Qual a hipótese de as peças encaixarem, uma atrás da outra, de forma harmoniosa,como sempre a mente planeou cegamente, mesmo sem grande esperança de ver um puzzle ganhar vida? Foi preciso uma certa coragem para colocar a primeira peça em jogo, afinal a vergonha de falar com a morena que faz os meus olhos sorrir, claramente enfeitiçados por uma beleza ignorada por tantos (ou talvez não), que deixa o coração agitado numa ânsia desenfreada, a voz a tremer e as palavras convulsivamente engasgadas pelos nervos.
Tentar passar despercebido e apresentar a proposta que me arrastou até ali, foi projecto de um bom número de dias a tentar escrever no argumento digno de um best-seller! Talvez pudesse estar a exagerar, mas sem dúvida que demorei para lá chegar! Mascarado de inocente pedido, a vontade de ouvir uma só palavra, em tom de resposta, a uma pergunta que nunca foi feita era expectativa meio frustrada.
A verdade é que a recepção que obtive foi melhor do que poderia alguma vez imaginar e, embora permanecesse ali, descontraído, ainda que a gaguejar ligeiramente, sob o olhar de um grupo que me conhece há muito tempo, certo é que lá no fundo disparava foguetes em puro êxtase! No fim do dia sabia que quando o sol nascesse de novo ia brilhar forte e, tal como um farol que orienta as embarcações na escuridão, sei que seria a minha estrela lá bem no alto, desenhando uma rota segura até ao porto onde ela habitava. Ao chegar motivo suficiente para partilhar mais do que uma saudação banal e fria.
Quando paro para pensar dou comigo a falar sozinho, não precisamente em frases bem construídas mas palavras soltas ou mesmo só sons de quase histeria, a bater palmas sem querer acreditar, a procurar pontos no tecto onde fixar o olhar, inocentemente esboçando um sorriso de lábios fechados, procurando revelar o rolo de fotografias que o olhar tinha retratado durante o dia e preservado de forma segura na mente. É tão saboroso poder sentir próximo quem não está presente...
Será que se apercebe do meu gaguejar atrapalhado, meio infantil? Não o sei, talvez até o ache estranho e a assuste... A verdade é que tenho tempo para o perder, por completo, ainda para mais quando não é parte da minha verdadeira pessoa! Ao chegar esse dia sei que estarei perfeitamente à vontade na sua presença, sem sentir que poderei estar a ser avaliado ou a tentar manter um assunto só para ter a oportunidade de a tentar conhecer e descodificar.
Ai estas situações incómodas! Valem mil e um suspiros perdidos... Esta necessidade de obter respostas a perguntas nunca feitas, proibidas mesmo por desvendarem as reais intenções... Enfim... Suspiro...
Baby steps, baby steps!
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