Esta quinta-feira terminou o meu contrato com a empresa e a de uma colega minha, com isso em mente tinham sido redigidas duas propostas, a primeira de integração nos quadros, prontamente recusada pela administração, e uma segunda com base em artigo tal do código de trabalho. Ora terminei o contrato e não obtive resposta à segunda proposta, como qualquer pessoa que fique desempregada hoje dirigi-me aos recursos humanos para pedir a declaração para ir-me inscrever no centro de emprego de modo a receber o subsídio a que teria direito. Sem problemas entregaram-me a declaração e ao mesmo tempo pediram-me o cartão de identificação da empresa. Eu a pensar que ainda ía ficar com ele como recordação mas a ida aos recursos humanos não permitiu, a E. vira-se para mim, quando estava com o cartão na mão, e diz-me "Custa, não é!?", eu fiquei a pensar "Errr... é um cartão....", até porque custa-me mais ficar sem o emprego!
Muitas foram os colegas que passaram por nós e despediram-se, desejaram tudo de bom, enfim, um pouco do que as pessoas não gostam de ouvir quando partem mas também a única coisa que os que ficam têm para dizer quando não sabem o que dizer.
Visto estarmos descontentes com a empresa, que na semana passada colocou 3 pessoas nos quadros, embora por cunha (diz-se), e estarmos revoltados depois de anos de devoção ao trabalho desenvolvido, restou-nos uma possível solução, consultar um advogado, contar-lhe a história e mostrar documentação, mesmo antes de abandonarmos o edíficio fiz um telefonema para o gabinete de um advogado recomendado por quase todos os nossos colegas, visto ser tarde ficou adiado para segunda a marcação da dita consulta.
Despedidas feitas nada mais nos restava fazer do que irmos à nossa vida, assim foi, senão quando passado uns 5 minutos, enquanto guiava, o telefone toca e um colega meu pergunta-me onde estava e pede-me para voltar para trás porque o M.C. queria ver-nos.
Já sem cartão entrámos nas instalações sem problemas porque os seguranças já nos conhecem e nem pediram o cartão, fomos directamente ao gabinete do M.C. sempre a pensar "espero que não nos tenham feito voltar para trás para dar-nos mais más notícias!". Encontrámos o M.C. no corredor e logo convidou-nos a entrar. Começou por explicar-nos que a segunda proposta tinha sido analizada e que os fundamentos não eram legais já que o motivo que levou a empresa a celebrar o primeiro contrato não era um motivo válido nos dias de hoje perante a actual realidade, explicou-nos que falour por telefone com o L.M., pessoa que tinha o poder de decisão, de quem era amigo, e discutiram o assunto durante trinta minutos. Ficou adiado e depois de termos estado hoje no edíficio que tinha reunido com o L.M., o qual tinha dito que o contrato excepcional não era possível e portanto pedia ao M.C. que explorasse outra via, já que os esforços para a nossa permanência estavam a ser fora do normal, o M.C. simplesmente disse que tinha esgotado todas as vias possíveis e imagináveis, ao que o L.C. responde "Então mete-os nos quadros!"... Bem... quando ele diz-nos isso, a minha colega leva as mãos à cara e eu, totalmente pasmado, digo "Errr... ok....", e ela "Nos quadros?!?!?". Enfim, de tudo o que esperávamos, isto não era uma delas, até porque tinhas sido posta de parte logo no início.
Obviamente quando chegámos cá fora não conseguíamos parar de sorrir, de rir, saltar, enfim, um grande peso desapareceu dos nossos ombros.
Foi-nos pedido contenção a que pudessemos contar porque o despacho tinha sido redigido mas ainda não estava assinado.
No entanto, o tempo que demorei a voltar para o carro e meter-me a caminho foi o tempo de a G. telefonar-me, quase em missão secreta, a contar-me que sabia que tinha sido aceite a minha integração mas que ainda não era oficial, que estava a telefonar-me para eu ficar mais descansado, é claro que disse-lhe que já sabia de tudo. O tempo que demorei a ir de Chelas para Belém foi o tempo de receber uma chamada do M.C. a dar-me os parabéns porque o despacho tinha sido assinado e que a M.J., que estava com ele, que também estava a enviar os parabéns, eu nessa altura nem sabia o que dizer senão um obrigado, seguido de outro e ainda outro até desligar o telefone. A partir daqui parece que a notícia viajou mais depressa que qualquer outra coisa e de repente estava a atender telefonemas atrás de telefonemas de amigos e colegas a dar-me os parabéns e que merecia entrar para os quadros mas acima de tudo a perguntar-me quando seria a jantarada de celebração (num tom de bricadeira)!
Ah! Fui para Belém para ir dar uma espreitadela aos carros do Dakar e também comprar umas recordações.
PS - +1 para o desemprego