sábado, janeiro 21, 2012

In Memoriam



As palavras serão sempre insuficientes e insignificantes para exprimir este sentimento de amor que tinha por uma mulher que deu sempre o melhor de si às pessoas, pessoa altruísta e bondosa. 

As minhas recordações, que deixam hoje a pele em alvoroço, transportam-me à infância, quando viaja para a visitar, meio envergonhado, pois a idade avançada das pessoas por vezes assusta os mais novos, mas que com o passar dos minutos, já em sua casa, se evaporava. Uma das pequenas delícias que resultava dessa visita era poder deliciar-me com a marmelada bem caseira entre duas fatias de pão, que bom que sabia ao paladar poder lanchar naquela cozinha, e até trazer alguma para casa já no retorno. O frio era visitante habitual ao final do dia, ou não estivesse preso entre o norte e centro de Portugal, por isso era comum acender a lareira e, como adorava ver as faíscas a dançarem, a cor forte das chamas, mas mais que isso gostava de pegar na tenaz e estar ali a espicaçar a lenha a arder, não suportava as brasas e por isso queria sempre meter mais lenha ou virá-la para manter vivo a chama, ao que acabava sempre por ouvir dos meus pais.

Uma particularidade dessas visitas era uma pequena lembrança que se escondia no interior da sua mão, sem ninguém ver, pelo menos aos nossos inocentes olhos, ela depositava na nossa palma da mão, minha e do meu mano, umas notas de escudo. Óbvio que ganhávamos o dia com esse pequeno gesto e saíamos porta fora de sorriso largo. Do escudo passou ao euro e nós crescemos, as visitas diminuíram e os telefonemas eram agora mais comuns, até que a sua idade exigiu maior atenção e a distância diminuiu, agora já a viver na grande cidade. 

Visitei-a um dia, não só para apresentar uma namorada mas principalmente para partilhar com ela a minha felicidade. Foi uma tarde inesquecível para todos! Depois de tantos anos deparava-me agora com o brilho nos olhos enrugados, num estado de felicidade contava histórias do tempo de jovem casada. A sua memória  encantava a minha cara metade e, até eu que nunca tinha ouvido tais histórias, estava ali boquiaberto, atento a escutar todas as peripécias da sua vida. Era sem dúvida alguma um momento perfeito.

Como todos nós, ela teve de saltar por alguns obstáculos da vida, superando uns melhor que outros. Porém os obstáculos acabaram por ser demasiados para um corpo já cansado. Hoje, o sol que raiou não chega para aquecer um coração em sofrimento, cheio de saudade, pois o desejo de a ter presente num casamento  ou a celebrar o nascimento de um filho, seu bisneto, será sempre um desejo que permanecerá nos meus sonhos.

sábado, janeiro 14, 2012

Mudar de vida... e coração!

Palavra puxa palavra e do inesperado surge uma conversa que nos abana e desperta para as verdades da vida.  (onde é que já vi este filme!) 

Naquele final de dia, na coscuvilhice com colegas do sexo oposto, trocavam-se comentários sobre a vida curiosa desta e daquela moçoila e, no meio de tanta curiosidade um padrão repetia-se, mais comentários corriam estrada fora, ao ponto de o tempo para alimentar o estômago ser pequeno demais para tal degustação de palavras. Um puxar e apertar de casaco abria caminho em direcção do bunker, a última chave acabaria por abrir a porta da razão. Afinal de contas a resposta tinha estado ali ao lado aquele tempo todo! Nesta altura acabamos por insultarmos a nossa própria pessoa de mil e uma maneiras.

Lembro-me de partilhar ideias e críticas, na maior parte condenações, sobre a posição dela perante o infortúnio, porém a persistência de um desejo acabou por a levar a porto seguro, o engraçado, ou talvez não, é que a resposta que tanto procurava estava ali, não na sua persistência ou qualquer crenças mas sim do outro lado. Não me vou alongar em explicação alguma porque o sentimento, acabado de nascer, ainda precisa de ganhar vida, aos poucos ganhar pernas para andar.

É no poder desta resposta, deste novo querer, que vou pegar num pequeno cadeado, à prova de letras e vocábulos, e trancar esta lua traiçoeira que tem eclipsado a minha vida. A felicidade não andará por aqui, muito menos no mundo virtual das redes sociais ou numa segunda vida, esta última já de entrada proibida, mas no contacto humano, nos novos conhecimentos, em novas actividades e experiências, disto o mundo está tão bem recheado e tudo, ali, à minha espera.

segunda-feira, janeiro 09, 2012


«Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...


Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...»


in Primavera by The Gift

sexta-feira, janeiro 06, 2012

A vida ainda não é perfeita

Às vezes a melhor solução é mesmo dizer, em voz alta, uma grande asneira! 

Estava um video maravilhoso a correr no monitor quando aquele pequeno rectângulo vibrou sem avisar. Um só pensamento acompanhado de um sorriso. A possibilidade de uma certa pessoa, cujo nome logo atravessou a minha mente, ter acabado de enviar uma mensagem era grande. E... até acertei! Nome estampado no topo do visor era a confirmação para o meu contentamento, contudo as palavras que se seguiram não foram fáceis de aceitar... Nunca pensei que uma simples mensagem fosse tão clara imagem de uma doce rapariga que tinha derramado tristes lágrimas, lágrimas que tão cedo não se evaporarão.

Óbvio que não fiquei triste por o video ter perdido toda a sua magia, fiquei perdido no silêncio porque quando alguém que nos é próximo vê a má sorte atraiçoar a vida de quem ainda tem muito para viver, quando esse amigo cai em desgraça e num estado de tamanho sofrimento, eu sinto-me impotente e inútil, sem poder magnífico para trazer de volta aquele sorriso contagiante e delicioso.

Sei que dadas as minhas características taurinas o primeiro impulso seria correr em seu socorro, e tanto que o quero estar a seu lado, porém a necessidade de isolamento não deve ser quebrado e, quando a única solução é respeitar a distância até um telefonema que pode nunca tocar chegar, só posso torcer para que tudo corra pelo melhor, porque recuso deixar que um agente de destruição dê cabo de esperanças e sonhos este ano, muito menos para aquela doce menina.

Uma voz amiga não fará milagres mas estará sempre presente, sem alguém precisar de gritar por ela, um ombro amigo poderá parecer frio até a cabeça dela encostar nesse aconchego, uma mão estará sempre aberta à espera de abraçar uma outra que treme, enfim, as palavras significam pouco neste momento, quando o que quero é fazer tudo para não se ter de percorrer um trilho que jamais seria preciso atravessar sozinho.

Naquele momento em que li aquelas amargas palavras a minha alma chorou, num misto de raiva e amor. Hoje não me deito a pensar num beijo desejado, que agora parece tão insignificante, deito-me sim preocupado com o desespero escondido dentro daquela querida menina, deito-me na esperança que os próximos dias sejam menos penosos para quem os não merece, para quem nunca os mereceu. Assim será até voltar a admirar um sorriso que tanto me diz...

terça-feira, janeiro 03, 2012

Fé em 2012

Ora se diz que o mundo termina no ano que agora nasce, ora se diz que é mais uma previsão sem sentido algum... Porém acredito que, por entre toda esta crise que nos tenta assustar, os valores mais nobres, como o altruísmo, a amizade e o amor, serão donos e senhores da nossa vida ao longo de 2012. Acredito que vamos ter a oportunidade de crescer como humanistas.

Ao som das primeiras baladas cumpri com algumas tradições, curiosamente um dia antes tinha revelado a minha pequena lista de resoluções, em conversa mais privada com quem estimo muito. Resumem-se a uma mão cheia, contudo com a chegada da passagem de ano só um desses desejos esteve presente na mente, fazendo esquecer todas as outras palavras desenhadas em antecipação, e não foram precisas passas, somente um pouco de fé e esperança no destino. Confesso que sou crente, acredito que todas as sub conversas que escondem o que parece ser uma mensagem proibida, são uma espécie de previsão oculta do que já foi revelado em cartas deitadas sobre a mesa e, mais que nunca quero acreditar na predestinação das palavras amigas de quem lavou e abriu os meus olhos para a realidade, ali estampada à minha frente, tão perto que até assustou um pouco, passo a explicar, e provavelmente a repetir-me.

Não consigo esquecer aquele dia marcado no calendário como sendo o dia que iria mudar a minha vida tão depressa, aconteceu no mês dedicado a Juno, deusa e rainha de todos os deuses. Esse dia veio provar que o acaso não morava ali, pois perante os meus olhos envergonhado estava uma musa que poderia ser facilmente comparada a Juno, ou mesmo a sua encarnação, caindo de bom grado no exagero. O pormenor chegava, sem o saber, às suas vestes, as quais assemelhavam-se às típicas túnicas usadas pelos deuses, o entrelaçar do cabelo perfeito revelava a expressão doce da sua face. Lembro-me do momento quando o coração parou de bater, ouvindo uma menina emocionada partilhar a alegria que outrora se vestia com tecidos de sofrimento, sei que nesse preciso instante, nesse segundo parado no tempo, caí do meu pedestal e apaixonei-me loucamente.

Custa-me encontrar as palavras certas para explicar esta convulsão de sentimentos que me faz parar, até mesmo durante as palavras que teço aqui, que acaba por mexer comigo e me transporta no tempo, retornando sempre a essa doce memória. Quanto mais penso no assunto mais me apercebo que pela primeira vez na vida posso afirmar, sem dúvida alguma, que conscientemente fiz parte de um momento perfeito, quem sabe só repetido quando deslumbrar pela primeira vez a face de um filho meu. Talvez por isso acabe por divagar em sonhos repetidos, talvez por isso continue a lutar por alguém que acredito sei ser a pessoa certa, que neste momento partilha dos mesmos objectivos, uma pessoa que talvez ainda espera por um beijo bem entregue e que só tem um culpado, eu.

Divagações à parte, até porque a hora vai tarde e a mente começa a exaltar o coração, esta passada segunda-feira, tive o prazer de visitar uma amiga, a convite da mesma para jantar, e por um dia mais viajei de novo no tempo, até à altura que era habitual realizarmos jantares com direito a uma longa tertúlia. Fez-me bem, confesso, poder desabafar um pouco, como nada que se pareça a este meu cantinho, até porque existe alguém que me responde, que me critica ou aconselha, que afinal de contas está lá por mim como um amigo fiel. Para além disso percebe o que se passa de cada lado das trincheiras, mais ou menos, e creio que para além de duas almas desencontradas que já viveram muito, é alguém que acredita numa união que sempre defendeu estar predestinada. 

Óbvio que o jantar acompanhado de tertúlia como sobremesa não se limitou a um só tópico, e não interessado em mencionar o seu conteúdo interessa sim referir que foi uma boa terapia para aquecer a alma e motivá-la para o que se atravessar no meu caminho, num futuro próximo.

Apetece-me cantar tantos poemas que arrisco-me a exacerbar uma felicidade momentânea, imprópria para véspera de trabalho, assim sendo vou descansar este corpo, fechar os olhos e sonhar...