Ainda não comecei a folhear as páginas da aventura do bichano, suspiro pois dou por mim preso às palavras manuscritas com a tinta espalhada pela tua mão. Dedico-me a elas e, tento viajar no tempo à tua procura, à procura do momento em que te sentaste a pensar em mim, aquele pequeníssimo momento que dedicaste alguns minutos do teu valioso tempo e que com cuidado pousaste a mão na áspera folha, preenchendo-a. Será que estudaste as palavras ou a imagem da minha pessoa foi suficiente para que o teu pulso guiasse a mão sem hesitação alguma? Como gostava de descobrir...
Sorri ao perceber que o pensamento correu mais depressa do que a mão podia acompanhar, pois ficou visto que a adição dessa palavra, agora bem apertadinha no canto, tinha ficado esquecida ao fim da primeira leitura. Só tu saberás o motivo, assim poderei tentar deduzir que o tempo escasseava ou poderia significar que a paixão colocada naquelas palavras deu azo a um lapso perfeitamente inocente.
Se ao encontrares, o que tanto procuraste para me oferecer, descobriste a felicidade, então fica a saber que as tuas palavras foram a verdadeira prenda, preenchendo o espaço vazio do escravo coração. Foram que nem pó mágico num sonho de noite de Verão, iluminando o longo e árduo caminho até aos jardins onde a felicidade descansa ao sol, onde a mesma recebe todos de braços abertos, perfumada pelos aromas de todas as flores ali espalhadas.
Foi sem dúvida um tesouro precioso que recebi, que vou estimar e guardá-lo que nem um cavaleiro da antiga corte fiel à sua donzela.
Fosse o dia noite, o lugar público mais privado, e outras tantas circunstâncias proibidas de serem relatadas, e ter-te-ia agradecido não com um sincero obrigado mas sim com um amo-te. Sim, sei que não sou perfeito...
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