terça-feira, julho 05, 2011

Reparei nos diversos sorrisos das vozes amigas que me procuraram hoje, sem surpresa alguma o gesto foi devolvido nas mesma dose, embora de forma mais envergonhada. Sei que a curiosidade poderá ter sido a razão, não porque o motivo é divertido mas sim porque a viagem deste ser poderá tomar no rumo. Cedo demais, é o que poderei afirmar com toda a convicção, é cedo demais para saber onde esse destino me levará, é tudo o que sei e posso atestar.

Foram surpreendente as últimas quarenta e oito horas, bem, talvez mais uma hora ou outra hora... Aquela voz que já parecia ter esquecido escreveu-me, a sua oferta foi justificação suficiente para os olhos deliciarem-se com a sua visão, mesmo que por breves instantes, talvez lamentavelmente. Sei claramente, e sou culpado por o saber de forma consciente, que os meus olhos tentaram faltar ao respeito e penetrar pelo tecido branco, objecto imposto pela sociedade cheia de pudor. Disfarcei. Afinal, se não o fizesse seria criticado e julgado pelo meu desarranjo mental, se assim o quisermos chamar, mas sou só sujeito sedento de prazeres... Apercebi-me que estou a dizer mais do que quis, torturado por essa saborosa memória, é claro!

A noite das primeiras vinte e quatro horas pouco interessa, visto que a recordação pertence-me, a mim mesmo e só a mim. Isto agora não me soou bem! Enfim, é tarde... who cares! O agradecimento devido, em mui nobre carta lacrada, foi enviado e, espero, recebido com satisfação, uma vez que o silêncio foi a única coisa que o vento sussurrou à minha janela. Sei que não devo esperar qualquer tipo de resposta, talvez ficasse mesmo ansioso se a realidade fosse diferente, hoje a indiferença apodera-se de mim mais facilmente.

As vinte e quatros horas seguintes revelaram que o imprevisto ainda é sinal positivo do destino. Um sorriso corado foi o que o primeiro momento deu a conhecer, na sua elegante estatura o segundo acto revelou as primeiras palavras, mesmo que ligeiramente acanhadas, foram de pura simpatia, nada que o brilho por entre os lábio já não tivesse demonstrado. nada que a boa disposição fizesse esquecer no segundo seguinte. O manjar, no inicio daquela tarde, era especial para alguns, quando os pratos finalmente ficaram nus o desejo de saber mais viu-se prisioneiro do tempo, o meu coração arrefeceu depressa demais, alimentando-se das últimas brasas daquela memória gerada. Poderá ser ilusão minha, contudo penso que as palavras escolhidas durante a sua presença não foram sorte do acaso, nelas escondiam-se recados. Espera aí, apercebo-me agora, espreitando o que se esconde por detrás de algumas sombras, que poderei estar a projectar uma utopia futura destruidora de sonhos, será que o cansaço do trabalho esteja a distorcer a minha visão da realidade? De repente começo a temer isso, parar, é isso, vou parar e proteger as palavras que não foram usadas para as não ser em vão, vou deixar o tempo tratar delas, deixá-lo acarinhá-las e limitar a descansar o corpo e mente, bem preciso.

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