Passaram depressa, tão depressa que um piscar de olho seria o suficiente para perder o momento, se perdido significaria uma súplica arruinada para todo o sempre, de olhos virados para a terra dos sonhos procurei na noite passada todas as estrelas cadentes que nos visitaram. Da janela de minha casa, esperei ansiosamente pelas horas tardias para que todas as criaturas se escondessem no escuro das suas habitações a repousar, já com a luz estelar a demarcar o seu território debrucei-me na janela que nem um miúdo num qualquer baloiço, excitado e curioso para saber o que iria acontecer, então aí, sem aviso prévio, assisti ao tracejar de simples linhas finitas na opacidade do manto negro, sem saber se bater palmas, sorrir ou pular de alegria, trouxe ao de cima a criança que vive dentro de mim, mas nem toda essa felicidade me fez esquecer a tradição, após respirar fundo, de certa forma compondo-me pois o momento assim o exigia, o tempo parou enquanto formulei um desejo na esperança de o ver concretizado, logo ali já tinha valido qualquer minuto gasto a contemplar o infinito.
Confesso que não é castigo algum os minutos gastos, pelo contrário, trata-se só de expressão popular pois a noite é amiga e a sua companhia é sempre uma honra digna dos deuses. A noite ainda era jovem quando o primeiro desejo foi lançado, com o avançar das horas somei mais três traços soltos, a três novos desejos assim davam direito, teimoso, como a maioria sabe que sou, não pensei em qualquer outro assunto pois tudo o que tinha sido pedido da primeira vez era por demais importante, assim, insisti, pedi exactamente o mesmo, palavra por palavra para não ser mal entendido, crente que assim o reforço daquela ideia não deixaria o pedido por mãos alheias, mesmo sabendo que nada posso exigir, fica a esperança de um dia, provavelmente quando menos esperar, ver realizado esse desejo, pedido do fundo da alma, simples e sentido.
Confesso que não é castigo algum os minutos gastos, pelo contrário, trata-se só de expressão popular pois a noite é amiga e a sua companhia é sempre uma honra digna dos deuses. A noite ainda era jovem quando o primeiro desejo foi lançado, com o avançar das horas somei mais três traços soltos, a três novos desejos assim davam direito, teimoso, como a maioria sabe que sou, não pensei em qualquer outro assunto pois tudo o que tinha sido pedido da primeira vez era por demais importante, assim, insisti, pedi exactamente o mesmo, palavra por palavra para não ser mal entendido, crente que assim o reforço daquela ideia não deixaria o pedido por mãos alheias, mesmo sabendo que nada posso exigir, fica a esperança de um dia, provavelmente quando menos esperar, ver realizado esse desejo, pedido do fundo da alma, simples e sentido.