No escuro do apartamento, esticado sobre o sofá entretido com um dançar de dedos no comando de um jogo, dei com um toque tão familiar a soar do telemóvel. Admirado por alguém se lembrar de mim àquela hora corri para ele e logo desbloqueie para espreitar a mensagem. O carregamento da mensagem foi imediato mas não pareceu, mil e uma perguntas encheram a mente durante esse período de tempo, quem poderia ser, o que teria acontecido e, até pensei que pudesse ser alguém próximo com saudades... De repente apercebo-me do remetente, uma doce memória transformou-se num sorriso carinhoso, contudo, conforme os olhos caminhavam em direcção das próximas palavras, o coração apertou! Aquelas palavras denotavam uma corrente de lágrimas que percorriam o rosto de uma pessoa devastada pela racionalidade que faz de nós seres especiais. Tive o impulso de responder, de forma verbal, a essa triste notícia. Parei! Tentei fazer razão de tudo o que se estava a passar naquele instante e percebi que, apesar da amizade e um historial longo de afeição especial, não devia fazer sentir-me presente mais do que o necessário, mesmo que cá dentro aquele sentimento forte de protecção me empurrasse para lhe ligar.
Nas suas palavras revivi boas memórias da partilha de vivências com um ser que lhe era, e é, especial, não mais ou menos que os outros dois. Pessoalmente, não sei muito bem como é que alguma vez lidarei com a perda da minha adorada Cookie ou o adorável Joey, sei sim que a amargura e aflição será difícil de controlar e, por isso, será possível imaginar como é que alguém lida com a perda de alguém próximo, porque seja humano ou não, não interessa!
Quem me conhece sabe que o meu amor por gatos transcendente qualquer tipo de relação que possa ter com um cão. O bichano que ontem deixou de respirar era-me querido, não pela sua natureza mas por fazer parte de um percurso da minha vida extremamente importante. Era a sua simpatia, a sua maneira de me dar as boas vindas, a sua calma e beleza que o elegeram como favorito de três. Uma das memórias mais vivas é de um simples passeio, talvez a única vez que esteve cem por cento ao meu cuidado, em redor da urbanização, não só por ele mas também pela companhia e as palavras tocadas.
Felizmente, só posso dizer maravilhas desses tempos, agora distantes, sei que nunca será esquecido, muito menos pela sua família, e gosto de pensar que sempre fiz parte desse círculo.
Felizmente, só posso dizer maravilhas desses tempos, agora distantes, sei que nunca será esquecido, muito menos pela sua família, e gosto de pensar que sempre fiz parte desse círculo.