sábado, agosto 10, 2013

Sete dias de Inferno, dois segundos de Paraíso

Puta de semana! Acho que só assim poderei melhor descrever os sete dias de trabalho, mais horas extraordinárias, que agora terminam! É assustador quando o prazer que temos pelo que decidimos fazer na vida como carreira se transforma em pesadelo puro e duro. É ainda mais assustador quando o que me chega às mãos é um exemplo do que se aprende num qualquer curso de audiovisuais, como sendo o que nunca se deve fazer. Fosse só isso e até seria tolerável, mas há mais! Sei bem que são muitos os que preferem bater à minha porta, mesmo que tenham de percorrer um corredor inteiro para lá chegar, em vez de pararem na primeira ou segunda sala. Sei que isso se deve à opção de trabalharem comigo em prejuízo de colegas que, por seu lado preferem comportar-se como robôs e executarem tudo de forma básica, sem grande criatividade, mas também é verdade que alguns são os que rapidamente fogem da sala quando alguém lhes bate à porta, oferecendo uma desculpa qualquer para se ausentarem, obrigando assim os jornalistas a esperar ou procurar outro colega. Bem, nem tudo é mau, também é verdade que preferem trabalhar comigo porque a boa disposição também é importante para a harmonia no trabalho, já a rapidez de concretização e independência nas opções de edição permite confiar num produto final concluído a tempo e com qualidade.

Por tudo isto é que as grandes semanas, não pela magnificência das mesmas mas sim pela duração, acabam por ser penosas! Modéstia à parte, todas as pessoas correm para a minha sala e a carga de trabalho acaba por desgastar uma pessoa, ainda mais quando olhamos, através das paredes de vidro, para o colega do lado a jogar no computador ou simplesmente a ver televisão. Aí o meu mau humor e sentimento de revolta vem ao cima! Claro que as pessoas acabam por não compreender como um indivíduo sempre tão bem disposto transforma-se numa pessoa fria e cruel. Contudo, a verdade é que não é de propósito, ou algo que se pareça, é sim um modo de defesa, até porque ao fim de alguns minutos, mesmo que contrariado, a boa disposição volta a reinar no local de trabalho.

Infelizmente, não consigo ser um mau profissional como alguns dos meus colegas, não consigo recusar trabalho com a facilidade com que eles o fazem, afinal estou ali para executar uma tarefa, pela qual recebo um montante ao fim do mês. Por vezes digo que se ganhássemos à peça então havia muita boa gente que ia para casa só com uns trocos e eu com a carteira recheada...

Sexta-feira foi longa, muito longa, começar às onze horas da manhã, a pedido das chefias, e percorrer o dia inteiro até às nove e meia da noite, para além da hora que tinha para sair, custou! O esforço todo acabou por ser compensado por um gesto pequeno mas de importância grandiosa, poder ir para casa a pensar num momento mais intimo, pelo menos aos meus olhos, vivido minutos antes de picar o ponto. Esse pequeno gesto de agradecimento transportou-me até as nuvens e, conduzi até casa de sorriso largo e feliz, sem sequer me aperceber que as folgas tinham começado.

terça-feira, agosto 06, 2013

A empatia da confidência

Às vezes precisamos deitar tudo cá para fora, sem data ou hora marcada, sem local marcado e, por vezes, com a pessoa que por mais perto está naquela altura. Gosto de pensar que sou pessoa de bom ouvido, talvez por assim ser já não me surpreendo quando alguém se senta ao meu lado e expele tudo o que lhe vai na alma. A cada palavra falada outras duas apressam-se a serem contadas, seja por desgosto, paixão, ansiedade... Certo é que não procuramos somente desabafar, porque mesmo que não exista coragem para pedir um conselho as pessoas esperam ouvir palavras sábias.

Será sempre fácil opinar quando a outra pessoa não passa de um conhecido ou colega, quase sempre devido ao fraco relacionamento emocional que existe entre ambas as partes, agora quando nos preocupamos com o outro não é tão simples, é como caminhar por uma estrada escura e desconhecida, sempre com o medo de nos perdermos ou cair no erro de uma má escolha, isto é, o não querer mal aconselhar a pessoa.

É sempre difícil formar juízos somente pelo que nos é contado, afinal de contas existem sempre duas versões da mesma história e, na impossibilidade de conhecer parte dessa história, os seus motivos e acções que se escondem por detrás do alvo da conversa, acabamos sempre por meter o dedo numa ferida aberta sem certeza de agravar ou não a situação.

Apesar de todos esses factores adversos, a experiência é a resposta a todas as questões e nas coincidências, que não o são, as respostas formam-se de palavras conselheiras e amigas.

Confesso que obtenho uma certa satisfação ao estender a mão a alguém, ainda mais quando no dia seguinte vejo um sorriso por entre os lábios da pessoa. Recentemente, senti-me feliz por ver que as minhas palavras, mesmo que tremidas, fizeram efeito e deixaram que o sono pudesse regressar à vida de uma pessoa que tanto o procurava.

Não que seja especificamente sobre esta conversa, Henry Ford disse um dia que "um idealista é uma pessoa que ajuda a prosperar", ao lembrar-me disso acho que tenho muito de idealista e, sempre que ajudo alguém estou a batalhar para que tenha uma vida mais decente, mais bela e mais nobre.