sexta-feira, setembro 30, 2011
quinta-feira, setembro 29, 2011
Dias trocados
Tinha de me despachar, a hora começava a apertar, o limite para sair de casa era pequeno. Assim dei por mim a cozinhar mais cedo o jantar, mesmo à moda americana, para de seguida vestir-me, pronto para ir ver um jogo do meu querido clube que à tanto não me via sentado naquela cadeira marcada com o meu nome. Nunca duvidando da data do dia, tendo sempre em atenção a hora para não me atrasar, corri pela casa atrás de tudo, fintando os bichanos. Já pronto guardei a carteira num bolso, moedas e chaves noutro, não esquecendo os óculos para penetrar nas escuridão da noite com visão de gato, ou quase.
Confesso que estava bem animado, agora que me tenho desligado do mundo virtual e aproveitado melhor o mundo onde as sensações são mais intensas, porém, assim do nada, dei um passo atrás quando peguei no comando da televisão para a desligar, uma notícia não fazia sentido naquela quinta-feira, foi aí que percebi que tinha viajado no tempo e ainda estava preso ao dia anterior
Fiquei triste, questionando se estava a ficar velho e a perder a noção do tempo ou se aquela excitação de voltar aos estádios de futebol tinha empurrado a imaginação no tempo. Um pouco chateado até, mas nada a fazer se não voltar atrás, lá desfiz os bolsos, coloquei tudo no sitio e fui brincar um pouco com os meus adoráveis bichanos, eles que de certeza não perceberam nada do que se passou. Quanto muito sabiam que os estores a meio da janela só se encontravam assim quando estavam destinados a ficar por conta própria.
Que a quinta-feira chegue pois o estágio já está concluído. Uma coisa é certa, depois desta quinta que venha o dia que quiser aparecer pois o seu nome não terá importância, agora que os dias são de descanso e abstinência de trabalho.
Que a quinta-feira chegue pois o estágio já está concluído. Uma coisa é certa, depois desta quinta que venha o dia que quiser aparecer pois o seu nome não terá importância, agora que os dias são de descanso e abstinência de trabalho.
quarta-feira, setembro 28, 2011
Conversas desnudas
A pulseira que hoje usaste deixou-me pensativo e sonhador. Sei bem que a conversa descarrilou para o que ultimamente tem sido o motivo de troca de palavras mais picante e, razão de algumas descobertas que a maioria das pessoas jamais poderiam imaginar que eu fosse bom conhecedor ou entendido. Será que tenho mesmo ar de menino bem comportado e angélico? Não consigo evitar um sorriso malandro.
Tenho reparado que o à vontade para este tipo de ousadias tem aumentado entre nós dois, provavelmente revelando uma certa cumplicidade intima que aos olhos de outros não seria alguma vez justificável. Ao mesmo tempo não posso deixar de elaborar as minhas teorias maquiavélicas sobre esta relação, cada vez mais fora do comum.
Percebo perfeitamente que o factor homem em mim, machista e sexista, por vezes manipula os pensamentos e transporta-os para um qualquer lugar, provocando uma reacção química sempre difícil de controlar, de tal maneira que consegue baralhar todos e quaisquer neurónios que habitam a mente. Formulam-se assim mil e uma perguntas enquanto a conversa prossegue boca fora, como se conversa de café tratasse.
Já com o estômago satisfeito e mil e um pensamentos proibidos, a conversa continua intensa e, por mais que seja banal discutirmos de forma aberta certos tabus da sociedade, não consigo afastar um sentimento de atracção que ao mesmo tempo poderá ser somente a sede por satisfação carnal. Poderei estar iludido ou poderei estar certo, hei-de perguntar e descobrir. Queria contar mais, contudo vou deixar a conversa guardada a sete chaves, mesmo que ela não tivesse necessidade de usar uma sequer para se libertar daquela pulseira...
Wake up call
Admiração, pura admiração pelo comportamento do meu ser perante um comportamento no mínimo estúpido e ignorante, perante o sincero interesse por essa mesma pessoa. Esperava não me preocupar, sabendo que o tempo a mantém ocupada e por isso atrasar a resposta no correio, assim o foi e não me admirei. Porém não esperava ficar completamente indiferente depois de perceber que afinal o tempo não a acorrentava ou sufocava. No fim, após um suspiro e encolher de ombros, resta-me somente um desejo de repúdio, um pouco em tom de toque para acordar, daqueles bem fortes, aqueles bem frustrantes que nos empurram janela fora. Para quê preocuparmo-nos com aqueles que nos ignoram? Vou deixar-me disso...
sábado, setembro 17, 2011
Vícios solitários
As horas mortas no emprego dão para acertar cada detalhe das nossas vidas, hoje lembrei-me de pegar no telemóvel e abrir aquela pequena caixa de mensagens que tanto guarda. Deslizando o dedo até ao fim da lista comecei a ler cada linha de texto e a eliminar todo o conjunto de palavras que não me traziam memórias de momentos ou pessoas especiais.
Apago uma aqui, outra acolá, sorrio perante aquelas mensagens, um convite para almoço, a preocupação para saber como a pessoa está, um agradecimento ou a beleza de certas palavras, enfim, um autêntico diário ali compactado. Tudo parecia bem encaminhado até sentir que bati inesperadamente numa parede a alta velocidade! Ali permaneci, muito bem sem saber o que fazer ou como reagir a uma frase lida e relida... Vício e solidão na mesma reunião de palavras não soava correcto, não soou naquela altura, ainda menos faz hoje. Pior é que temo que o medo que a atormentava na altura possa ser a realidade de hoje, sei que estou a meter a pata onde não devo mas é impossível ficar calado perante o que penso serem factos. Assim sendo apresento de ante mão as minhas mais sinceras desculpas por qualquer palavra que se siga que possa magoar.
Ter como um vício a solidão é simplesmente agitar uma grande bandeira branca ao mundo e, escondermo-nos entre quatro paredes, permanecendo bem agachados e silenciosos a um canto, baixando a nossa cabeça perante o desconhecido do que a vida tem para oferecer. Não direi que é fácil dar um passo em frente sem saber se o trilho apresenta armadilhas, porém é preciso arriscar para chegarmos a bom porto, é preciso não recear perder o que temos para conquistar uma melhor recompensa e, quem sabe se essa recompensa é finalmente a felicidade verdadeira e não uma falsa prosperidade do coração.
Será que uma pessoa chega a um ponto na vida que até já abraça a solidão pois aprendeu a tolerá-la, convidando-a a fazer parte da sua rotina, a partilhar uma refeição em silêncio, a folhear um livro que acaba depressa demais ou um cigarro que convida a um olhar à janela, avistando a lua que habita o seu espaço igualmente solitário.
Sinceramente espero que esse vício não seja alimentado, pois a distância é destruidora e não poupa esforços para magoar o coração, para o ver a sofrer de saudades, principalmente quando precisamos do aperto de um abraço sentido de quem nos ama, a pessoa que partilha uma refeição ao som de uma qualquer conversa, que partilha um filme e aconchega a cabeça no nosso ombro ou que ao ritmo de uma música dança connosco, que chegue perto de nós e, ali à janela, coloque os braços em redor da cintura enquanto percebemos que afinal a lua não está só mas sim rodeada de inúmeras estrelas que não a abandonam.
Apago uma aqui, outra acolá, sorrio perante aquelas mensagens, um convite para almoço, a preocupação para saber como a pessoa está, um agradecimento ou a beleza de certas palavras, enfim, um autêntico diário ali compactado. Tudo parecia bem encaminhado até sentir que bati inesperadamente numa parede a alta velocidade! Ali permaneci, muito bem sem saber o que fazer ou como reagir a uma frase lida e relida... Vício e solidão na mesma reunião de palavras não soava correcto, não soou naquela altura, ainda menos faz hoje. Pior é que temo que o medo que a atormentava na altura possa ser a realidade de hoje, sei que estou a meter a pata onde não devo mas é impossível ficar calado perante o que penso serem factos. Assim sendo apresento de ante mão as minhas mais sinceras desculpas por qualquer palavra que se siga que possa magoar.
Ter como um vício a solidão é simplesmente agitar uma grande bandeira branca ao mundo e, escondermo-nos entre quatro paredes, permanecendo bem agachados e silenciosos a um canto, baixando a nossa cabeça perante o desconhecido do que a vida tem para oferecer. Não direi que é fácil dar um passo em frente sem saber se o trilho apresenta armadilhas, porém é preciso arriscar para chegarmos a bom porto, é preciso não recear perder o que temos para conquistar uma melhor recompensa e, quem sabe se essa recompensa é finalmente a felicidade verdadeira e não uma falsa prosperidade do coração.
Será que uma pessoa chega a um ponto na vida que até já abraça a solidão pois aprendeu a tolerá-la, convidando-a a fazer parte da sua rotina, a partilhar uma refeição em silêncio, a folhear um livro que acaba depressa demais ou um cigarro que convida a um olhar à janela, avistando a lua que habita o seu espaço igualmente solitário.
Sinceramente espero que esse vício não seja alimentado, pois a distância é destruidora e não poupa esforços para magoar o coração, para o ver a sofrer de saudades, principalmente quando precisamos do aperto de um abraço sentido de quem nos ama, a pessoa que partilha uma refeição ao som de uma qualquer conversa, que partilha um filme e aconchega a cabeça no nosso ombro ou que ao ritmo de uma música dança connosco, que chegue perto de nós e, ali à janela, coloque os braços em redor da cintura enquanto percebemos que afinal a lua não está só mas sim rodeada de inúmeras estrelas que não a abandonam.
sexta-feira, setembro 16, 2011
Quando te perco à sexta-feira
Porque é à sexta-feira que te acabo por perder para o fim-de-semana que hoje faço questão de te saudar e tentar colocar um sorriso por entre esses delicados lábios conforme me leias. Olá chica! Saudação breve, que nem telegrama expedido com o teu nome no topo da página.
Bem, se assim o fosse seria agora altura de dizer stop, assim poderia ser, porém não interessa o número de caracteres usados ou o valor monetário da mensagem [tudo bem que aqui é gratuito, mas isso não interessa!], o que interessa é que sexta-feira atrás de sexta-feira lembro e relembro-me que na agenda dos meses que já nos abandonaram ficaram marcadas datas de dias que combinámos cruzar-nos por hora do almoço. Durante algumas horas partilhámos novas experiências e trocámos impressões, passámos por momentos mais, como dizer, inconvenientes, especialmente para aquela menina que adoro e nada gosta de revelar ou deixar perceber o que o coração sente. Revivo esses momentos de bom grado e deixo levar-me pelos ponteiro do relógio sem lhes dar grande importância.
Ainda ontem, a senhora que vive perto da estação de comboio considerava-me o ultra romântico do século XXI, confesso que inundou o meu ego com tal afirmação e, deixou-me de sorriso largo nesta face cansada, exagero certo de uma pessoa mais que suspeita. E mais não digo!
Nestes últimos dias fiz saber, num tom bem explícito [talvez demasiado!?], alguns desejos que acabaram por assustar a minha musa. Contudo não sei se foi um susto dos bons ou dos maus, gostava de o saber mas duvido que seja revelado aos meus ouvidos num futuro próximo... Por vezes o cansaço do corpo permite à mente libertar-se e expressar o que o coração realmente busca, violando todas as leis da sociedade e o que apelam de politicamente correcto. Para o bem ou para o mal [espero que para o bem!] gosto de saber que as minhas palavras trocadas não são ocas ou descartáveis, que são sentidas e que só a nós dois pertencem.
Quem me dera fazer sentido de uma ou outra situação, até porque são muitas as ocasiões que a procuramos à janela e nunca a encontramos ao mesmo tempo. Ora quando contava surpreender quem me faz sonhar todos os dias, acabo por ser eu o surpreendido ao descobrir que a encontrámos finalmente no mesmo instante, e nós tão longe um do outro. Coincidência é uma palavra que não consta do meu dicionário.
Pessoalmente odeio o silêncio que oculta uma resposta. Se me dessem a escolher preferia sempre conhecê-la, fosse positiva ou negativa, porque deixar alguém à deriva é bem pior! Questiono se será por vergonha, por ir contra a racionalidade do pensamento ou um qualquer ideal, ou ainda por significar que ao responder estaria a dar tempo de antena ao coração e com isso derrubar uma parede que até aí sempre se manteve firme. Pois não sei... Sei que esse silêncio já não cria expectativas que me deixavam desesperadamente ansioso, já o aceitei como um sendo um bicho de hábitos, por isso retomo ao que tinha parado de fazer e deixo entregue ao destino a possibilidade de uma resposta.
Ah! O telegrama! Ora fosse isto um telegrama estaria pobre, loucamente enamorado mas pobre. Infelizmente o momento não é favorável ao coração, uma vez que, entre outras coisas, preferia deixar o papel de lado e percorrer o teu corpo com a mesma mão que muitas palavras teria para te contar e, o que as reticências depois daquela letra S escondiam, é um sentimento bem maior que deveria ter começado por um A e jamais ser censurado. Provavelmente o susto teria sido maior, sei-o bem, mas por favor não te assustes com a sinceridade de quem escreveu aquelas palavras, que jamais estariam ali se não te desejasse e te respeitasse tanto!
Que o teu fim-de-semana seja pacífico e cheio de alegrias.
Besos.
Nestes últimos dias fiz saber, num tom bem explícito [talvez demasiado!?], alguns desejos que acabaram por assustar a minha musa. Contudo não sei se foi um susto dos bons ou dos maus, gostava de o saber mas duvido que seja revelado aos meus ouvidos num futuro próximo... Por vezes o cansaço do corpo permite à mente libertar-se e expressar o que o coração realmente busca, violando todas as leis da sociedade e o que apelam de politicamente correcto. Para o bem ou para o mal [espero que para o bem!] gosto de saber que as minhas palavras trocadas não são ocas ou descartáveis, que são sentidas e que só a nós dois pertencem.
Quem me dera fazer sentido de uma ou outra situação, até porque são muitas as ocasiões que a procuramos à janela e nunca a encontramos ao mesmo tempo. Ora quando contava surpreender quem me faz sonhar todos os dias, acabo por ser eu o surpreendido ao descobrir que a encontrámos finalmente no mesmo instante, e nós tão longe um do outro. Coincidência é uma palavra que não consta do meu dicionário.
Pessoalmente odeio o silêncio que oculta uma resposta. Se me dessem a escolher preferia sempre conhecê-la, fosse positiva ou negativa, porque deixar alguém à deriva é bem pior! Questiono se será por vergonha, por ir contra a racionalidade do pensamento ou um qualquer ideal, ou ainda por significar que ao responder estaria a dar tempo de antena ao coração e com isso derrubar uma parede que até aí sempre se manteve firme. Pois não sei... Sei que esse silêncio já não cria expectativas que me deixavam desesperadamente ansioso, já o aceitei como um sendo um bicho de hábitos, por isso retomo ao que tinha parado de fazer e deixo entregue ao destino a possibilidade de uma resposta.
Ah! O telegrama! Ora fosse isto um telegrama estaria pobre, loucamente enamorado mas pobre. Infelizmente o momento não é favorável ao coração, uma vez que, entre outras coisas, preferia deixar o papel de lado e percorrer o teu corpo com a mesma mão que muitas palavras teria para te contar e, o que as reticências depois daquela letra S escondiam, é um sentimento bem maior que deveria ter começado por um A e jamais ser censurado. Provavelmente o susto teria sido maior, sei-o bem, mas por favor não te assustes com a sinceridade de quem escreveu aquelas palavras, que jamais estariam ali se não te desejasse e te respeitasse tanto!
Que o teu fim-de-semana seja pacífico e cheio de alegrias.
Besos.
sábado, setembro 10, 2011
A perfeição da (tua) escrita
Ainda não comecei a folhear as páginas da aventura do bichano, suspiro pois dou por mim preso às palavras manuscritas com a tinta espalhada pela tua mão. Dedico-me a elas e, tento viajar no tempo à tua procura, à procura do momento em que te sentaste a pensar em mim, aquele pequeníssimo momento que dedicaste alguns minutos do teu valioso tempo e que com cuidado pousaste a mão na áspera folha, preenchendo-a. Será que estudaste as palavras ou a imagem da minha pessoa foi suficiente para que o teu pulso guiasse a mão sem hesitação alguma? Como gostava de descobrir...
Sorri ao perceber que o pensamento correu mais depressa do que a mão podia acompanhar, pois ficou visto que a adição dessa palavra, agora bem apertadinha no canto, tinha ficado esquecida ao fim da primeira leitura. Só tu saberás o motivo, assim poderei tentar deduzir que o tempo escasseava ou poderia significar que a paixão colocada naquelas palavras deu azo a um lapso perfeitamente inocente.
Se ao encontrares, o que tanto procuraste para me oferecer, descobriste a felicidade, então fica a saber que as tuas palavras foram a verdadeira prenda, preenchendo o espaço vazio do escravo coração. Foram que nem pó mágico num sonho de noite de Verão, iluminando o longo e árduo caminho até aos jardins onde a felicidade descansa ao sol, onde a mesma recebe todos de braços abertos, perfumada pelos aromas de todas as flores ali espalhadas.
Foi sem dúvida um tesouro precioso que recebi, que vou estimar e guardá-lo que nem um cavaleiro da antiga corte fiel à sua donzela.
Fosse o dia noite, o lugar público mais privado, e outras tantas circunstâncias proibidas de serem relatadas, e ter-te-ia agradecido não com um sincero obrigado mas sim com um amo-te. Sim, sei que não sou perfeito...
sexta-feira, setembro 09, 2011
Porque faço eu perguntas a perguntas que já sei a resposta...
O momento mais doce do dia logo desaparece com um desviar de olhar, morre nas palavras amargas que lhe pertencem e ecoam durante os dias seguintes. Nada muda. A penitência volta a cobrir o coração com o seu manto negro, o peso da dor é imensurável...
sexta-feira, setembro 02, 2011
Tudo o que acontece à noite, à noite pertence
«Tudo o que acontece à noite, à noite pertence.» Poderia resumir a esta frase o que me aconteceu ontem, contudo sei que são muitos os interessados na coscuvilhice do que o Pedro anda a fazer e com quem! Calma, nada de colocar a carroça à frente dos bois porque, aviso já, a mente viaja sempre até ao mesmo destino, onde a musa vive. Porém apercebi-me que tinha de saciar a sede que atormenta o coração e que mexe comigo.
Queria deixar aquele momento preso no silêncio da mente mas é impossível, pois foi uma ocasião que penso tão depressa não acontecer, que criou um reboliço e que fez rugir o leão dentro de mim.
Adoro ser surpreendido quando menos estou à espera, toca-me naquele ponto fulcral e sensível, acho não ser o único a partilhar deste sentimento quando naquele momento nenhum pensamento ocupa a mente com questões, quando as defesas estão baixo e, aí, fico preso naquele pequeníssimo espaço de tempo, sem conseguir prestar atenção à conversa que se inclinava na mesa, somente reagindo com sorriso aos sorrisos dos outros, a abanar a cabeça em concordância só porque alguém o faz. É naquele momento em que a música que atravessa a sala ecoa abafada nos nossos ouvidos e, o nosso olhar segue os movimentos de uma pessoa em particular...
Adoro ser surpreendido quando menos estou à espera, toca-me naquele ponto fulcral e sensível, acho não ser o único a partilhar deste sentimento quando naquele momento nenhum pensamento ocupa a mente com questões, quando as defesas estão baixo e, aí, fico preso naquele pequeníssimo espaço de tempo, sem conseguir prestar atenção à conversa que se inclinava na mesa, somente reagindo com sorriso aos sorrisos dos outros, a abanar a cabeça em concordância só porque alguém o faz. É naquele momento em que a música que atravessa a sala ecoa abafada nos nossos ouvidos e, o nosso olhar segue os movimentos de uma pessoa em particular...
É sem dúvida alguma que posso afirmar que quem me fazia companhia nada notou, ou assim espero porque seria embaraçoso, por outro lado o alvo do meu olhar notou sim aquele movimento fugidio, como se tivesse acabado de apanhar um criminoso em flagrante. Certamente estará habituada, pois a noite e os seus abusos levam a esses excessos, contudo aquela intensidade, de nada assustadora, talvez um pouco intimadora, deixava-a pouco à vontade. Sei que é a minha leitura dos acontecimentos, ainda assim talvez justifique ela ter dado a volta ao balcão para queimar um cigarro ou, é claro, era somente uma mera pausa e este eterno enamorado estivesse alterado e ligeiramente alcoolizado, culpa da sangria por altura do jantar.
Confesso que procurei o seu olhar mas nunca o enfrentei, sim, tenho explicação para tal falta de coragem, se assim pudermos chamar, passarei a dissecá-la mais à frente, por agora estava ali preso naquele jogo de olhares cruzados e, poderia jurar que algumas palavras trocadas com uma colega guardavam um pedido em espécie de confirmação, como se lhe pedisse para tentar perceber se era impressão dela ou se ela era alvo da atenção daquela pessoa. Independentemente disso ouve ali faísca sempre que os olhares não resistiam em se encontrar. Não deixou de ser engraçado, ao ponto de esquecer um pedido de um colega meu, justificando-se que estava distraída sem saber bem porquê. Sorri imediatamente, sem conseguir ocultar tal reacção impulsiva. Não me recordo de qualquer tópico trazido à mesa, estava completamente hipnotizado, observando cada pormenor, desde o seu andar descontraído naqueles ténis da adidas ao cabelo que empurrava por detrás do ombro, enrolando por vezes um dedo por entre os seus fios.
Claro que à memória vinham flashes de uma face mais importante, cheio de significado, logo questionava o que se estava a passar ali, afinal de contas o que queria eu? Afastei todas as imagens ou sons que tentavam acordar-me daquele sono desperto e hipnótico, afinal de contas sentia-me bem de novo, sentia que realmente não valia a pena preocupar-me com recusas mas sim aproveitar as oportunidades que se presenteavam inesperadamente. Para minha revolta e dor a hora de abandonar aquele lugar chegara, eles rapidamente levantaram-se e dirigiram-se para a porta, porém fiquei para trás, lentamente peguei no casaco e cachecol e preparei-me para segui-los. Esse foi o tempo suficiente para ela se dirigir à mesa e por dois segundos fazer tremer o coração, ali olhos nos olhos, agradeci o serviço e desejei boa noite, que estupidez! De tudo o que queria ter-lhe dito saiu-me aquilo, enfim, percebo que a minha companhia não era a mais oportuna nem mesmo a situação de trabalho que me tinha arrastado até ali... Bem... Aquele confronto de olhares pareceu durar horas, um pouco como nos filmes quando através um slow motion prolongam uma acção emotiva. "Estúpido!" gritava cá dentro para mim mesmo, não era aquilo que queria ter perguntado mas sim o seu nome. Deveras uma estupidez, um nome, um número, qualquer coisa teria sido melhor em comparação com aquelas palavras estúpidas, como lamentei-o no caminho para casa e já no hotel. Caminhei devagar para a saída, tentava disfarçar e olhar para trás, desejando nunca ali ter estado com aquelas pessoas mas sim com amigos onde outras condições proporcionassem um final diferente, ou assim desejava...
Não parava de reflectir e divagar naquele filme que tinha vivido, a adrenalina ainda a correr e percorrer as minhas veias, nem um pingo de sono, sentia-me vivo como à muito tempo não acontecia, queria mais daquela droga que me deixava em pleno êxtase, aquela ânsia esfomeada. Apercebi-me que andei este tempo todo na rotina de um morto-vivo, apercebi-me do que tinha a fazer e, por mais que lá quisesse voltar, a solução encontra-se mais perto de casa...
Tudo o que acontece à noite, à noite pertence, é verdade e assim poderia ter sido, se o fosse, só duas pessoas saberiam, eu e ela e mais ninguém...
Confesso que procurei o seu olhar mas nunca o enfrentei, sim, tenho explicação para tal falta de coragem, se assim pudermos chamar, passarei a dissecá-la mais à frente, por agora estava ali preso naquele jogo de olhares cruzados e, poderia jurar que algumas palavras trocadas com uma colega guardavam um pedido em espécie de confirmação, como se lhe pedisse para tentar perceber se era impressão dela ou se ela era alvo da atenção daquela pessoa. Independentemente disso ouve ali faísca sempre que os olhares não resistiam em se encontrar. Não deixou de ser engraçado, ao ponto de esquecer um pedido de um colega meu, justificando-se que estava distraída sem saber bem porquê. Sorri imediatamente, sem conseguir ocultar tal reacção impulsiva. Não me recordo de qualquer tópico trazido à mesa, estava completamente hipnotizado, observando cada pormenor, desde o seu andar descontraído naqueles ténis da adidas ao cabelo que empurrava por detrás do ombro, enrolando por vezes um dedo por entre os seus fios.
Claro que à memória vinham flashes de uma face mais importante, cheio de significado, logo questionava o que se estava a passar ali, afinal de contas o que queria eu? Afastei todas as imagens ou sons que tentavam acordar-me daquele sono desperto e hipnótico, afinal de contas sentia-me bem de novo, sentia que realmente não valia a pena preocupar-me com recusas mas sim aproveitar as oportunidades que se presenteavam inesperadamente. Para minha revolta e dor a hora de abandonar aquele lugar chegara, eles rapidamente levantaram-se e dirigiram-se para a porta, porém fiquei para trás, lentamente peguei no casaco e cachecol e preparei-me para segui-los. Esse foi o tempo suficiente para ela se dirigir à mesa e por dois segundos fazer tremer o coração, ali olhos nos olhos, agradeci o serviço e desejei boa noite, que estupidez! De tudo o que queria ter-lhe dito saiu-me aquilo, enfim, percebo que a minha companhia não era a mais oportuna nem mesmo a situação de trabalho que me tinha arrastado até ali... Bem... Aquele confronto de olhares pareceu durar horas, um pouco como nos filmes quando através um slow motion prolongam uma acção emotiva. "Estúpido!" gritava cá dentro para mim mesmo, não era aquilo que queria ter perguntado mas sim o seu nome. Deveras uma estupidez, um nome, um número, qualquer coisa teria sido melhor em comparação com aquelas palavras estúpidas, como lamentei-o no caminho para casa e já no hotel. Caminhei devagar para a saída, tentava disfarçar e olhar para trás, desejando nunca ali ter estado com aquelas pessoas mas sim com amigos onde outras condições proporcionassem um final diferente, ou assim desejava...
Não parava de reflectir e divagar naquele filme que tinha vivido, a adrenalina ainda a correr e percorrer as minhas veias, nem um pingo de sono, sentia-me vivo como à muito tempo não acontecia, queria mais daquela droga que me deixava em pleno êxtase, aquela ânsia esfomeada. Apercebi-me que andei este tempo todo na rotina de um morto-vivo, apercebi-me do que tinha a fazer e, por mais que lá quisesse voltar, a solução encontra-se mais perto de casa...
Tudo o que acontece à noite, à noite pertence, é verdade e assim poderia ter sido, se o fosse, só duas pessoas saberiam, eu e ela e mais ninguém...
segunda-feira, agosto 15, 2011
Abraço
Hoje, ao reencontrar-te, soube tão bem mas tão bem sentir os teus braços em redor do meu corpo, apertando-o numa saudade que nenhum telefonema ou palavra poderia alguma vez descrever ou fazer-lhe justiça.
Hesitei um pouco perante a contemplação de dois pares de olhos que nos encaravam como bichos do mato, certamente longe de estarem habituados a tal manifestação. Claro que a principal razão foi saber que juízos seriam logo formados, e comentados posteriormente, depressa surgiriam mais rumores e boatos, uns atrás dos outros. É uma estupidez, bem sei, mas as pessoas passam uma vida inteira sem saber apreciar o que faz de nós pessoas, diferentes de todos os seres neste mundo e, fechados dentro o seu próprio mundo isolam-se de todo o tipo de contacto que tanto precisamos, mesmo que jamais alguém o confesse, assim ao deslumbrarem tal expressão de amizade e cumplicidade ficam especados a olhar como a lei mais importante à face da terra tivesse acabado de ser violada.
Fica a promessa que quando voltar a avistar-te, uma vez que chegaste e fugiste logo para terras castelhanas, que estarei de braços abertos para te acolher nesse entrelaçado, sentido e duradouro, o tipo de abraço que o tempo não pode roubar e que alimenta a alma solitária aqui do amigo.
segunda-feira, agosto 08, 2011
O que diria o amor se olhasse sobre o mundo de hoje?
Sinto-me triste ao ver que já ninguém escreve cartas de amor, poucos são aqueles que pegam numa flor e a oferecem à pessoa que os faz sonhar, mas acima de tudo já ninguém luta por amor. Bem, se lutam a resistência que encontram é por demais aterradora até para ser descrita, desmotivando o maior crente.
Sempre que recordo a minha infância sorrio, pois nela escrevia inocentes cartas de amor para aquela menina que chegou perto de mim, que sentada dentro de um bidão na escola, normalmente utilizado como túnel para tantas brincadeiras, ali naquele espaço confino suporta a cabeça de um menino perdido na sua ingenuidade. De todos as memórias, aquele em particular, guarda uma história especial, onde as palavras ecoadas acabam por se perder na brisa daquele dia mais ameno. O aproximar dos olhos delas dizem mais do que a mais bela balada musical, até que aquele menino os deixa de deslumbrar...
É quando abro esse livro de memórias que lembro-me daquela expressão, tão banalizada nestes dias que passam a correr, que já foi mesmo usada no meio publicitário pela a avó que dizia «Eu ainda sou do tempo...». Pois, eu ainda sou do tempo em que as primaveras era mais desejadas e apaixonadas, onde a brisa empurrava aquele rapaz envergonhado até à rapariga tímida. Ainda sou do tempo que recebia mais cartas da pessoa amada no correio do que publicidade. Ainda sou do tempo quando as pessoas passeavam de mão dada, dedos entrelaçados e que sempre que se apercebiam disso sorriam uma para a outra sem precisarem de pronunciar qualquer palavra. Ainda sou do tempo em que num jardim qualquer um casal sentava-se num banco de jardimm ali perante os olhos da Mãe natureza apreciavam a companhia um do outro, juravam amor e simplesmente viviam.
Hoje a realidade é cinzenta, queremos fugir de encontro ao passado mas o tempo empurra-nos na direcção oposta. Não consigo suportar a nebulosidade das pessoas desfilam na rua, sem vida, sem sorrisos, sempre a olhar de lado na desconfiança. Talvez por esta e por outras o sol esteja mais envergonhado para aparecer e dar cor ao mundo...
É quando abro esse livro de memórias que lembro-me daquela expressão, tão banalizada nestes dias que passam a correr, que já foi mesmo usada no meio publicitário pela a avó que dizia «Eu ainda sou do tempo...». Pois, eu ainda sou do tempo em que as primaveras era mais desejadas e apaixonadas, onde a brisa empurrava aquele rapaz envergonhado até à rapariga tímida. Ainda sou do tempo que recebia mais cartas da pessoa amada no correio do que publicidade. Ainda sou do tempo quando as pessoas passeavam de mão dada, dedos entrelaçados e que sempre que se apercebiam disso sorriam uma para a outra sem precisarem de pronunciar qualquer palavra. Ainda sou do tempo em que num jardim qualquer um casal sentava-se num banco de jardimm ali perante os olhos da Mãe natureza apreciavam a companhia um do outro, juravam amor e simplesmente viviam.
Hoje a realidade é cinzenta, queremos fugir de encontro ao passado mas o tempo empurra-nos na direcção oposta. Não consigo suportar a nebulosidade das pessoas desfilam na rua, sem vida, sem sorrisos, sempre a olhar de lado na desconfiança. Talvez por esta e por outras o sol esteja mais envergonhado para aparecer e dar cor ao mundo...
sexta-feira, julho 29, 2011
quinta-feira, julho 28, 2011
Rumores, boatos e nenhum proveito
Meus Deus, diz aqui o agnóstico para si mesmo, o quanto este meu sorriso tem visto a luz do dia perante a troca de palavras aqui e acolá sobre possíveis relações, um tanto ou quanto mais íntimas diga-se, que acabam por me colocar nas conversas de esquina e que, para minha infelicidade, são meramente irreais uma vez que não me lembro de ter tido algum proveito ou sentido o toque directo de um beijo nos meus lábios. Contudo não consigo evitar achar tudo engraçado ao ponto de não conter aquela gargalhada viva ao comentar com as pessoas que tal como eu são o alvo dessas palavras culpadas.
Ao menos se acertassem no alvo acharia menos piada, porém talvez significasse que estaria no bom caminho para chegar a esse tão desejado porto. Assim, que todos os mensageiros saibam que este barco à deriva segue ao sabor das ondas, aquelas que espero que me levem ao seu encontro mesmo sabendo que ela não estará à minha espera, pelo menos a brisa assim confessou ao visitar-me. A única certeza que tenho para manter este barco esperançoso à deriva é que o mensageiro que até hoje nunca falhou todos os dias manifesta-se iluminando a fria noite, bem alto no céu, alguém a quem posso confessar o quanto ela significa e é importante, quantos os sonhos ansiosos por uma realidade falam dela carinhosamente e, finalmente, num estado de fraqueza após tanto tempo ao contar as ondas da corrente, respiro fundo e questiono quanto mais o tempo vai castigar tal dedicação... Que faça esta barco afundar-se de uma vez por todas ou então que as ondas corram para o deixar em terra.
No nascer da manhã confio nesse mensageiro para entregar todos aqueles votos enamorados à sua janela e, na incerteza, espero que essa moldura se encontre desimpedida e livre para fazer o tecido que a adorna dançar ao som das palavras que a procuram e a amam...
No nascer da manhã confio nesse mensageiro para entregar todos aqueles votos enamorados à sua janela e, na incerteza, espero que essa moldura se encontre desimpedida e livre para fazer o tecido que a adorna dançar ao som das palavras que a procuram e a amam...
segunda-feira, julho 25, 2011
Saudosa partida
Foi tão rápido que não houve tempo para um abraço sentido e dois beijos nessas bochechas rosadas, bem, para dizer verdade nem te deslumbrei debaixo do sol ardente... As saudades serão exageradamente enormes e as oportunidades de percorrermos mil e um eventos deixadas ao abandono. Ainda por cima quando a distância que outrora nos separava é agora tão próxima!
Pior que isso foi acordar para a realidade de só ter a certeza de te rever daqui a meio mês passado, aquele tipicamente escaldante, porém apercebo-me após rápida consulta que poderá ser mesmo um mês por completo, sabendo que andarás, mesmo que em trabalho, pelo Paseo del Prado ou por onde quer que o teu caminhar, ou obrigação, te leve.
Aprecia agora o descanso nesse monte do sossego e de paz, que o despertador seja o som dessas duas crianças sorridentes e atrevidas, que a noite acorde com os pequenos grilos a contar estrelas, em suma, que o tempo seja generoso e permita que a harmonia da vida te convide para dançar uma valsa verdadeiramente mágica.
segunda-feira, julho 18, 2011
Momentos inesquecíveis
E... foram dois dias fantásticos e na melhor das companhias. Que saudades sentia de guiar estrada fora, mesmo que relativamente perto de Lisboa, com o pôr-de-sol nos retrovisor e a lua a despertar no horizonte, de cantar, rir e sorrir, aquele prazer de seguir livre e sem restrições, de sentir-me vivo e sentir a ânsia do novo à flor da pele.
Não interessa o tempo ganho a carregar no acelerador ou o tempo perdido nas longas filas, e que longas eram no primeiro dia, o que interessava foi o espírito de aventura e amizade! O pára e arranca onde acabámos por encalhar foi motivo para gargalhadas e um dançar de palavras dentro do carro, que nos animou e aprofundou esta já sólida relação de uma harmoniosa amizade. Lembro-me dela ter comentado no segundo dia, um tanto ou quanto surpreendida, a falta de uma longa fila, isto porque já que tinha preparado um farnel para o desgraçado pára arranca, assim foi só nos últimos e famosos quilómetros, os tais seis, que deitámos mão ao saco e mordemos as iguarias.
Ao contrário de quinta, sexta foi um pouco mais entornada, saberá dizê-lo, mesmo sem o ver, aquela menina que ficou sem resposta para dar a algumas palavras, minhas diga-se, mais ousadas. Porém, nada condicionou ou facilitou essas mesmas letras coladas umas às outras, somente o estado em que se encontrava aquele corpo, mexendo-se ao som da música e como que num abrir e fechar de olhos a pudesse imaginar ali, braços em volta do pescoço dele, as mãos dele contornado a sua cintura, sem uma palavra ouvida os seus olhares perdidamente hipnotizados um pelo outro, como se um puxasse o outro e o convidasse a aproximar-se, pequenos passos sobre aquelas acanhadas colinas de areia ao ritmo daquele som que silenciava todo aquele ruído que os rodeava. Era agora mais evidente a ansiedade na respiração, as palavras à distância ecoavam na mente deserta ao mesmo tempo que os lábios... bem... um empurrão da moça ao meu lado trazia-me de volta à verdadeira realidade, embora não fosse preciso estar para aqui a divagar no filme que muitas vezes estreou na minha mente.
Ao contrário de quinta, sexta foi um pouco mais entornada, saberá dizê-lo, mesmo sem o ver, aquela menina que ficou sem resposta para dar a algumas palavras, minhas diga-se, mais ousadas. Porém, nada condicionou ou facilitou essas mesmas letras coladas umas às outras, somente o estado em que se encontrava aquele corpo, mexendo-se ao som da música e como que num abrir e fechar de olhos a pudesse imaginar ali, braços em volta do pescoço dele, as mãos dele contornado a sua cintura, sem uma palavra ouvida os seus olhares perdidamente hipnotizados um pelo outro, como se um puxasse o outro e o convidasse a aproximar-se, pequenos passos sobre aquelas acanhadas colinas de areia ao ritmo daquele som que silenciava todo aquele ruído que os rodeava. Era agora mais evidente a ansiedade na respiração, as palavras à distância ecoavam na mente deserta ao mesmo tempo que os lábios... bem... um empurrão da moça ao meu lado trazia-me de volta à verdadeira realidade, embora não fosse preciso estar para aqui a divagar no filme que muitas vezes estreou na minha mente.
Acho que perdi a noção das vezes que disse - não me quer mas também não me larga - sim é verdade, acabava por desabafar perante o seu silêncio, contudo num tom humorístico perante uma negação pessoal, mas já sei, já sei, ando a ver filme numa qualquer língua estrangeira e por isso não entendo o que é dito e acabo por imaginar o argumento, claro que sei bem que a teimosia taurina também não ajuda!
Loucuras sentimentais à parte, senti-me como um jovem de vinte anos, claro que a minha adorada flor de girassol, que quer seja dia ou noite está sempre ali, cheia de energia, com o mais maravilhoso e expressivo sorriso, foi uma grande contribuição para toda a alegria que pairou no ar. Outra coisa não seria de esperar de tão doce ser humano, que num agarrar de mão confiou na minha liderança, que com um pequeno toque de ombro me chamou à atenção, que riu e sorriu vezes sem conta comigo, ou até de mim, sim é verdade, que me aturou quando a minha atenção dispersou-se para o lado utópico do amor, enfim, simplesmente maravilhosa! Mal sabes como te adoro! E foi um prazer deixar uma bela adormecida, literalmente, sã e salva em casa, ao contrário do que se possa pensar nem sempre se deve acordá-la...
Resta-me só acrescentar que o beijo do tamanho de uma música inteira será cobrado! Fica aqui o aviso registado.
Resta-me só acrescentar que o beijo do tamanho de uma música inteira será cobrado! Fica aqui o aviso registado.
quarta-feira, julho 13, 2011
Na minha ignorância dou demasiada importância às histórias de outros contadas por segundos, depois chateio-me com o meu eu. Tenho de aprender que só comprovando por mim mesmo é que posso ser juiz da sentença verdadeira. A umas horas atrás cruzavas dos dedos na esperança de estar errado, agora vejo que não havia motivos para os sequer ter cruzado. Talvez me tenha esquecido de como os amigos se relacionam e de como a nossa presença pode ser requisitada, sem dia ou hora marcada, mas ouvir os seus desabafos, para ouvir os seus delírios ou simplesmente para que a nossa voz seja ouvida e serene os receios crucificados pelos sentimentos.
O tempo passou a correr, o sorriso depois da despedida é a boa disposição que não tinhas e o prémio por saber que contribui para que nesta noite o teu sono seja tranquilo, pacífico, sem pesadelos que outrora eram como sonhos paradisíacos.
Porém, espero que o mensageiro não tente estrangular este meu pescoço com novas aventuras. Dizem que não se deve matar o mensageiro, contudo este gosta de contar histórias que depois geram confusões e mal entendidos, penso que não hesitaria, um segundo sequer, em travá-lo antes que os estragos sejam maiores e irreparáveis.
terça-feira, julho 12, 2011
Espero estar enganado quando vejo o caminho desencontrado de duas pessoas como justificação para uma possível fuga desesperada a dois, para se reencontrarem com uma falsa felicidade. As palavras partilhadas em privado nos últimos tempo foram sempre transparentes, partilhadas por um sincero amigo. Jamais significaram que duas pessoas ao cruzarem-se devem embarcar numa nova travessia lado a lado. Espero que esteja enganado porque não posso deixar de suspeitar do convite feito, contudo, e antes que a amizade seja prejudicada pela cegueira emocional, aceitei-o como se de um convite inocente fosse, como qualquer outro convite amigo. Espero estar enganado porque o meu corpo vive e respira tranquilidade, não o quero corromper com qualquer tipo de violação quando as palavras não te procuraram mas somente estenderam uma mão amiga, não preciso de tal agressão à mente que renasceu não faz muito tempo e que hoje vive em harmonia com o mundo.
terça-feira, julho 05, 2011
Gato e rato
Recomendado por uma amiga, deixo aqui uma breve, mas muito breve, leitura de um pequeno texto que opina sobre as verdades que não o são, do perfeito amor que oculta a sua tremenda imperfeição e, para finalizar, um precioso conselho. Sem o nunca ter ouvido segui-o no passado, e mesmo apesar do sacrifício ser doloroso par além do que poderia sequer pensar devolveu-me à vida, podendo hoje não me preocupar por quem um dia cantou-me palavras enamoradas, recheadas de uma inocência que já não devia morar em si e que nos empurrou em direcções opostas...
Por estas e por outras, façam o favor de clicar AQUI se assim o entenderem...
Ah! Obrigado à menina que me deu boleia até lá...
Reparei nos diversos sorrisos das vozes amigas que me procuraram hoje, sem surpresa alguma o gesto foi devolvido nas mesma dose, embora de forma mais envergonhada. Sei que a curiosidade poderá ter sido a razão, não porque o motivo é divertido mas sim porque a viagem deste ser poderá tomar no rumo. Cedo demais, é o que poderei afirmar com toda a convicção, é cedo demais para saber onde esse destino me levará, é tudo o que sei e posso atestar.
Foram surpreendente as últimas quarenta e oito horas, bem, talvez mais uma hora ou outra hora... Aquela voz que já parecia ter esquecido escreveu-me, a sua oferta foi justificação suficiente para os olhos deliciarem-se com a sua visão, mesmo que por breves instantes, talvez lamentavelmente. Sei claramente, e sou culpado por o saber de forma consciente, que os meus olhos tentaram faltar ao respeito e penetrar pelo tecido branco, objecto imposto pela sociedade cheia de pudor. Disfarcei. Afinal, se não o fizesse seria criticado e julgado pelo meu desarranjo mental, se assim o quisermos chamar, mas sou só sujeito sedento de prazeres... Apercebi-me que estou a dizer mais do que quis, torturado por essa saborosa memória, é claro!
A noite das primeiras vinte e quatro horas pouco interessa, visto que a recordação pertence-me, a mim mesmo e só a mim. Isto agora não me soou bem! Enfim, é tarde... who cares! O agradecimento devido, em mui nobre carta lacrada, foi enviado e, espero, recebido com satisfação, uma vez que o silêncio foi a única coisa que o vento sussurrou à minha janela. Sei que não devo esperar qualquer tipo de resposta, talvez ficasse mesmo ansioso se a realidade fosse diferente, hoje a indiferença apodera-se de mim mais facilmente.
As vinte e quatros horas seguintes revelaram que o imprevisto ainda é sinal positivo do destino. Um sorriso corado foi o que o primeiro momento deu a conhecer, na sua elegante estatura o segundo acto revelou as primeiras palavras, mesmo que ligeiramente acanhadas, foram de pura simpatia, nada que o brilho por entre os lábio já não tivesse demonstrado. nada que a boa disposição fizesse esquecer no segundo seguinte. O manjar, no inicio daquela tarde, era especial para alguns, quando os pratos finalmente ficaram nus o desejo de saber mais viu-se prisioneiro do tempo, o meu coração arrefeceu depressa demais, alimentando-se das últimas brasas daquela memória gerada. Poderá ser ilusão minha, contudo penso que as palavras escolhidas durante a sua presença não foram sorte do acaso, nelas escondiam-se recados. Espera aí, apercebo-me agora, espreitando o que se esconde por detrás de algumas sombras, que poderei estar a projectar uma utopia futura destruidora de sonhos, será que o cansaço do trabalho esteja a distorcer a minha visão da realidade? De repente começo a temer isso, parar, é isso, vou parar e proteger as palavras que não foram usadas para as não ser em vão, vou deixar o tempo tratar delas, deixá-lo acarinhá-las e limitar a descansar o corpo e mente, bem preciso.
segunda-feira, julho 04, 2011
Sei que daqui à Austrália o caminho tem sido longo, sei igualmente que daqui à Itália a distância é menor mas o desconhecimento, por agora, é maior. Será esta uma nova viagem para a qual não tinha comprado bilhete?
Queria contar tudo, e mais até, mas tenho de correr para a terra dos sonhos porque o tempo hoje é meu inimigo...