sexta-feira, setembro 30, 2011
quinta-feira, setembro 29, 2011
Dias trocados
Tinha de me despachar, a hora começava a apertar, o limite para sair de casa era pequeno. Assim dei por mim a cozinhar mais cedo o jantar, mesmo à moda americana, para de seguida vestir-me, pronto para ir ver um jogo do meu querido clube que à tanto não me via sentado naquela cadeira marcada com o meu nome. Nunca duvidando da data do dia, tendo sempre em atenção a hora para não me atrasar, corri pela casa atrás de tudo, fintando os bichanos. Já pronto guardei a carteira num bolso, moedas e chaves noutro, não esquecendo os óculos para penetrar nas escuridão da noite com visão de gato, ou quase.
Confesso que estava bem animado, agora que me tenho desligado do mundo virtual e aproveitado melhor o mundo onde as sensações são mais intensas, porém, assim do nada, dei um passo atrás quando peguei no comando da televisão para a desligar, uma notícia não fazia sentido naquela quinta-feira, foi aí que percebi que tinha viajado no tempo e ainda estava preso ao dia anterior
Fiquei triste, questionando se estava a ficar velho e a perder a noção do tempo ou se aquela excitação de voltar aos estádios de futebol tinha empurrado a imaginação no tempo. Um pouco chateado até, mas nada a fazer se não voltar atrás, lá desfiz os bolsos, coloquei tudo no sitio e fui brincar um pouco com os meus adoráveis bichanos, eles que de certeza não perceberam nada do que se passou. Quanto muito sabiam que os estores a meio da janela só se encontravam assim quando estavam destinados a ficar por conta própria.
Que a quinta-feira chegue pois o estágio já está concluído. Uma coisa é certa, depois desta quinta que venha o dia que quiser aparecer pois o seu nome não terá importância, agora que os dias são de descanso e abstinência de trabalho.
Que a quinta-feira chegue pois o estágio já está concluído. Uma coisa é certa, depois desta quinta que venha o dia que quiser aparecer pois o seu nome não terá importância, agora que os dias são de descanso e abstinência de trabalho.
quarta-feira, setembro 28, 2011
Conversas desnudas
A pulseira que hoje usaste deixou-me pensativo e sonhador. Sei bem que a conversa descarrilou para o que ultimamente tem sido o motivo de troca de palavras mais picante e, razão de algumas descobertas que a maioria das pessoas jamais poderiam imaginar que eu fosse bom conhecedor ou entendido. Será que tenho mesmo ar de menino bem comportado e angélico? Não consigo evitar um sorriso malandro.
Tenho reparado que o à vontade para este tipo de ousadias tem aumentado entre nós dois, provavelmente revelando uma certa cumplicidade intima que aos olhos de outros não seria alguma vez justificável. Ao mesmo tempo não posso deixar de elaborar as minhas teorias maquiavélicas sobre esta relação, cada vez mais fora do comum.
Percebo perfeitamente que o factor homem em mim, machista e sexista, por vezes manipula os pensamentos e transporta-os para um qualquer lugar, provocando uma reacção química sempre difícil de controlar, de tal maneira que consegue baralhar todos e quaisquer neurónios que habitam a mente. Formulam-se assim mil e uma perguntas enquanto a conversa prossegue boca fora, como se conversa de café tratasse.
Já com o estômago satisfeito e mil e um pensamentos proibidos, a conversa continua intensa e, por mais que seja banal discutirmos de forma aberta certos tabus da sociedade, não consigo afastar um sentimento de atracção que ao mesmo tempo poderá ser somente a sede por satisfação carnal. Poderei estar iludido ou poderei estar certo, hei-de perguntar e descobrir. Queria contar mais, contudo vou deixar a conversa guardada a sete chaves, mesmo que ela não tivesse necessidade de usar uma sequer para se libertar daquela pulseira...
Wake up call
Admiração, pura admiração pelo comportamento do meu ser perante um comportamento no mínimo estúpido e ignorante, perante o sincero interesse por essa mesma pessoa. Esperava não me preocupar, sabendo que o tempo a mantém ocupada e por isso atrasar a resposta no correio, assim o foi e não me admirei. Porém não esperava ficar completamente indiferente depois de perceber que afinal o tempo não a acorrentava ou sufocava. No fim, após um suspiro e encolher de ombros, resta-me somente um desejo de repúdio, um pouco em tom de toque para acordar, daqueles bem fortes, aqueles bem frustrantes que nos empurram janela fora. Para quê preocuparmo-nos com aqueles que nos ignoram? Vou deixar-me disso...
sábado, setembro 17, 2011
Vícios solitários
As horas mortas no emprego dão para acertar cada detalhe das nossas vidas, hoje lembrei-me de pegar no telemóvel e abrir aquela pequena caixa de mensagens que tanto guarda. Deslizando o dedo até ao fim da lista comecei a ler cada linha de texto e a eliminar todo o conjunto de palavras que não me traziam memórias de momentos ou pessoas especiais.
Apago uma aqui, outra acolá, sorrio perante aquelas mensagens, um convite para almoço, a preocupação para saber como a pessoa está, um agradecimento ou a beleza de certas palavras, enfim, um autêntico diário ali compactado. Tudo parecia bem encaminhado até sentir que bati inesperadamente numa parede a alta velocidade! Ali permaneci, muito bem sem saber o que fazer ou como reagir a uma frase lida e relida... Vício e solidão na mesma reunião de palavras não soava correcto, não soou naquela altura, ainda menos faz hoje. Pior é que temo que o medo que a atormentava na altura possa ser a realidade de hoje, sei que estou a meter a pata onde não devo mas é impossível ficar calado perante o que penso serem factos. Assim sendo apresento de ante mão as minhas mais sinceras desculpas por qualquer palavra que se siga que possa magoar.
Ter como um vício a solidão é simplesmente agitar uma grande bandeira branca ao mundo e, escondermo-nos entre quatro paredes, permanecendo bem agachados e silenciosos a um canto, baixando a nossa cabeça perante o desconhecido do que a vida tem para oferecer. Não direi que é fácil dar um passo em frente sem saber se o trilho apresenta armadilhas, porém é preciso arriscar para chegarmos a bom porto, é preciso não recear perder o que temos para conquistar uma melhor recompensa e, quem sabe se essa recompensa é finalmente a felicidade verdadeira e não uma falsa prosperidade do coração.
Será que uma pessoa chega a um ponto na vida que até já abraça a solidão pois aprendeu a tolerá-la, convidando-a a fazer parte da sua rotina, a partilhar uma refeição em silêncio, a folhear um livro que acaba depressa demais ou um cigarro que convida a um olhar à janela, avistando a lua que habita o seu espaço igualmente solitário.
Sinceramente espero que esse vício não seja alimentado, pois a distância é destruidora e não poupa esforços para magoar o coração, para o ver a sofrer de saudades, principalmente quando precisamos do aperto de um abraço sentido de quem nos ama, a pessoa que partilha uma refeição ao som de uma qualquer conversa, que partilha um filme e aconchega a cabeça no nosso ombro ou que ao ritmo de uma música dança connosco, que chegue perto de nós e, ali à janela, coloque os braços em redor da cintura enquanto percebemos que afinal a lua não está só mas sim rodeada de inúmeras estrelas que não a abandonam.
Apago uma aqui, outra acolá, sorrio perante aquelas mensagens, um convite para almoço, a preocupação para saber como a pessoa está, um agradecimento ou a beleza de certas palavras, enfim, um autêntico diário ali compactado. Tudo parecia bem encaminhado até sentir que bati inesperadamente numa parede a alta velocidade! Ali permaneci, muito bem sem saber o que fazer ou como reagir a uma frase lida e relida... Vício e solidão na mesma reunião de palavras não soava correcto, não soou naquela altura, ainda menos faz hoje. Pior é que temo que o medo que a atormentava na altura possa ser a realidade de hoje, sei que estou a meter a pata onde não devo mas é impossível ficar calado perante o que penso serem factos. Assim sendo apresento de ante mão as minhas mais sinceras desculpas por qualquer palavra que se siga que possa magoar.
Ter como um vício a solidão é simplesmente agitar uma grande bandeira branca ao mundo e, escondermo-nos entre quatro paredes, permanecendo bem agachados e silenciosos a um canto, baixando a nossa cabeça perante o desconhecido do que a vida tem para oferecer. Não direi que é fácil dar um passo em frente sem saber se o trilho apresenta armadilhas, porém é preciso arriscar para chegarmos a bom porto, é preciso não recear perder o que temos para conquistar uma melhor recompensa e, quem sabe se essa recompensa é finalmente a felicidade verdadeira e não uma falsa prosperidade do coração.
Será que uma pessoa chega a um ponto na vida que até já abraça a solidão pois aprendeu a tolerá-la, convidando-a a fazer parte da sua rotina, a partilhar uma refeição em silêncio, a folhear um livro que acaba depressa demais ou um cigarro que convida a um olhar à janela, avistando a lua que habita o seu espaço igualmente solitário.
Sinceramente espero que esse vício não seja alimentado, pois a distância é destruidora e não poupa esforços para magoar o coração, para o ver a sofrer de saudades, principalmente quando precisamos do aperto de um abraço sentido de quem nos ama, a pessoa que partilha uma refeição ao som de uma qualquer conversa, que partilha um filme e aconchega a cabeça no nosso ombro ou que ao ritmo de uma música dança connosco, que chegue perto de nós e, ali à janela, coloque os braços em redor da cintura enquanto percebemos que afinal a lua não está só mas sim rodeada de inúmeras estrelas que não a abandonam.
sexta-feira, setembro 16, 2011
Quando te perco à sexta-feira
Porque é à sexta-feira que te acabo por perder para o fim-de-semana que hoje faço questão de te saudar e tentar colocar um sorriso por entre esses delicados lábios conforme me leias. Olá chica! Saudação breve, que nem telegrama expedido com o teu nome no topo da página.
Bem, se assim o fosse seria agora altura de dizer stop, assim poderia ser, porém não interessa o número de caracteres usados ou o valor monetário da mensagem [tudo bem que aqui é gratuito, mas isso não interessa!], o que interessa é que sexta-feira atrás de sexta-feira lembro e relembro-me que na agenda dos meses que já nos abandonaram ficaram marcadas datas de dias que combinámos cruzar-nos por hora do almoço. Durante algumas horas partilhámos novas experiências e trocámos impressões, passámos por momentos mais, como dizer, inconvenientes, especialmente para aquela menina que adoro e nada gosta de revelar ou deixar perceber o que o coração sente. Revivo esses momentos de bom grado e deixo levar-me pelos ponteiro do relógio sem lhes dar grande importância.
Ainda ontem, a senhora que vive perto da estação de comboio considerava-me o ultra romântico do século XXI, confesso que inundou o meu ego com tal afirmação e, deixou-me de sorriso largo nesta face cansada, exagero certo de uma pessoa mais que suspeita. E mais não digo!
Nestes últimos dias fiz saber, num tom bem explícito [talvez demasiado!?], alguns desejos que acabaram por assustar a minha musa. Contudo não sei se foi um susto dos bons ou dos maus, gostava de o saber mas duvido que seja revelado aos meus ouvidos num futuro próximo... Por vezes o cansaço do corpo permite à mente libertar-se e expressar o que o coração realmente busca, violando todas as leis da sociedade e o que apelam de politicamente correcto. Para o bem ou para o mal [espero que para o bem!] gosto de saber que as minhas palavras trocadas não são ocas ou descartáveis, que são sentidas e que só a nós dois pertencem.
Quem me dera fazer sentido de uma ou outra situação, até porque são muitas as ocasiões que a procuramos à janela e nunca a encontramos ao mesmo tempo. Ora quando contava surpreender quem me faz sonhar todos os dias, acabo por ser eu o surpreendido ao descobrir que a encontrámos finalmente no mesmo instante, e nós tão longe um do outro. Coincidência é uma palavra que não consta do meu dicionário.
Pessoalmente odeio o silêncio que oculta uma resposta. Se me dessem a escolher preferia sempre conhecê-la, fosse positiva ou negativa, porque deixar alguém à deriva é bem pior! Questiono se será por vergonha, por ir contra a racionalidade do pensamento ou um qualquer ideal, ou ainda por significar que ao responder estaria a dar tempo de antena ao coração e com isso derrubar uma parede que até aí sempre se manteve firme. Pois não sei... Sei que esse silêncio já não cria expectativas que me deixavam desesperadamente ansioso, já o aceitei como um sendo um bicho de hábitos, por isso retomo ao que tinha parado de fazer e deixo entregue ao destino a possibilidade de uma resposta.
Ah! O telegrama! Ora fosse isto um telegrama estaria pobre, loucamente enamorado mas pobre. Infelizmente o momento não é favorável ao coração, uma vez que, entre outras coisas, preferia deixar o papel de lado e percorrer o teu corpo com a mesma mão que muitas palavras teria para te contar e, o que as reticências depois daquela letra S escondiam, é um sentimento bem maior que deveria ter começado por um A e jamais ser censurado. Provavelmente o susto teria sido maior, sei-o bem, mas por favor não te assustes com a sinceridade de quem escreveu aquelas palavras, que jamais estariam ali se não te desejasse e te respeitasse tanto!
Que o teu fim-de-semana seja pacífico e cheio de alegrias.
Besos.
Nestes últimos dias fiz saber, num tom bem explícito [talvez demasiado!?], alguns desejos que acabaram por assustar a minha musa. Contudo não sei se foi um susto dos bons ou dos maus, gostava de o saber mas duvido que seja revelado aos meus ouvidos num futuro próximo... Por vezes o cansaço do corpo permite à mente libertar-se e expressar o que o coração realmente busca, violando todas as leis da sociedade e o que apelam de politicamente correcto. Para o bem ou para o mal [espero que para o bem!] gosto de saber que as minhas palavras trocadas não são ocas ou descartáveis, que são sentidas e que só a nós dois pertencem.
Quem me dera fazer sentido de uma ou outra situação, até porque são muitas as ocasiões que a procuramos à janela e nunca a encontramos ao mesmo tempo. Ora quando contava surpreender quem me faz sonhar todos os dias, acabo por ser eu o surpreendido ao descobrir que a encontrámos finalmente no mesmo instante, e nós tão longe um do outro. Coincidência é uma palavra que não consta do meu dicionário.
Pessoalmente odeio o silêncio que oculta uma resposta. Se me dessem a escolher preferia sempre conhecê-la, fosse positiva ou negativa, porque deixar alguém à deriva é bem pior! Questiono se será por vergonha, por ir contra a racionalidade do pensamento ou um qualquer ideal, ou ainda por significar que ao responder estaria a dar tempo de antena ao coração e com isso derrubar uma parede que até aí sempre se manteve firme. Pois não sei... Sei que esse silêncio já não cria expectativas que me deixavam desesperadamente ansioso, já o aceitei como um sendo um bicho de hábitos, por isso retomo ao que tinha parado de fazer e deixo entregue ao destino a possibilidade de uma resposta.
Ah! O telegrama! Ora fosse isto um telegrama estaria pobre, loucamente enamorado mas pobre. Infelizmente o momento não é favorável ao coração, uma vez que, entre outras coisas, preferia deixar o papel de lado e percorrer o teu corpo com a mesma mão que muitas palavras teria para te contar e, o que as reticências depois daquela letra S escondiam, é um sentimento bem maior que deveria ter começado por um A e jamais ser censurado. Provavelmente o susto teria sido maior, sei-o bem, mas por favor não te assustes com a sinceridade de quem escreveu aquelas palavras, que jamais estariam ali se não te desejasse e te respeitasse tanto!
Que o teu fim-de-semana seja pacífico e cheio de alegrias.
Besos.
sábado, setembro 10, 2011
A perfeição da (tua) escrita
Ainda não comecei a folhear as páginas da aventura do bichano, suspiro pois dou por mim preso às palavras manuscritas com a tinta espalhada pela tua mão. Dedico-me a elas e, tento viajar no tempo à tua procura, à procura do momento em que te sentaste a pensar em mim, aquele pequeníssimo momento que dedicaste alguns minutos do teu valioso tempo e que com cuidado pousaste a mão na áspera folha, preenchendo-a. Será que estudaste as palavras ou a imagem da minha pessoa foi suficiente para que o teu pulso guiasse a mão sem hesitação alguma? Como gostava de descobrir...
Sorri ao perceber que o pensamento correu mais depressa do que a mão podia acompanhar, pois ficou visto que a adição dessa palavra, agora bem apertadinha no canto, tinha ficado esquecida ao fim da primeira leitura. Só tu saberás o motivo, assim poderei tentar deduzir que o tempo escasseava ou poderia significar que a paixão colocada naquelas palavras deu azo a um lapso perfeitamente inocente.
Se ao encontrares, o que tanto procuraste para me oferecer, descobriste a felicidade, então fica a saber que as tuas palavras foram a verdadeira prenda, preenchendo o espaço vazio do escravo coração. Foram que nem pó mágico num sonho de noite de Verão, iluminando o longo e árduo caminho até aos jardins onde a felicidade descansa ao sol, onde a mesma recebe todos de braços abertos, perfumada pelos aromas de todas as flores ali espalhadas.
Foi sem dúvida um tesouro precioso que recebi, que vou estimar e guardá-lo que nem um cavaleiro da antiga corte fiel à sua donzela.
Fosse o dia noite, o lugar público mais privado, e outras tantas circunstâncias proibidas de serem relatadas, e ter-te-ia agradecido não com um sincero obrigado mas sim com um amo-te. Sim, sei que não sou perfeito...
sexta-feira, setembro 09, 2011
Porque faço eu perguntas a perguntas que já sei a resposta...
O momento mais doce do dia logo desaparece com um desviar de olhar, morre nas palavras amargas que lhe pertencem e ecoam durante os dias seguintes. Nada muda. A penitência volta a cobrir o coração com o seu manto negro, o peso da dor é imensurável...
sexta-feira, setembro 02, 2011
Tudo o que acontece à noite, à noite pertence
«Tudo o que acontece à noite, à noite pertence.» Poderia resumir a esta frase o que me aconteceu ontem, contudo sei que são muitos os interessados na coscuvilhice do que o Pedro anda a fazer e com quem! Calma, nada de colocar a carroça à frente dos bois porque, aviso já, a mente viaja sempre até ao mesmo destino, onde a musa vive. Porém apercebi-me que tinha de saciar a sede que atormenta o coração e que mexe comigo.
Queria deixar aquele momento preso no silêncio da mente mas é impossível, pois foi uma ocasião que penso tão depressa não acontecer, que criou um reboliço e que fez rugir o leão dentro de mim.
Adoro ser surpreendido quando menos estou à espera, toca-me naquele ponto fulcral e sensível, acho não ser o único a partilhar deste sentimento quando naquele momento nenhum pensamento ocupa a mente com questões, quando as defesas estão baixo e, aí, fico preso naquele pequeníssimo espaço de tempo, sem conseguir prestar atenção à conversa que se inclinava na mesa, somente reagindo com sorriso aos sorrisos dos outros, a abanar a cabeça em concordância só porque alguém o faz. É naquele momento em que a música que atravessa a sala ecoa abafada nos nossos ouvidos e, o nosso olhar segue os movimentos de uma pessoa em particular...
Adoro ser surpreendido quando menos estou à espera, toca-me naquele ponto fulcral e sensível, acho não ser o único a partilhar deste sentimento quando naquele momento nenhum pensamento ocupa a mente com questões, quando as defesas estão baixo e, aí, fico preso naquele pequeníssimo espaço de tempo, sem conseguir prestar atenção à conversa que se inclinava na mesa, somente reagindo com sorriso aos sorrisos dos outros, a abanar a cabeça em concordância só porque alguém o faz. É naquele momento em que a música que atravessa a sala ecoa abafada nos nossos ouvidos e, o nosso olhar segue os movimentos de uma pessoa em particular...
É sem dúvida alguma que posso afirmar que quem me fazia companhia nada notou, ou assim espero porque seria embaraçoso, por outro lado o alvo do meu olhar notou sim aquele movimento fugidio, como se tivesse acabado de apanhar um criminoso em flagrante. Certamente estará habituada, pois a noite e os seus abusos levam a esses excessos, contudo aquela intensidade, de nada assustadora, talvez um pouco intimadora, deixava-a pouco à vontade. Sei que é a minha leitura dos acontecimentos, ainda assim talvez justifique ela ter dado a volta ao balcão para queimar um cigarro ou, é claro, era somente uma mera pausa e este eterno enamorado estivesse alterado e ligeiramente alcoolizado, culpa da sangria por altura do jantar.
Confesso que procurei o seu olhar mas nunca o enfrentei, sim, tenho explicação para tal falta de coragem, se assim pudermos chamar, passarei a dissecá-la mais à frente, por agora estava ali preso naquele jogo de olhares cruzados e, poderia jurar que algumas palavras trocadas com uma colega guardavam um pedido em espécie de confirmação, como se lhe pedisse para tentar perceber se era impressão dela ou se ela era alvo da atenção daquela pessoa. Independentemente disso ouve ali faísca sempre que os olhares não resistiam em se encontrar. Não deixou de ser engraçado, ao ponto de esquecer um pedido de um colega meu, justificando-se que estava distraída sem saber bem porquê. Sorri imediatamente, sem conseguir ocultar tal reacção impulsiva. Não me recordo de qualquer tópico trazido à mesa, estava completamente hipnotizado, observando cada pormenor, desde o seu andar descontraído naqueles ténis da adidas ao cabelo que empurrava por detrás do ombro, enrolando por vezes um dedo por entre os seus fios.
Claro que à memória vinham flashes de uma face mais importante, cheio de significado, logo questionava o que se estava a passar ali, afinal de contas o que queria eu? Afastei todas as imagens ou sons que tentavam acordar-me daquele sono desperto e hipnótico, afinal de contas sentia-me bem de novo, sentia que realmente não valia a pena preocupar-me com recusas mas sim aproveitar as oportunidades que se presenteavam inesperadamente. Para minha revolta e dor a hora de abandonar aquele lugar chegara, eles rapidamente levantaram-se e dirigiram-se para a porta, porém fiquei para trás, lentamente peguei no casaco e cachecol e preparei-me para segui-los. Esse foi o tempo suficiente para ela se dirigir à mesa e por dois segundos fazer tremer o coração, ali olhos nos olhos, agradeci o serviço e desejei boa noite, que estupidez! De tudo o que queria ter-lhe dito saiu-me aquilo, enfim, percebo que a minha companhia não era a mais oportuna nem mesmo a situação de trabalho que me tinha arrastado até ali... Bem... Aquele confronto de olhares pareceu durar horas, um pouco como nos filmes quando através um slow motion prolongam uma acção emotiva. "Estúpido!" gritava cá dentro para mim mesmo, não era aquilo que queria ter perguntado mas sim o seu nome. Deveras uma estupidez, um nome, um número, qualquer coisa teria sido melhor em comparação com aquelas palavras estúpidas, como lamentei-o no caminho para casa e já no hotel. Caminhei devagar para a saída, tentava disfarçar e olhar para trás, desejando nunca ali ter estado com aquelas pessoas mas sim com amigos onde outras condições proporcionassem um final diferente, ou assim desejava...
Não parava de reflectir e divagar naquele filme que tinha vivido, a adrenalina ainda a correr e percorrer as minhas veias, nem um pingo de sono, sentia-me vivo como à muito tempo não acontecia, queria mais daquela droga que me deixava em pleno êxtase, aquela ânsia esfomeada. Apercebi-me que andei este tempo todo na rotina de um morto-vivo, apercebi-me do que tinha a fazer e, por mais que lá quisesse voltar, a solução encontra-se mais perto de casa...
Tudo o que acontece à noite, à noite pertence, é verdade e assim poderia ter sido, se o fosse, só duas pessoas saberiam, eu e ela e mais ninguém...
Confesso que procurei o seu olhar mas nunca o enfrentei, sim, tenho explicação para tal falta de coragem, se assim pudermos chamar, passarei a dissecá-la mais à frente, por agora estava ali preso naquele jogo de olhares cruzados e, poderia jurar que algumas palavras trocadas com uma colega guardavam um pedido em espécie de confirmação, como se lhe pedisse para tentar perceber se era impressão dela ou se ela era alvo da atenção daquela pessoa. Independentemente disso ouve ali faísca sempre que os olhares não resistiam em se encontrar. Não deixou de ser engraçado, ao ponto de esquecer um pedido de um colega meu, justificando-se que estava distraída sem saber bem porquê. Sorri imediatamente, sem conseguir ocultar tal reacção impulsiva. Não me recordo de qualquer tópico trazido à mesa, estava completamente hipnotizado, observando cada pormenor, desde o seu andar descontraído naqueles ténis da adidas ao cabelo que empurrava por detrás do ombro, enrolando por vezes um dedo por entre os seus fios.
Claro que à memória vinham flashes de uma face mais importante, cheio de significado, logo questionava o que se estava a passar ali, afinal de contas o que queria eu? Afastei todas as imagens ou sons que tentavam acordar-me daquele sono desperto e hipnótico, afinal de contas sentia-me bem de novo, sentia que realmente não valia a pena preocupar-me com recusas mas sim aproveitar as oportunidades que se presenteavam inesperadamente. Para minha revolta e dor a hora de abandonar aquele lugar chegara, eles rapidamente levantaram-se e dirigiram-se para a porta, porém fiquei para trás, lentamente peguei no casaco e cachecol e preparei-me para segui-los. Esse foi o tempo suficiente para ela se dirigir à mesa e por dois segundos fazer tremer o coração, ali olhos nos olhos, agradeci o serviço e desejei boa noite, que estupidez! De tudo o que queria ter-lhe dito saiu-me aquilo, enfim, percebo que a minha companhia não era a mais oportuna nem mesmo a situação de trabalho que me tinha arrastado até ali... Bem... Aquele confronto de olhares pareceu durar horas, um pouco como nos filmes quando através um slow motion prolongam uma acção emotiva. "Estúpido!" gritava cá dentro para mim mesmo, não era aquilo que queria ter perguntado mas sim o seu nome. Deveras uma estupidez, um nome, um número, qualquer coisa teria sido melhor em comparação com aquelas palavras estúpidas, como lamentei-o no caminho para casa e já no hotel. Caminhei devagar para a saída, tentava disfarçar e olhar para trás, desejando nunca ali ter estado com aquelas pessoas mas sim com amigos onde outras condições proporcionassem um final diferente, ou assim desejava...
Não parava de reflectir e divagar naquele filme que tinha vivido, a adrenalina ainda a correr e percorrer as minhas veias, nem um pingo de sono, sentia-me vivo como à muito tempo não acontecia, queria mais daquela droga que me deixava em pleno êxtase, aquela ânsia esfomeada. Apercebi-me que andei este tempo todo na rotina de um morto-vivo, apercebi-me do que tinha a fazer e, por mais que lá quisesse voltar, a solução encontra-se mais perto de casa...
Tudo o que acontece à noite, à noite pertence, é verdade e assim poderia ter sido, se o fosse, só duas pessoas saberiam, eu e ela e mais ninguém...