quinta-feira, março 24, 2011

Um novo despertar

Todas as manhãs, ao despertar do estado de vigília, dou por mim a bater à tua porta e, conforme ela abre, ao ver-te, corro ao teu encontro, sem formar qualquer palavra mato saudades nos teus lábios, ali, onde os olhos não precisam ver, aperto-te num abraço interminável, o tempo pára, o silêncio toma conta do mundo e devagar os nosso actos acabam por falar mesmo, perdemo-nos no momento... Respiro fundo e reparo que estou ali deitado, sozinho, deixando a minha imaginação enganar-me. Apesar de tudo o sentimento de puro êxtase enche o coração, a luz forte atravessa as brechas da janela, um novo dia radiante começa, esperançoso, a soma disso tudo não me deixa abalar pela realidade de alguns factos cruéis.

Curioso verificar que a preguiça de outros dias ao acordar é agora história do passado, como se não pudesse perder tempo com os sonhos e tivesse pressa de começar a vive-los, até porque a estrada da vida cada vez mais vai encurtando, mas não penso muito nisso, sei que no fim da estrada lá estarás, e por isso dia após dia continuo a correr confiante desejando conseguir-te alcançar. 

Temo que se o contrário acontecesse, o mais provável seria perderes-me para sempre, porque por mais que me procurasses, as sombras da vida acabariam por levar a melhor, a esperança já mais não o seria, os dias negros e chuvosos tomavam o lugar do sol, as lamentações atiradas à rua em desespero...

Nunca duvides, és tu e somente tu que alegras os meus dias, que me faz sorrir, lembrar como é bom viver enamorado, como é bom parar para amar. Nem preciso de ter uma foto tua à mão, pois a tua memória é bem forte e presente e, como te dizia em tom de brincadeira, mas ao mesmo tempo como crença da certeza do meu amor, se num ano consegui finalmente lacrar uma carta, cheia de paixão, intensa e selvagem, imagina o que poderei alcançar em dez anos...

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