderiam ser evitados, fizeram de uma simples frase um estilo de vida, "na edição eles arranjam".

Bem, sarcasmo à parte, e depois de ter visto o excesso de mediatização à volta deste último lançamento do livro pelos repórteres de imagem, é com alguma tristeza que muitos autores, verdadeiros escritores, não tenham a devida visibilidade, muitas vezes mais que merecida! Eu trocava trinta repórteres de imagem por um, e só um, poeta e o seu livro.

Sei que ali a minha adorada Carla Q. pode não apreciar lá muitas estas palavras, mas tinha de me livrar desta irritação que me atormentava...

quarta-feira, novembro 10, 2010

E que tal arranjar um amigo...

... para a Cookie? Pois é, não são muitos os dias que passam sem que pense nisto, e tendo conhecimento, através de vários grupos no Facebook, de casos urgentes de adopção de outros felinos, e o facto de acabar por me apaixonar por tantos rostos farfalhudos, que tendo perfeita noção que não me encontro numa situação monetária má, ou perto disso, saber que posso assegurar o bem estar de alguém que precisa de um lar e de amor. Ora ao mesmo tempo acabo por presentear a minha adorada Cookie com um amigo para as suas brincadeiras, e para me dar cabo da casa também, não esquecendo esse pequeno grande pormenor,  tudo para que todas as tristes manhãs, ou tardes, em que tranco a porta de casa, ela não fique sozinha, pacientemente esperando que o dono retorne a casa. 

Tenho perfeita noção do que posso vir a perder, todas as vezes que mal a porta se abra o contentamento  visível no seu comportamento hospitaleiro acabe, que deixe de se passear entre as minhas pernas, roçando nelas, de cauda flutuando bem alto, que pare de rebolar no chão à procura de mimos, que tudo isso possa acabar e me roube o sorriso que tanto preciso no fim de dia de trabalho.

Mas verdade seja dita, já faltou mais para o dia em que abra a porta e tenha dois à minha espera... ahahah!

Os meus caminhos da felicidade

Não é a primeira vez, e espero que não seja a última, que recebo um email deste género:

Partilho convosco o relatório diário de audiências que é elaborado pela Vera Roquette.
Vale a pena ler :-)

Muitos parabéns, de novo!

Fico muito muito satisfeito quando decidimos um tema fora da "agenda" e do menu habitual e conseguimos resultados destes. Mas isso só é possível porque toda a gente envolvida se excedeu! Muitos parabéns!


JAC

É bonito ler isto, e um tanto ou quanto irónico, porque numa política de que os "coitadinhos" é que vende e dá audiência, a escolha de um tema «fora da "agenda"» seja enaltecido para contentamento dos que estão no poder, que decidem, eles sim, a política da empresa...

Claro que muitos não tendo acesso ao relatório não sabem o que lá vem escrito, sendo assim, visto não ser segredo de Estado ou algo parecido, deixo aqui o excerto que interessa para o caso:

(...) o Linha da Frente (28,9%sh e 11,6%rat) alcança o share máximo da temporada e dá continuidade à liderança da RTP1 no período entre as 20:00hs e as 21:20hs (30,1%sh), mesmo com a presença do Primeiro-ministro no Especial Informação (26,9%sh e 10,8%rat) da TVI conduzido por Constança Cunha e Sá e Henrique Garcia a partir de São Bento (20:52hs-21:30hs). Recorde-se que a última entrevista de José Sócrates tinha sido dada à RTP1 no passado dia 18 de Maio deste ano, tendo alcançado registos mais expressivos (33,3%sh e 11,6%rat).(...)

Ainda a propósito do recordista Linha da Frente, importa referir que o programa da estação pública contabiliza uma média 23,4%sh e 8,8%rat nas 27 emissões de 2010, sendo que das últimas 10 emissões, 6 posicionam-se acima da média. A reportagem desta noite, da responsabilidade da jornalista Rita Ramos desenha um percurso na procura da felicidade, reflectindo sobre o dinheiro, a família ou o sucesso profissional como forma de sermos felizes. Sublinhe-se que a reportagem conquista a suas parcelas de mercado “mais felizes” junto do público feminino (31%sh), nas idades 35/44 anos (34,7%sh), maiores de 64 anos (38,8%sh), na classe D (32,6%sh) e no Sul (41,8%sh).

É por demais agradável ver reconhecido o trabalho de equipa, por parte dos responsáveis da Direcção de Informação, mesmo que esse reconhecimento só seja concedido aquando do feedback positivo das audiências. Muitas são as vezes que um tema mais alternativo é abordado ou mesmo o modo como a reportagem é construída, consequentemente colhendo uma menor audiência, e pode ser mesmo a melhor reportagem de sempre que esse reconhecimento, por vezes, só chega de fora da RTP, quer seja via um concurso ou mesmo palavras amigas.

Ainda hoje, ao chegar à porta do prédio, ao qual chamo casa, tive a oportunidade de ser abordado por umas pessoas amigas que fizeram caso de comentar a reportagem transmitida, e melhor que qualquer número num gráfico de audiências, são as palavras do chamado "povo", que sem nada a ganhar, em guerras de bastidores, comenta de alta e boa voz o que realmente achou da reportagem.

Ao contrário de alguns, para mim, qualquer critica é sempre bem vinda, aprendemos com elas a não repetir erros, apuraram-se sensibilidades e aperfeiçoam-se técnicas. No fim de contas isso faz parte também do nosso trabalho, parte do ser humano que tenta ser melhor e mais feliz.

Lamento o meu coordenador não estar em Portugal para presenciar todo o feedback positivo, pois com certeza seria um embaraço para o mesmo, visto que a mais vista reportagem da série de programas já emitidos foi montada por um dos editores mais requisitados, com boa reputação, mas que se encontra no mais baixo nível na escala de progressão de carreira e salva-se com uma avaliação miserável de... bom. Lamento, igualmente, já ter passado quase um mês desde que comentei a avaliação apresentada pelo coordenador, de não ter tido a possibilidade de apresentar factos concretos como o desta última reportagem, para que a administração, que pouco ou nada sabe dos seus funcionários, pudesse avaliar melhor todas as palavras manchadas numa suposta avaliação justa.

Mas deixemos tristezas de lado, que pouco ou nada trazem de positivo à vida e, assim, aproveito para agradecer todas as criticas que chegaram até mim, valeram todas as palavras ditas e sentidas. Um sincero obrigado a todos!