sexta-feira, agosto 13, 2010

Eu desejo...

Passaram depressa, tão depressa que um piscar de olho seria o suficiente para perder o momento, se perdido significaria uma súplica arruinada para todo o sempre, de olhos virados para a terra dos sonhos procurei na noite passada todas as estrelas cadentes que nos visitaram. Da janela de minha casa, esperei ansiosamente pelas horas tardias para que todas as criaturas se escondessem no escuro das suas habitações a repousar, já com a luz estelar a demarcar o seu território debrucei-me na janela que nem um miúdo num qualquer baloiço, excitado e curioso para saber o que iria acontecer, então aí, sem aviso prévio, assisti ao tracejar de simples linhas finitas na opacidade do manto negro, sem saber se bater palmas, sorrir ou pular de alegria, trouxe ao de cima a criança que vive dentro de mim, mas nem toda essa felicidade me fez esquecer a tradição, após respirar fundo, de certa forma compondo-me pois o momento assim o exigia, o tempo parou enquanto formulei um desejo na esperança de o ver concretizado, logo ali já tinha valido qualquer minuto gasto a contemplar o infinito.

Confesso que não é castigo algum os minutos gastos, pelo contrário, trata-se só de expressão popular pois a noite é amiga e a sua companhia é sempre uma honra digna dos deuses. A noite ainda era jovem quando o primeiro desejo foi lançado, com o avançar das horas somei mais três traços soltos, a três novos desejos assim davam direito, teimoso, como a maioria sabe que sou, não pensei em qualquer outro assunto pois tudo o que tinha sido pedido da primeira vez era por demais importante, assim, insisti, pedi exactamente o mesmo, palavra por palavra para não ser mal entendido, crente que assim o reforço daquela ideia não deixaria o pedido por mãos alheias, mesmo sabendo que nada posso exigir, fica a esperança de um dia, provavelmente quando menos esperar, ver realizado esse desejo, pedido do fundo da alma, simples e sentido.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Vivo sonhando

Se todos os dias fossem assim, fugir da cama não seria problema algum pois a televisão dos sonhos presentar-nos-ias com o melhor filme, possivelmente, da nossa vida e nada, mas nada mesmo, poderia estragar o resto do dia. Quando hoje dei por mim a sonhar, já o olho preguiçoso tentava espreitar em direcção da luz, uns sons familiares entravam pelo sono adentro, a certa altura já tudo parecia uma autêntica sopa de pedra de ideias e de imagens que se apresentam ali ao espírito durante aquele período de insensibilidade dos sentidos. Um misto de alegria estampada num sorriso e uma lágrima sentida que escorregava sobre a face não me deixavam indiferente, tyyygy666666666666t (eis que a Cookie despreocupada passeia por cima do teclado!) não queria despertar daquele mundo em que me encontrava, não por preguiça de acordar mas sim pelo futuro que antevia, diz a voz popular que revelar um sonho é destruir o destino, assim, pouco mais posso adiantar, certo é que a acontecer fará de mim um homem realizado de um ponto de vista pessoal, aí a vida mudará da noite para o dia e penso que não me ia arrepender. Acabei por acordar, a minha adorada Cookie ao lado a chamar por mim, descobri que era ela que invadia o meu sonho, queria mimos e atenção, não a condenei por me ter feito afastar do sonho, pois ela um dia já fez parte dele e hoje é realidade...

terça-feira, agosto 10, 2010

Para além do trilho

Ao fundo do trilho deslumbro um princesa coberta por um vestido de noiva, chamo por o seu nome bem alto, sem sucesso ela permanece firme e intocável, de costas para mim, o véu cobre o seu rosto, acredito nela, corro na sua direcção, e mesmo ofegante não desisto e ainda acelero o passo, aquele poucos metros que me separam dela parecem aumentar quando deveria ser o oposto a acontecer, contudo num grito de revolta ganho novas forças, chego perto dela, um sorriso de conquista estampado na face, tudo só para descobrir que a ilusão se evapora e dou por mim sobre um precipício, já sem forças entrego-me ao destino enganado por uma ilusão, tecida por os meus próprios olhos...

domingo, agosto 08, 2010

O medo do não

Todas as pessoas temem algo na vida, umas têm medo de alturas, evitando assim qualquer lugar mais alto que possa originar um ataque de pânico, outras receiam gatos, podendo chegar a agredir um sem qualquer motivo aparente, acredito que muitas destas fobias são difíceis de ser ultrapassadas, porém existe o medo do não, algo que jamais pensei existir, nunca acreditei nele e nunca passou pela cabeça alguém não o conseguir ultrapassar. Acho que até a pessoa menos curiosa sentirá necessidade de questionar tal medo, certamente já terá passado por uma situação onde alguém terá permanecido no silêncio dos anjos, evitando assim não apresentar uma resposta negativa à mais banal questão.

Pessoalmente fico irritado como o silêncio de segundos, porque acredito que quando se convida um amigo para ir tomar um café, por exemplo, a resposta terá duas faces, sim ou não, contudo quando a resposta tem um final negativo a pessoa fecha-se em copas, dando a entender que receia dizer não, mas porque isso acontece, por mais cabeçadas que dê na parede não consigo compreender este medo que no meio da mais banal conversa cose os lábios da pessoa. Gosto de acreditar que não será pela minha pessoa, pois creio que não faço parte da inquisição de outrora, que se não obter a resposta que tanto desejo ouvir vá crucificar alguém, não acredito igualmente que seja uma pessoa assustadora ou de extremos radicais. Acredito porém que exista quem não goste de desapontar os outros, mas nessas alturas penso se as pessoas têm noção de que o silêncio fradeiro (palavra que me deixa reticências) é bem pior do que rejeitar um convite, lembro que digo convite mas poderia referir qualquer outra situação onde o não seria escolha possível.

Será que a amizade está presa por palavras como esta, só porque as pessoas são mais próximas umas das outras o medo de recusar o que quer que seja é sempre maior do que dizer não a um mero estranho? Sempre pensei que assim não fosse, infelizmente hoje sei que estou errado, não fico triste por estar errado, fico sim triste por amigos terem medo do não...

quinta-feira, agosto 05, 2010

Desertos da vida

Tipicamente sou o tipo de pessoa que gosta de estar a horas em determinado local combinado, porém acontece que às vezes atraso-me uns minutos, suficiente para me irritar se souber que já esperam por mim, mas ao chegar ao local, se não deslumbrar qualquer alma o coração acalma e a indignação esfumaça-se. São muitas as situações da vida que nos fazem esperar, ora uns minutos ora uns dias ou mesmo meses, contudo certas esperas transformam-se em desertos, onde caminhamos dia após dia sem descobrir o tão desejado oásis, e ali, na escaldante areia, acabamos por tombar e desistir de tudo. É nessas alturas que ponderamos a simples decisão de sequer ter posto um pé fora de casa para atravessar o incerto deserto, é certo que a adrenalina e a descoberta do novo atam uma corda em torno da nossa cintura e puxam-nos para esse deserto, partimos sempre com expectativas, expectativas essas que crescem enquanto a motivação e as nossas crenças são fortes, todavia, perante a seca do deserto, essas motivações e crenças acabam por morrer se no horizonte não conseguirmos deslumbrar o tal objectivo que como tanto amor perseguimos. Paramos. Olhamos em redor. Ali no meio da nada a incerteza apodera-se da nossa mente, questão atrás de questão perdemos qualquer convicção que tínhamos como garantia da nossa salvação, é aí que voltamos costas ao caminho ainda por descobrir e arrastamos-nos de volta a casa, triste, cansado e desapontado por expectativas que agora viraram frustrações. Desistimos. Choramos. Arrependemos-nos de tudo termos feito e nada conseguido, consciente de que novos motivos nos levarão a retomar o caminho, numa nova direcção é certo, certo igualmente que nunca mais rumo ao mesmo oásis.

terça-feira, agosto 03, 2010

É uma questão de azar ou maldição?

Hoje dei por mim a olhar para o passado e a relembrar o dia em que o meu carro estava na oficina a ser reparado, e como de costume, "emprestaram-me" um outro carro para poder continuar a deslocar-me para o emprego, ora o que aconteceu é que no último dia com o dito carro nas mãos eis que uma senhora decide embater na traseira do carro, para azar meu. Acho sempre piada a pessoas que batem no automóvel dos outros e saem do carro a chamar pela polícia, como se alguém tivesse disparado na sua direcção, em vez de simplesmente preencherem a declaração amigável, ora sendo eu alguém que não gosta de complicar as coisas, com toda a delicadeza fiz o favor à senhora e chamei uma patrulha, que veio, fez o teste do balão e deu por concluída a sua intervenção no acidente. Já mais calma, a senhora veio até ao carro onde preenchemos a declaração, até fiz questão de desenhar o que tinha sucedido, num rascunho primeiro, e após autorização da senhora na declaração, isto só para uns dias depois atender uma chamada da senhora, revolta e mal educada, acusando-me de a enganar, enfim, que fazer senão ter paciência e não descer de nível como os demais.

Portanto recordava hoje esse acidente por uma razão só, fui levantar o meu popó à garagem após nova reparação, mas antes disso, ainda pela manhã, quando desloquei-me para o emprego, descobri que de noite algum anormal, pois não tem outro nome, decidiu riscar o carro por três vezes, logo ali vi que o dia não iria melhorar muito mais, da franquia que tinha que pagar acrescentei mais 290 euros para pagar a pintura, sinceramente começo a pensar que pedir um carro de substituição acaba sempre por ser uma maldição terrível e medonha, já para não dizer carote...

segunda-feira, agosto 02, 2010

Desintoxicação

Para alegria de todos que fazem parte do meu mundo, e sabem como vivo nele, é com grande tristeza que passo actualmente por uma fase de desintoxicação de tudo o que me liga ao universo da informação e entretenimento, sem ligação possível já não sei o que é chegar a casa e procurar pelo comando que transforma todos aqueles sinais em imagens, já não sei o que é ter na ponta das minhas mãos todos os dias novos episódios de tantas séries que acompanho ou mesmo novas sonoridades que vão sendo lançadas no mercado.

Nesta nova caminhada tenho uma patrocinadora especial, sem ela estaria hoje preso em um qualquer casaco de forças, louco que nem o Ozzy Osbourne, talvez não tivesse resistido voltar para onde passei grande parte da minha vida. Será fácil descobrir de que falo da minha adorada Cookie, que tanto me mantém ocupado, distraído e muito bem acompanhado, até mesmo quando somente procuro descansar lá está ela a dar o seu ar de graças, da forma mais negativa...

Felizmente os dias de desintoxicação estão prestes a terminar, dentro em breve lá estarei a violar o meu cérebro com informação atrás de informação, já que outros motivos não existem neste momento para me fazer desistir deste estilo de vida, que confesso será sempre passageiro quando... bem... melhor não dizer antes que me meta em trabalhos!

quarta-feira, julho 28, 2010

Luar

Começa a tornar-se um hábito olhar pela janela fora e encontrar a senhora lua a observar-me, facto que à muitos anos não acontecia, teria que percorrer memórias para me lembrar a última vez que tivemos uma conversa somente nós dois, o destino sempre quis que morasse de costas para ela, porém hoje é diferente, e antes que ela fuja para outras paragens partilho umas palavras com ela como outrora, sei que o assunto é sempre o mesmo, mas mesmo assim é boa ouvinte, falar já é outra coisa, quase que por telepatia coloca imagens na minha mente, achando assim o método para devolver uma resposta.

Confesso que estes dias, habituando-me a uma nova realidade, ela tem estado bem presente, tenho acabado por desabafar com ela, já que a minha adorada Cookie costuma estar entretida com brinquedos após todos os mimos que lhe dou. Não sei que influência poderá ter sobre mim mas muitas são as vezes que lhe peço o que parece ser impossível ou teima em chegar, talvez seja quem me conheça melhor por esta altura, entre segredos e paixões secretas ela sempre conforta a alma, reflectindo sempre a face da musa que despertou de novo um coração para o amor.

Sei que mais que nunca ela vai ter ser paciente comigo, os dias que se avizinham serão com certeza saudosos, mais do que o coração gosta de tolerar, a amargura de saber que a distância será maior, que as possibilidades irão virar impossibilidades, que tudo junto é como se te perdesse, seria por tudo isso impossível negar o que quer que me pedisses se isso significasse que pudéssemos passar mais uns minutos contigo...

segunda-feira, julho 26, 2010

Dono de um olhar atento não resisto fotografar as memórias de mais uma refeição ao teu lado, saudoso do teu sorriso alegre, do olhar tímido, teimoso em se esconder, da tua doce simpatia, sem dar conta do tempo fugir. Estarei a enlouquecer se dissesse que o que os meus olhos me mostram é o que os teus tanto teimam em ocultar, para além de interrogações e desejos encontra-se uma pessoa esperançosa e crente na verdadeira felicidade, a mesma pessoa que outrora fechou numa caixa a sete chave todos as suas ambições mais pessoais, a quem agora lhe é oferecida uma chave, uma atrás de outra, permitindo abrir cada um desses cadeados da vida e relembrar o que a alma já havia esquecido, que os sonhos podem ser concretizados se nunca abandonados.

Independentemente do que as cartas sobre a mesa anunciem para o futuro, talvez não tão distante como imaginava, sei que o caminho a atravessar será espinhoso, caminharei assim devagar, tomando precauções pois o tempo será meu aliado! Ao longe deslumbrando um novo trilho, coberto de pétalas sedosas, anunciando uma primavera que planeia em plantar novas raízes, de perfumar a vida com amor e carinho, a minha peregrinação tem como meta essa estrada, chegar lá mais mais conhecedor de ti e ser bem recebido no teu coração.

sábado, julho 24, 2010

Adoro a tua companhia!

Não será o maldito cansaço após uma longa semana de trabalho que colocará uma fita adesiva sobre a felicidade, ali estampada nos lábios da voz secreta que sempre sussurra perto dos meus ouvidos, declamando doces palavras, nem sempre racionais, mas sentidas. A alegria que inunda a minha alma daria para alimentar a alma da viúva mais triste do mundo, é como que um despertar para uma vida nova, rompendo um casulo que cada vez mais era pequeno para me manter impacientemente pensativo, mas não é mero acaso tal ventura, a perfeita musa, ausente por causa incontrolável até ali, regressou, mais bela do que as suas lembranças o faziam crer, um sorriso angelical e completo, sem necessidade de soprar qualquer vocábulo para o conquistar, rendido às evidências o seu mundo abranda, o rapaz, sem ela perceber, começa a fotografar todos os detalhes que preenchem aquele momento, visto o final ter hora marcada, a incerteza de a ter de novo tão perto é preocupante, o calendário anuncia as viagens que se avizinham, no seu egoísmo teme por esse tempo ser longo demais, quase como uma droga que o alimenta, a sua distância significa somente uma dolorosa espera para que a possa reencontrar. Porém hoje é dia de celebração, cada vez mais a razão dá certezas ao paciente coração, sabe que tudo faz cada vez mais sentido, contudo tem de esperar tranquilamente até o desejo de ambos ser o mesmo...

Penso que no final desta palavras o cansaço seja demais para tudo que foi dito fazer sentido, a felicidade demais para conseguir dizer tudo o quanto me enche a alma e me deixa feliz!

sexta-feira, julho 16, 2010

Quem espera...

...sempre alcança, lá diz o ditado, e hoje, mesmo que tenha alcançado só um pouco do todo, já foi o suficiente para acalmar a dita espera desesperante, relembrando os lábios como é saboroso sorrir, tendo somente como justificação as mais banais palavras, palavras essas sussurradas por uma pessoa carinhosa e amável, tal como o significado do seu nome a descreve...

sexta-feira, julho 09, 2010

A angústia da saudade

A triste ausência das palavras nesta pauta da vida não significa que a afeição se extinguiu, o oposto é sim verdade, porém a angústia da saudade alimenta-se de todo vocábulo que gostava de empregar neste lugar distante de ti. Os segundos que se beijam em minutos, que por sua vez se amam durante horas dando à luz dias seguidos sem a tua presença deixam-me ofegante, sem saber mais raciocinar, esboçando ideias confusas que levariam a mais inocente criatura à total alienação mental. Vou parar agora, não quero esbanjar mais as letras que formam palavras sentidas, sei que endereçadas a ti sempre irão ter maior importância, transportando dentro de si a mais pura das alegrias.

quarta-feira, julho 07, 2010

Estágios

Bendita a hora do descanso do herói, quando o mundo pára em respeito à escuridão, onde o silêncio é lei talhada em tábuas de pedra. Por vezes, o herói depara-se com batalhas onde não as esperava encontrar, por vezes essas batalhas são mais difíceis de combater pois o inimigo é invisível, nessa noite, tal como nas anteriores, a luta por um respirar mais fresco desgasta o protagonista, deixando-o de rastos, somente cedendo terreno perante o cansaço, rendendo-se perante tal temperaturas.

A noite assim acaba por o envolver se ele ter noção disso, a fina folha protectora que cobre o seu corpo pouco consegue fazer perante as investidas da criatura da noite, salta sobre ela, agitando o leito com toda a sua agilidade, o homem permanece ali imóvel até os dentes afiados serem sentidos, meio desperto tenta gentilmente convidar o felino a afastar-se, sacudindo uma mão na sua direcção, contudo isso não é o suficiente, mal o seu corpo se estende de novo sobre a cama dá-se um novo ataque, a criatura que se escondeu do mundo e se entregou ao sono durante o reinado da luz agora desejava divertir-se, de um lado para o outro continuou a massacrar o descanso do herói. Só com o raiar da vida é que o homem conseguiu abraçar o desejado repouso, as criaturas nas noites receosas pelo iluminar do céu abrandavam o seu ritmo, limitando-se a alimentar-se e procurar a ternura de um qualquer lugar onde poder cerrar as suas gemas amarelas.

terça-feira, julho 06, 2010

Fora de horas

Debaixo de um manto que arde forte a respiração sufoca, vários são os que arriscam a sua própria vida, obrigados a isso, porém ninguém me vai encontrar fora de portas enquanto o fogo não for extinto, hoje mais que nunca sinto saudades do disco de prata que bem alto ilumina a misteriosa noite, será fora de horas então que rumarei ao novo porto de abrigo.

segunda-feira, julho 05, 2010

Acudam-me!

No inferno citadino a brisa suave não respira, cruel o calor empurra os transeuntes de um lado para o outro, que nem morto-vivos procurando por algo que os satisfaça, a estrela atroz queima qualquer nuvem que se aproxime, pois hoje o dia a ela pertence, quente e insuportável busca iluminar todas as sombras onde o mero mortal se esconde, implacável não dá tréguas!

Três colunas de CDs entram no meu carro juntamente com mais um carregamento de roupas a caminho do novo porto de abrigo, nem o ar condicionado durante a viagem torna o percurso mais fácil, ao chegar só mesmo o conforto fresco de entrar dentro de quatro portas serve como prémio. O rosto avermelhado revela o esforço daquela última meia hora, nada como o liquido incolor vertido por uma torneira para arrefecer e acalmar a face cansada, por fim são horas de rejubilar com uma refeição para retemperar forças, o dia ainda vai a meio e rapidamente será altura de percorrer mais e mais corredores de objectos de todo os tamanhos e feitios, são as últimas necessidades para o começo de uma nova aventura.

O dia depois de domingo

No levantar madrugador da estrela escaldante desejos sentem a vontade de serem concretizados, tal como os sonhos pretendem ver a vasta luz da realidade. Outrora o simples rapaz, na sua modesta casa, esperaria ansioso pelo carteiro chegar, trazendo boas novas a um coração apaixonado, hoje, sozinho, desdobra uma folha fria e intangível, à procura daquelas palavras às quais já se habituou a ouvir, sempre as dela, como pequenos e inocentes sussurros de quem, na sua timidez, recita palavras divinais, sempre acompanhadas por um belo sorriso, escondendo nas entrelinhas uma paixão crescente embora vacilante. A incerteza dessa paixão só poderá ser comparável à incerteza de o rapaz saber que a poderá escutar no dia que agora desperta...

domingo, julho 04, 2010

Falling Slowly

Hoje as palavras ganham vida na pauta de um video...



I don’t know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can’t react
And games that never amount
To more than they’re meant
Will play themselves out

Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You’ve made it now

Falling slowly, eyes that know me
And I can’t go back
Moods that take me and erase me
And I’m painted black
You have suffered enough
And warred with yourself
It’s time that you won

Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You’ve made it now
Falling slowly sing your melody
I’ll sing along

sábado, julho 03, 2010

Procurei-te

Talvez deva culpar a estrela ardente no céu reflectindo sobre o vidro, talvez os meus próprios olhos cegos pelo coração se perdessem, certo é que percorri todas as janelas que pude encontrar em busca do brilho do teu olhar, todas elas pareciam brincar ao jogo do esconde, ocultando tudo e todos que se encontravam cobertos por detrás das mesmas, foi tempo perdido, cabisbaixo voltei costas a cada uma e no escuro permaneci o resto do dia, lembrei-me que não costumas passar por onde as redes se cruzam, mas quando procuramos alguém que nos é querido nenhum esforço é em vão, assim percorri esses trilhos, dando de caras com os rostos que me pouco diziam neste dia, face atrás de face o tempo dissipou-se e não te encontrei. As memórias do dia anterior, essas estavam bem vivas dentro de mim, abracei-me a elas esquecendo naquele preciso momento a tua dolorosa ausência.

quinta-feira, julho 01, 2010

O sol ainda brilha alto

As boas surpresas quando chegam são sempre bem recebidas, sei que não tocam à porta e fazem-se convidadas, entram e sentam-se como se da sua casa tratasse. Não dou qualquer importância à intrusão e recebo-a de braços abertos, nessa surpresa encontro boas e coloridas palavras que simplesmente eram inimagináveis segundos antes, uma inocente saudação é o suficiente para suster a minha respiração, recuperando-a somente para devolver a admiração.

Por vezes dou por mim confuso a ler nas entrelinhas da vida, tentando traduzir significados que me parecem ocultos, tentando decifrar enigmas que somente colocam mais e mais questões, no fim são raras as ocasiões onde deslumbro uma solução concreta e verdadeira. Oiço as palavras escritas e as que se expõe revelam possíveis desejos, essas, como chocolate desfazendo-se na boca, animam-me e dão-me forças para sobreviver a uma dia, até ali, cinzento.

O glorioso sol ergue-se assim no longínquo horizonte, brilhando bem alto, espalhando a sua alegria sobre a minha alma, hoje, quase como excepção, encontro tudo o que a nostálgica lua teima em me esconder, sigo em frente com um sorriso apaixonado por um caminho coberto por um denso nevoeiro, percorro-o sem medo, abraçado à esperança, protegendo-a como minha filha fosse.

A delicada flor

Após uma noite atribulada, já fora de horas, onde no meio de uma batalha de almofadas mil e uma desculpas e acusações foram feitas e sentidas, a pacífica manhã trouxe uma realidade diferente de todas as outras vividas à muito tempo, desta vez a vontade de desistir, mesmo que fatídica para a razão, não era mais forte do que a vontade de descobrir e aprender mais, de te ler e cuidadosamente virar uma nova página todos os dias, sei que tenho de fazer isso, eu quero fazer isso e, vou fazer isso mas, devagar, como se de uma flor selvagem se tratasse, rara, delicada e sensível.