
Já nem tinha noção o quanto o tempo me roubou da minha vida e por isso mesmo não tinha consciência que o blog já andava nú pelas ruas da amargura.
Olhando para trás, vejo que passei uma grande noite no concerto dos The Corrs, não só pela banda mas acima de tudo porque estava acompanhado pela dona do meu coração, mais perfeito... bem... podia ser sempre mas se não aconteceu foi porque a altura certa ainda estava para chegar, e nem certas expectativas frustadas me tiraram a felicidade que invadia o meu coração. Talvez pelos meus olhos terem ficados hipnotizados, brilhando perante a felicidade daquela rapariga, que me sorria despreocupada, que em qualquer outro dia da semana estaria em pânico com um local alagado de pessoas.
Deambulando entre casa - trabalho, trabalho - casa, não tardou muito para o Natal chegar com uma véspera que foi mais doce que o próprio dia, guloso por excelência, e nada como um dia de sol primaveril de inverno para passar, por muito breves que fossem, um momento num esplanada improvisada com o sorriso, quiçá envergonhado quiçá nervoso, daquela pessoa de cabelos da cor do sol. Troca de palavras que chegavam para passar os dias com um coração repleto daqueles pequenos momentos que o fariam continuar a bater.
Não tarda é casa - trabalho, trabalho - casa mais uma vez, num constante círculo vicioso, mas... há algo que quebra por uma dia a rotina, este ano a passagem de ano trazia um convite para uma noite festejada em casa de uma amiga, muita conversa, risos e um jantar para acompanhar. Então por um dia só, a rotina que implicava ir de casa para o trabalho era interrompida, uma casa ali em Lisboa esperava por mim, e nem mesmo a noite avançada tirava o ânimo naquela casa bem disposta, onde três amigos partilhavam os seus últimos minutos de um ano que morria conforme o relógio corroía o tempo que não teimava em parar.
Jantar perto da meia noite era algo que à muito não fazia, mas lá surgiu o tempo malvado a impor-se, parecia que dizia "Parem, está na hora, parem, é altura de me celebrarem pois já não volto mais a este momento!" Lá interrompemos o jantar em passo acelerado ultimando os últimos pormenores, onde estavam as passas, o dinheiro e o champagne?... o silêncio era quebrado pela televisão que anunciava o ano novo, passas praticamente engolidas e champagne para ajudar a escorregar após um brinde. Mas o que escondiam os desejos de cada um, acho que desde à muito que não desejava algo que não me fosse destinado, aquela luz solarenga que iluminava o meu coração dorido tinha a minha atenção total, o desejo de ver aquela luz brilhar mais do que nunca era mais importante para mim que qualquer outro tipo ou motivo de felicidade. A noite foi avançando ao som das imagens de um DVD que passava como programa de festa da anfitriã, as cincos horas significavam que o sol brilhava naquela noite escura, espalhando calor pelos vastos campos daquele motor orgânico que precisava de energia para continuar a bater alegremente.
O tempo voltou a intrometer-se e o relógio mandava que o dia estivesse encerrado para sempre nas nossas memórias, parecia que já ouvia ao longe a rotina chamar-me, podia ter ficado presa naquele ano, no entanto por mais um ano estava prometido que faria parte do meu dia-a-dia.
Até ao dia em que escrevo, o ano não me destinou o que não quero desejar mas pelo que suspiro diariamente, os dias criam oportunidades mas o receio apodera-se de mim e a mente fica turva de tanta indecisão, dando origem à revolta dentro de mim e torna penoso aqueles momentos que poderiam ser de celebração e exaltação, será que fujo de uma possível felicidade ou será que o respeito é mais forte do que o bater do coração?!...
Ah, já me ía esquecendo, Tabby, esse amor de gato que passeou-se pelo meu colo e por quem me apaixonei desde o momento que ouvi falar dele, mas também pudera, a dona do gato já me tinha arrebatado por completo à mais tempo do que realmente tenho noção. Mas não quero olhar para trás pois ela está bem lá à frente, sózinha, procurando sem saber um porto de abrigo mas com medo de escolher um. Um beijo especial para a Sónia (desejo-te tudo do melhor porque quer queiras quer não, mereces!) e também para a Angela, que por vezes me atura e da última vez que falei com ela não estava nos seus melhores dias.






