Muito depois do sol se ter deitado e a lua passear pelo céu, agora que já celebramos um novo dia, transformo em memórias os pensamentos de um dia que a mim muito me diz respeito. Estou contente por ter ouvido a voz de quem me é querido, as vozes de todas aquelas pessoas que fizeram questão em sussurrar ao ouvido os desejados parabéns, feliz por saber que não sou esquecido mesmo que não presente. Mesmo sem festa planeada, por causa de um vírus que fez deste corpo sua casa, as palavras pouco interessam, desde que cheguem e me abracem.
Existe porém um outro lado da moeda, que não consigo esquecer, que magoa e fere-me de morte. Houve um telefonema, em especial, que nunca falhou, que infelizmente não chegou! Por mais difíceis que fosse a condição humana fazia soar a campainha e me alegrava, a voz da minha querida avó. Arlete de seu nome, nunca se esqueceu do seu neto, a sua voz caiu no silêncio no ano que ficou para trás, que tanta falta faz e perdura no pensamento. Passam seis dias do seu aniversário, um centenário de existência assim se comemoraria.
Lamento, igualmente, não ter podido sentir uma voz feminina tão querida e saudosa, que me acompanhou durante um par de anos, em conversas desgarradas, em provocações, sorrisos, olhares trocados e até algumas lágrimas. A história é longa tal como a espera por notícias, o que sei é que seria bem recebido a lembrança da minha pessoa. Até posso estar enganado, é possível que a memória se lembre da data e consequentemente da pessoa, talvez seja só o embaraço do diálogo que não possibilite o contacto.
Acima de tudo é bom saber que nos desejam bem, mesmo aqueles que só pelo politicamente correcto das redes sociais o façam. É bom saber, que no meio de tanta tristeza, existe quem nos faça sorrir e acreditar na empatia e no amor.
Sem comentários:
Enviar um comentário