segunda-feira, maio 21, 2012

Cartas de Amor

Sinto-me triste ao ver que já ninguém escreve cartas de amor, poucos são aqueles que pegam numa flor e a oferecem à pessoa que os faz sonhar, mas acima de tudo já ninguém luta por amor ou se luta a resistência que encontra é aterradora.

Sempre que recordo a minha infância sorrio, pois nela escrevo inocentes cartas de amor para aquela menina que chegou mais perto de mim, que sentada dentro de um bidão apoia a cabeça de um menino perdido na sua ingenuidade. Onde as palavras ecoadas acabam por se perder na brisa daquele dia mais ameno, os olhos delas cada vez mais próximos até os conseguir deixar de os deslumbrar. É quando abro esse livro de memórias que  lembro daquela expressão, tão banalizada nos dias que passam a correr e que já foi mesmo usada como meio publicitário pela a avó que dizia «Eu ainda sou do tempo...». Pois eu ainda sou do tempo em que as primaveras era mais desejadas e vividas, onde a brisa empurrava aquele rapaz envergonhado até à tímida rapariga, ainda sou do tempo que recebia mais cartas da pessoa amada no correio do que publicidade ou contas, ainda sou do tempo onde as pessoas passeavam de mão dada, ainda sou do tempo, bem, em que o passado era o presente.

segunda-feira, maio 07, 2012

A Maldição da letra M

Das vinte e sextas letras que preenchem o alfabeto existe uma que me amaldiçoou desde à muito tempo! Sem querer criar grande suspense posso dizer que falo da letra M, e não fosse a maldição alimentar-se da própria letra e até poderia achar piada a essa ironia. 

Começou por ser amiga e guardadora de segredos, viu-me sorrir e crescer. Muitas foram as horas que preencheram livros de vida ao longo dos anos. Encontrei-a, numa ou outra ocasião, em lágrimas, aí ofereci sempre uma mão amiga, vi-a derramar sangue por amor e em desespero, ainda assim permaneci ao seu lado, ali sempre presente. Foi ela quem me indicou o meu primeiro porto de abrigo mas tamm foi ela que depois virou costas, que não quis saber, que me insultou e caiu nas sombras do silêncio.

Conheci tamm um certo M que durante uns belos três anos foi tudo para mim, que conheci por acaso do destino e me fez acreditar que a busca tinha terminado, foi um período de felicidade sem limites, porém a distância colocava um travão a esse êxtase. Uma mão cheia de receios deitou tudo a perder, o tempo passou e sem pedir licença para entrar porta adentro um novo M acordou-me para um novo sonho.

Mais que nunca senti uma conexão como jamais tinha acontecido, mais que nunca senti aquele click que todos nós procuramos um dia encontrar e, estava ali, mesmo a minha frente, quase que despida de preconceito e a sorrir de olhos em lágrimas perante boas notícias. Nunca pude contar histórias de amor à primeira vista até esse dia. E tal como num filme o mundo parou, o olhar só a encontrava naquele mundo escuro em meu redor. Dois anos passaram depressa demais, pecados foram cometidos e remetidos ao silêncio, as palavras namoraram entre si, os olhares desviaram-se em timidez, fugindo de faíscas perigosas, mas acima de tudo falsas esperanças cresceram da terra e deram luz a uma flor murcha. Perdi a conta às vezes que essa flor murchou. Curioso, murchar tamm nasce da letra M, estarei condenado a esta maldição, a esta letra que me espezinha desta maneira? Por agora nem quero ouvir pronunciado nenhum dos nomes dela originários, quero que apareça um que me mostre que esta maldição é pura ilusão e que me faça feliz.