Hoje, ao reencontrar-te, soube tão bem mas tão bem sentir os teus braços em redor do meu corpo, apertando-o numa saudade que nenhum telefonema ou palavra poderia alguma vez descrever ou fazer-lhe justiça.
Hesitei um pouco perante a contemplação de dois pares de olhos que nos encaravam como bichos do mato, certamente longe de estarem habituados a tal manifestação. Claro que a principal razão foi saber que juízos seriam logo formados, e comentados posteriormente, depressa surgiriam mais rumores e boatos, uns atrás dos outros. É uma estupidez, bem sei, mas as pessoas passam uma vida inteira sem saber apreciar o que faz de nós pessoas, diferentes de todos os seres neste mundo e, fechados dentro o seu próprio mundo isolam-se de todo o tipo de contacto que tanto precisamos, mesmo que jamais alguém o confesse, assim ao deslumbrarem tal expressão de amizade e cumplicidade ficam especados a olhar como a lei mais importante à face da terra tivesse acabado de ser violada.
Fica a promessa que quando voltar a avistar-te, uma vez que chegaste e fugiste logo para terras castelhanas, que estarei de braços abertos para te acolher nesse entrelaçado, sentido e duradouro, o tipo de abraço que o tempo não pode roubar e que alimenta a alma solitária aqui do amigo.