quinta-feira, abril 25, 2013

Amizades perdidas por amores vencidos

São poucos os factores de distúrbios que podem provocar em mim arreliação ou irritação. Quando a raridade ganha vida está tudo estragado e, ao contrário do passado, hoje sei ser mais moderado na resolução desse conflicto, mas custa tanto, ainda custa tanto lidar com a imaturidade de alguma juventude.

Na confusão que algumas das minhas palavras trouxeram, a falsa esperança foi mulher, procurou abraçar o que restava da fé mas acabou de mãos frias e vazias. Ainda as recebi e tentei aquecer, mas infrutífera tentativa a minha. Em raiva, só isso posso deduzir, apagou um passado recente e correu para arrancar qualquer raiz que ainda se esticava por terrenos férteis. Tudo no silêncio da sombra, sem proferir uma palavra ou gemido, sem acenar ou se despedir.

Suspiro, resta-me respeitar a solidão do momento, esperar que nunca seja motivo para arrependimento doloroso, porque se uma porta se tinha fechado uma outra ainda se abria para receber os amigos... Certamente estará trancada para quem encontra a solução na ostracização da própria amizade.

quarta-feira, abril 24, 2013

Birthday... check!

Muito depois do sol se ter deitado e a lua passear pelo céu, agora que já celebramos um novo dia, transformo em memórias os pensamentos de um dia que a mim muito me diz respeito. Estou contente por ter ouvido a voz de quem me é querido, as vozes de todas aquelas pessoas que fizeram questão em sussurrar ao ouvido os desejados parabéns, feliz por saber que não sou esquecido mesmo que não presente. Mesmo sem festa planeada, por causa de um vírus que fez deste corpo sua casa, as palavras pouco interessam, desde que cheguem e me abracem.

Existe porém um outro lado da moeda, que não consigo esquecer, que magoa e fere-me de morte. Houve um telefonema, em especial, que nunca falhou, que infelizmente não chegou! Por mais difíceis que fosse a condição humana fazia soar a campainha e me alegrava, a voz da minha querida avó. Arlete de seu nome,  nunca se esqueceu do seu neto, a sua voz caiu no silêncio no ano que ficou para trás, que tanta falta faz e perdura no pensamento. Passam seis dias do seu aniversário, um centenário de existência assim se comemoraria.

Lamento, igualmente, não ter podido sentir uma voz feminina tão querida e saudosa, que me acompanhou durante um par de anos, em conversas desgarradas, em provocações, sorrisos, olhares trocados e até algumas lágrimas. A história é longa tal como a espera por notícias, o que sei é que seria bem recebido a lembrança da minha pessoa. Até posso estar enganado, é possível que a memória se lembre da data e consequentemente da pessoa, talvez seja só o embaraço do diálogo que não possibilite o contacto.

Acima de tudo é bom saber que nos desejam bem, mesmo aqueles que só pelo politicamente correcto das redes sociais o façam. É bom saber, que no meio de tanta tristeza, existe quem nos faça sorrir e acreditar na empatia e no amor.

terça-feira, abril 16, 2013

Longe da vista, longe...

Longe da vista, longe do coração... A ausência magoa e não perdoa o coração. Lutamos e batalhamos por estar com quem nos é querido, uma tarde livre dá para passear de mão dada, uma folga a possibilidade de correr atrás dela para lá das muralhas citadinas. Tentamos encontrar sempre escapes para amarmos, vamos para além de qualquer custo monetário para sermos felizes, nem que por momentos únicos.

Por outro lado, existem certas atitudes que colocam um travão nesse livro, transformando desejos em meras utopias. É verdade que as palavras distantes ganham outro tom quando lidas, talvez por isso preze a veracidade de uma voz, porque se os olhos são o espelho da alma, os nossos ouvidos o coração que sente as palavras que nos invadem. 

Aprendi, nem sempre da forma mais sã, que o amor não consegue sobreviver à violência paranóica de meias palavras. A questão é que somos seres que cremos, que acreditamos em ilusões, que caímos constantemente em erros por fé na solução, na resposta certa, no final feliz. O mundo só dá pelo sol quando dessas cruéis lições aprendemos que nem tudo justifica a dedicação a um amor. É nessas alturas que as decisões mais dolorosas são tomadas, porque tal como na partida de um ente querido o amor não morre também numa relação que finda o amor não se evapora. Fica arrumado, com grande estima, numa gaveta eterna, nunca esquecido ou condenado a não sentir. 

Enamorando-me

Adoro! Adoro a maneira como os meus dedos entrelaçam-se com os dela, como se procurassem o aconchego de uma manta, apertando-a por prazer. Adoro caminhar preso nesse abraço, roubando um beijo em tom de desafio. Adoro a violência de um beijo sedento de paixão, ainda mais quando esses olhos verdes ganham luz e consigo mergulhar nesse lindo oceano. Adoro como a sua voz ganha uma nova vida em resposta a uma provocação, exaltando-se em admiração, logo seguido de um sorriso. Adoro o silêncio quando estamos juntos, porque jamais serão precisas vogais ou consoantes para te pedir um beijo.

sábado, abril 13, 2013

E assim começa...

Nem todos os inícios de uma história nascem de um sonho ou de uma ideia. Por vezes, é preciso um final, uma conclusão, para o mais belo conto ver escrito as suas primeiras palavras. 

É curioso, os mais banais diálogos, que tanto bocejamos no nosso dia-a-dia, podem ocultar pequenas acções de um subconsciente que faz por bater o coração mais depressa, acelerando-o como quem se esforça por atingir uma meta. Só que andamos tão perdidos, por entre rotinas, que nem sempre nos damos conta de um peito que faz por chamar à atenção, que grita tão alto aos nossos ouvidos moucos, corrompidos por uma sociedade ensurdecedora que os mantém cobertos. Só quando paramos, deslizando pelas águas serenas da nossa mente, é que parece percepcionarmos um sussurro à distância, como se fosse um grilo que se esconde no horizonte, assinalando a sua presença e, ao mesmo tempo, como que a convidar a nos aventurarmos por um novo mundo.

Quando damos por nós, olhando em redor, encontramo-nos num tabuleiro de um jogo misterioso, onde os sentimentos são postos à prova. As mais secretas palavras acabam por batalhar entre si, procurando sinais para a correspondência de um coração apaixonado. É um jogo arriscado, as expectativas são grandes, a ansiedade sedente por se alimentar do receio de uma negação. Lançam-se dados, em cada um dos seus lados uma letra transforma-se, é difícil adivinhar um nome, mesmo tendo a certeza dele, porém nunca a coragem para o nomear da mais directa forma. Afinal de contas, se se entra neste jogo é porque pensamos ter certeza de possuir o trunfo que fará por assegurar a doce vitória de um futuro feliz.

Este jogo só é ganho quando ambos os lados possuem o tal trunfo, composto por uma a palavra ou frase mágica, segredo que é a chave para abrir a porta de uma realidade, até ali só imaginada. Com a descoberta ascende-se a um patamar mais elevado. As pulsações fogem ao controlo do racional, a respiração parece cortar o ar mais denso e, sem o saber, alimenta-se o paladar com a troca de olhares, longe de todos mas tão perto de alguns. Mal se repara que o dia não é propício a grandes passeios, o vento empurra a maré, como que fizesse por folhear as páginas de um livro de memórias ali partilhadas. São tantas as mensagens que se deparam com altas muralhas, que só a insistência de um desejo ardente as consegue reduzir a mera poeira.

A tarde faz-se caseira, as palavras que até aquele momento transpiravam animo e boa disposição começam a tremer, provavelmente antevendo o silêncio de um beijo. Verdade seja dita, estava escrito que assim seria, por isso adiar aquele momento inevitável era inútil, só mesmo o cansaço de uma longa semana cuspia palavras sem grande sentido e mais que repetidas! A paciência de um foi a conquista do outro, lábios entrelaçados e o calor do momento despiu-os de qualquer preconceito ou medo que pudesse pairar no ar, ainda respirável e morno. Era o principio do fim da solidão e o inicio de duas vidas entrelaçadas, esperançosas e devotas.