segunda-feira, julho 29, 2013

Sangue do meu sangue.

É um gesto maravilhoso, não haja dúvida, o simples acto de uma mãe permitir que se pegue ao colo a sua mais que tudo, não só é uma prova de coragem mas acima de tudo de confiança. Pessoalmente, caso estivesse na sua posição acho que só a arrancando dos meus braços...

Conheci-a com uma semana de vida, frágil como uma pétala de um malmequer, ainda de olhar muito tímido para o mundo, sem saber a sorte de ter quem tem a cuidar dela. Tão frágil que somente passei o dedo indicador por debaixo da sua mão para sentir aquele reflexo de quem se agarra à vida com toda a sua força.

Hoje, passados sete meses, encontrei uma menina já bem mais crescida, de sorriso largo e olhos esbugalhados, em suma um verdadeiro doce de pessoa! Tê-la ao colo fez-me viajar até aos meus treze anos, quando carregava nos meus braços o meu irmão mais novo. Contudo, hoje é diferente, o desejo de ser pai provoca um misto de sentimentos perante a beleza de uma nova e ainda pequena vida. Por um lado, a alegria de estar perante um bebé e poder pegá-lo ao colo, brincar com ele, fazer palhaçadas em troca de um sorriso, dá-lhe um biberon ou até uma bolacha, é tudo muito atraente, super enriquecedor e, ao mesmo tempo, justifica todas as batalhas que se lutaram para atingir aquele momento de felicidade. Esse é sem dúvida o lado bom! 

Infelizmente, nem tudo são rosas, o coração acaba por apertar quando a mente desperta para a (ainda) dura realidade, o facto de não ser pai entristece-me muito, ainda mais quando num acto pessoal e egoísta vejo amigos e colegas com as suas pequenas crias... Quem me conhece sabe bem que os meus adoráveis gatinhos são como filhos e, é verdade que vibro quando estou com eles e observo-os a brincar, ou a pedir mimos ou até mesmo para comer, mas... Não são sangue do meu sangue, talvez seja uma reacção instintiva e animal mas parte de mim deseja ver um descendente meu nascer e crescer. Carregar nos ombros o nome de família e as histórias dos pais e avós. 

Sei bem quem gostava de ver como mãe dos meus filhos, mas também sei que a possibilidade de isso acontecer é bem difícil, recusando porém a total impossibilidade! Afinal a vida dá grandes voltas e acaba por nos surpreender. Independentemente do que o destino possa reservar, sei que quando o momento chegar nada mais na vida me fará feliz, por um lado por ter a meu lado uma mulher extraordinária, por outro por ver o fruto do nosso amor como sendo a mais bela flor do jardim,  o sol das nossas vidas.

Sem comentários: