É curioso as voltas que o mundo dá, passamos a vida a contar histórias do nosso passado aos amigos, colegas e conhecidos, ora falamos de como foi crescer num certo sítio ora lembramos velhas brincadeiras mas acima de tudo falamos daqueles que conhecemos e de quem nos tornámos amigos, amizades essas que o tempo roubou e a distância separou, pensamos então como seria reencontrarmos velhas amizades, especialmente as de infância, mas depois "caímos na real", como os brasileiros dizem, e percebemos que não temos ponto de partida.
Do passado sobram as fotografias e os nomes daqueles que nos eram mais chegados, olhamos para as fotografias como se tivesse sido ontem que corremos no recreio a jogar às escondidas, começamos então a viajar em direcção ao passado, e ao folhear os álbuns de fotografias esboçamos um sorriso ou sentimos uma lágrima a inundar o nosso olho, as memórias ganham vida e o desejo de voltar aquela época é forte.
As pessoas que me conhecem pessoalmente sabem que sou do tipo de pessoa que muito mergulha na nostalgia, não por tristeza mas sim por conseguir lembrar-me donde vim, como cresci e amadureci, como a minha vida foi tão recheada de momentos deveras importantes, mas acima de tudo por causa das amizades feitas, que embora perdidas no tempo não são esquecidas.
Estando registado numa das redes mundias na internet, onde os utilizadores criam as suas próprias comunidades, consegui descobrir uma das minhas melhores amigas da infância, bastou-me inserir o seu nome, chamar-lhe-ei somente C.C., e logo apareceu a ligação para o seu perfil, ora se o nome não enganava a idade também não, a mesma côr de cabelo e olhos que a menina na fotografia de escola, e após tirar algumas dúvidas nada melhor que enviar uma mensagem para ter a certeza. As boas novas chegaram alguns dias depois e foi com um sorriso, BD (como uma colega minha o caracterizou), que li que lembrava-se de mim, trocámos mais uma ou duas mensagens e trocámos mails.
Neste último sábado conversámos online e relembrámos as nossas velhas histórias, os nossos colegas, amigos, mas acima de tudo, dada a curiosidade, falámos do presente, afinal de contas quem éramos nós agora, o que fazíamos, quem era a nossa cara metade, ambições, desejos, enfim, trocou-se muitas palavras durante mais de duas horas e, mesmo assim, não foi o suficiente, certamente haveria muito mais para dizer e relembrar, talvez outro dia, quem sabe quando nos encontrarmos.
Às vezes penso porque não é tradição por terras lusas reunirmo-nos anualmente com os nossos antigos colegas de turma, um pouco como acontece nos Estados Unidos da América, seria certamente um renovar da nossa pessoa ao mesmo tempo que seria um dia de muito felicidade e animação. Talvez um dia comece ser assim, seria muito bom.
Por agora somente as palavras ligam a minha amizade à C.C., o mais difícil foi ultrapassado e estou esperançado que o futuro próximo trará boas e novas memórias..