O cheiro a novo era fabuloso, parecia um drogado a tomar a sua dose diária após uma prolongada noite de desespero. A sério, passado esse estado parecia então uma autêntica criança, numa noite de natal, a admirar e a brincar com aquele presente especial desejado à muito. Ainda é maior a felicidade e até o orgulho porque não pedi dinheiro a ninguém, e foi tudo derivado a alguns anos de trabalho e algumas horas extras. Assim já não vão poder dizer que chego atrasado ao emprego, visto que desde que mudámos para os limites de Lisboa, que aventurar-me nos transportes públicos é um desafio muito grande e toma-me muito tempo.
À parte deste materialismo, as coisas continuam na mesma, eu correndo atrás de um sonho, tropeçando vezes sem conta sem nunca consegui-lo agarrar, mais porque nestas coisas não sou eu que controlo o destino. Mas os sentimentos teimam em não mudar, estou sem dúvida apaixonado, à espera do beijo dos olhos dela, e com isto tudo acabo por cair na poça da tristeza quando tenho momentos de lucidez que me puxam para a cruel e crú realidade. Mas devo ser um homem com um coração muito grande porque a esperança nela e no futuro é enorme e recusa-se a morrer numa rua qualquer da amargura, digo rua qualquer porque não só existe uma mas muitas mais já que as nossas sociedades fizeram o 'favor' de as criar.
O que me apetecia mesmo era viajar, gostava de pegar no carro e partir à descoberta, sem grande destino planeado, mas não iria querer sem a sua companhia, gostava que, como costumo dizer, a minha menina fosse comigo, e apesar ser um pouco egoísta ao ponto de dizer isto, acho que também lhe faria bem sair de Lisboa e esquecer o passado.











