Aproveitei os últimos dois dias de folga para levar o carro à revisão dos 30.000kms, onde o que me vinha à cabeça era a nota que ía largar com os custos da revisão, no fim acabou por ser mais barato do que a marca me tinha dito, quase menos 130€, mais satisfeito não podia ter ficado, tinha alguns receios que a troca das pastilhas de travões fosse necessário, juntamente com alinhamento da direcção e calibragem, felizmente só foi preciso trocar o óleo, alguns filtros e anilhas.
Como fiquei sem carro durante o dia, ontem tratei de mudar a situação que tinha como sócio do Sporting, isto é, deixar de ter o meu pai a pagar as cotas e passar a ser eu a tratar disso, acho que foi o último passo para ficar livre de todas as questões monetárias relativas ao meu pai, até porque a relação com ele não tem sido a melhor dos últimos tempos... por fim fui cortar o cabelo que me sufocava nestes dias de calor intenso, foi no barbeiro que tive um ataque de realidade! Encontrei lá um senhor que levou a sua mãe de 94/95 anos a cortar o cabelo, uma senhora de baixa estatura, pouco cabelo de branco, de ouvidos surdos e um olhar vidrado. Não se mexia, sentada debaixo do ar condicionado, parecia que fugia do calor que se fazia sentir lá fora, ainda cheguei a pensar, antes de o saber, que fosse a mãe dos dois irmãos, donos da barbearia, acabou por ser a mãe de um senhor, já de idade, que tomava conta dela.

Fiquei um bocado impressionado quando a sentaram na cadeira do barbeiro, retiraram os seus óculos e auriculares (não me recordo do nome exacto), e prepararam-na para cortar o cabelo, numa primeira fase, com grande dificuldade, tentou falar e dizer que se sentia apertada depois numa segunda fase, na altura de lavar a cabeça, o filho levantou-se e colocou a sua mão por debaixo queixo da sua mãe, de modo a ela inclinar a sua cabeça para trás, nesse momento os olhos da senhora parecia que fugiam para cima, transformando-se num mar branco brilhante, fez-me impressão.
Desde o momento em que entrei no barbeiro e dei pela senhora, comecei a imaginar os tempos áureos da sua vida, a vida de uma jovem nos anos 30 e 40, a vida durante as duas guerras mundiais e toda uma vida, certamente, de muito esforço a trabalhar para agora chegar a um ponto de pura decadência, digo isto porque parecia que ela mal se apercebia do que se passava em seu redor, os seus olhos bem abertos pareciam não acusar um pingo de vida, tive um daqueles ataques de consciência que um dia todos nós que somos jovens havemos de estar no lugar daquela senhora, poderá ser um pouco estranho dizer que saí de lá menos preguiçoso mas foi o que senti.
Claro que não seria um último dia de folga se o meu chefe não me telefonasse para pedir algo, por isso mesmo, a meio da tarde, o telefone toca, sabendo que ele entrava hoje de férias o telefonema estava relacionado com um pedido, assim ficou combinado eu entrar ao serviço mais cedo do que previsto, de modo a cobrir a falta de colegas meus, uns que se encontram a fazer a Volta a Portugal em bicicleta e outro colega que se encontra em Israel, o motivo, todos a conhecem...
No meu tempo livre, depois de todos os afazeres, ando um pouco viciado a jogar Trivial no irc, em pouco mais de duas semanas já estou em 11º de 346 pessoas, acho que dá para entender a ideia...