terça-feira, janeiro 03, 2012

Fé em 2012

Ora se diz que o mundo termina no ano que agora nasce, ora se diz que é mais uma previsão sem sentido algum... Porém acredito que, por entre toda esta crise que nos tenta assustar, os valores mais nobres, como o altruísmo, a amizade e o amor, serão donos e senhores da nossa vida ao longo de 2012. Acredito que vamos ter a oportunidade de crescer como humanistas.

Ao som das primeiras baladas cumpri com algumas tradições, curiosamente um dia antes tinha revelado a minha pequena lista de resoluções, em conversa mais privada com quem estimo muito. Resumem-se a uma mão cheia, contudo com a chegada da passagem de ano só um desses desejos esteve presente na mente, fazendo esquecer todas as outras palavras desenhadas em antecipação, e não foram precisas passas, somente um pouco de fé e esperança no destino. Confesso que sou crente, acredito que todas as sub conversas que escondem o que parece ser uma mensagem proibida, são uma espécie de previsão oculta do que já foi revelado em cartas deitadas sobre a mesa e, mais que nunca quero acreditar na predestinação das palavras amigas de quem lavou e abriu os meus olhos para a realidade, ali estampada à minha frente, tão perto que até assustou um pouco, passo a explicar, e provavelmente a repetir-me.

Não consigo esquecer aquele dia marcado no calendário como sendo o dia que iria mudar a minha vida tão depressa, aconteceu no mês dedicado a Juno, deusa e rainha de todos os deuses. Esse dia veio provar que o acaso não morava ali, pois perante os meus olhos envergonhado estava uma musa que poderia ser facilmente comparada a Juno, ou mesmo a sua encarnação, caindo de bom grado no exagero. O pormenor chegava, sem o saber, às suas vestes, as quais assemelhavam-se às típicas túnicas usadas pelos deuses, o entrelaçar do cabelo perfeito revelava a expressão doce da sua face. Lembro-me do momento quando o coração parou de bater, ouvindo uma menina emocionada partilhar a alegria que outrora se vestia com tecidos de sofrimento, sei que nesse preciso instante, nesse segundo parado no tempo, caí do meu pedestal e apaixonei-me loucamente.

Custa-me encontrar as palavras certas para explicar esta convulsão de sentimentos que me faz parar, até mesmo durante as palavras que teço aqui, que acaba por mexer comigo e me transporta no tempo, retornando sempre a essa doce memória. Quanto mais penso no assunto mais me apercebo que pela primeira vez na vida posso afirmar, sem dúvida alguma, que conscientemente fiz parte de um momento perfeito, quem sabe só repetido quando deslumbrar pela primeira vez a face de um filho meu. Talvez por isso acabe por divagar em sonhos repetidos, talvez por isso continue a lutar por alguém que acredito sei ser a pessoa certa, que neste momento partilha dos mesmos objectivos, uma pessoa que talvez ainda espera por um beijo bem entregue e que só tem um culpado, eu.

Divagações à parte, até porque a hora vai tarde e a mente começa a exaltar o coração, esta passada segunda-feira, tive o prazer de visitar uma amiga, a convite da mesma para jantar, e por um dia mais viajei de novo no tempo, até à altura que era habitual realizarmos jantares com direito a uma longa tertúlia. Fez-me bem, confesso, poder desabafar um pouco, como nada que se pareça a este meu cantinho, até porque existe alguém que me responde, que me critica ou aconselha, que afinal de contas está lá por mim como um amigo fiel. Para além disso percebe o que se passa de cada lado das trincheiras, mais ou menos, e creio que para além de duas almas desencontradas que já viveram muito, é alguém que acredita numa união que sempre defendeu estar predestinada. 

Óbvio que o jantar acompanhado de tertúlia como sobremesa não se limitou a um só tópico, e não interessado em mencionar o seu conteúdo interessa sim referir que foi uma boa terapia para aquecer a alma e motivá-la para o que se atravessar no meu caminho, num futuro próximo.

Apetece-me cantar tantos poemas que arrisco-me a exacerbar uma felicidade momentânea, imprópria para véspera de trabalho, assim sendo vou descansar este corpo, fechar os olhos e sonhar...

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Memórias de outros Natais

Lembro-me que quando era mais novo, por altura do Natal, seleccionava os brinquedos que já não me entretinham tanto como outros. Era uma escolha difícil, pois naquele tempo pensava que só pelo facto de já não brincar mais com eles, que o amanhã podia ser o dia em que os voltava a animar e escrever novas histórias de aventuras. O mesmo fazia o meu irmão com os seus brinquedos. 

Já com um ou outro saco cheio o nosso pai levava-nos ao bairro mais perto, onde as carências do dia-a-dia não proporcionavam a alegria dos brinquedos às crianças que lá habitam, guiados por ele distribuíamos, mão em mão, um carro, um jogo, o que quer que a lotaria do saco decidisse. Era naquele destino que a vergonha se apoderava do nosso olhar ainda inocente e assustado, ao mesmo tempo, e sempre negando-o ou comentando o facto, era uma alegria ver alguém do nosso tamanho e idade sorrir perante tais ofertas. Na altura era um acontecimento estranho para nós crianças, contudo hoje permite-me olhar para esta época festiva com outros olhos, longe de consumismos desenfreados e inúteis.

Sei de dois meninos, os quais já considero como sendo parte da família, ou não fosse a mãe uma grande amiga minha, que sem o saberem vão perceber que a esperança será sempre a última coisa a morrer, que até ao último minuto vale a pena acreditar no sonhos e na sua concretização, mesmo em tempo de crise no mundo do adultos. Assim o aprendi ainda pequeno, foram acções como a simples partilha de brinquedos que me moldou até à independência adulta, evitando cair num mundo negro da corrupção do egoísmo. 

Nem tudo depende das crianças, cabe a nós, aqueles que detêm o verdadeiro poder, ajudar a concretizar os seus sonhos, pois o obrigado de um sorriso infantil é a melhor prenda, e a mais sincera, que alguém alguma vez pode receber e, ao mesmo tempo, uma lição de partilha, amizade com, bem, uns pozinhos de magia à mistura...

domingo, dezembro 04, 2011

Pequenas Âncoras

A noite prolongou-se como outrora era hábito, já me tinha esquecido como era conviver com os mistérios que ela oculta, onde quem lá habita revela sempre um tom diferente naquelas tão deliciosas conversas, muito fora do comum, um tanto ou quanto intimistas, ou mesmo apaixonantes.

Nem sempre as palavras guardam o melhor dos motivos e anunciam boas novas, porém é possível contrariar o negativismo com tantas outras palavras que emanam paixão e amizade. Naquele dia, as suas palavras fariam sofrer a mais calorosa de todas as almas, conhecendo-me bem não podia ficar indiferente às lágrimas escondidas por detrás de uma voz tremida. Sentado no conforto do lar senti-me como se estivesse à entrada de um túnel e, do outro lado ela permanecia imóvel, sem sequer conseguir esboçar um sorriso em tamanha aflição. Por mais que lutasse, não conseguia chegar perto, não conseguia percorrer esse túnel maldito, onde qualquer gritar de palavras fazia ricochete na escuridão. Foi nessa impotência que tentei lutar contra a maré.

Os minutos completaram a hora e essa amaldiçoada maré acabou por baixar, permitindo alcançar a alma perdida no mar. Uma mão estendida, como uma pequena âncora, sinal de um porto salvo, acabou por fazer a diferença, a menina que tinha sustido a respiração podia agora suspirar e sobreviver, mais descansada, à noite.

O acordar honrou as leis da preguiça, devagar os sentidos foram assimilando o mundo em redor, a sensação de uma textura sedosa sob a mão aguçou um pequeno prazer matinal e, sem precisar de incomodar o olhar, sabia que não estava só. O tacto era ligeiramente tremido, como forma de agradecimento pelas caricias, aquele corpo ali adormecido ronronava de satisfação. Ali fiquei a apreciar o lento acordar, naquele dia não iria permitir ser incomodado por qualquer alarme agressivo que tentasse impor uma obrigação. Contudo uma sonoridade familiar foi o suficiente para fazer mover abertas as pálpebras, o telefone tentava agarrar a minha atenção, só me lembro de grunhir e pensar quem é que desafiava perturbar a doce saída do sono. Foi ao ver o nome marcado no visor que lembrei-me que tinha uma promessa a cumprir da noite anterior, sem hesitar um segundo mais, por entre um sorriso meio sonolento, ofereci um olá radioso ao atender. Logo questionado se ainda dormia caía por terra a ideia que já há muito tinha acordado.

Promessa feita, promessa cumprida! Sempre foi o meu lema, e já vem desde os meus tempos de escola quando uma boneca muito especial esperava o retorno emigrante de alguém próximo. Talvez por ser importante para mim, talvez por ser raro, ou não, faço questão que se saiba que ninguém poderá acusar-me de faltar a uma promessa que jurada não foi concretizada. O tempo pode não facilitar a tarefa, porém nunca irá impedir que as palavras prometidas se transformem no cumprimento honrado.

Chamada desligada e um último espreguiçar foi a despedida da serenidade. Saí porta fora e rompi por entre duas caras conhecidas, não deixando de as felicitar, deslumbrei logo quem me esperava, ali aquecida pelo reconfortante sol. Suspeito que aqueles dois, quase uma espécie de seguranças à porta de casa, comentaram o nosso encontro, nada ocasional. Naquele instante nem me apercebi disso, só mais tarde viria a ponderar sobre o assunto. Não deixa de ser engraçado, embora nos tempos que correm, todos nós acabamos por ser um tipo de sanguessugas de bisbilhotice alheia.

O dia acabou por ser agradável, a companhia e aquela estrela luminosa saciavam um coração enregelado por sentimentos mais solitários, embora se alguém alguma vez o comentar será sempre negado, ora pois! Não estava ali por mim, mas sim por quem precisa e me é querido. Assim, descemos a rua, novidade para mim que aqui ali já mora faz mais de um ano, como o tempo passa a correr... Invadimos a loja que estava nos planos e de lá saímos com um saco para ela. Com o sol já a querer esconder-se por detrás dos edifícios, agarrámos uns ingredientes da mercearia e subimos para preparar o almoço. É nesta espontaneidade em que a felicidade floresce, só conseguia pensar na última vez que tinha tido a oportunidade para cozinhar para alguém, porque adoro partilhar tal gesto, a satisfação de uma refeição partilhada com quem nos é próximo, a troca de gargalhadas e outras tantas palavras é um dos pequenos prazeres que de melhor a vida tem para oferecer. O que começou por ser uma promessa, uma âncora de salvação da infelicidade, acabou por ser se transformar num dia preenchido pela magia da amizade.

domingo, novembro 13, 2011

Há dias em que a gelada solidão só é conquistada na companhia do calor da pessoa amada.

sexta-feira, novembro 11, 2011

A surpresa da nostalgia

Digo sempre que não sou pessoa que goste de surpresas, independentemente de quem as prepare ou o motivo para tal. Contudo, e aqui onde ninguém nos ouve, gosto de ser surpreendido, por vezes basta um banal olá inesperado para despertar em mim um sorriso do tamanho do mundo. É esse sorriso que me enche de pura e genuína alegria e, satisfeito pela surpresa, desenrolo uma conversa do nada numa vontade de abraçar o próximo.

São as pequenas e banais surpresas que tornam tudo mais belo, pois na sua união dá-se uma pequena explosão de êxtase, que percorre o corpo que nem uma pequena criança excitada por altura do Natal perante um embrulho colorido. Bem... por segundos esta comparação pareceu por demais erótica e deveras assustadora, para não dizer pior, enfim, avante! A verdade é essa, as pequenas surpresas são como recompensas por tudo o que sofremos ou temos que aturar durante o dia de trabalho.

Impossível ficar indiferente, ando feliz por ter descoberto hoje, sem nunca o esperar, muito menos àquela hora, que o meu percurso teenager andou de mão dada com o dela, sem nunca o sabermos, preenchido por sonoridades e ídolos iguais, os mesmos que desempenharam grande importância na batalha da vida, que estiveram lá quando mais precisámos de aliviar um aperto de coração ou afastar uma lágrima. Hoje terás conhecimento de um pequeno segredo que muitíssimos poucos ouviram! Bem, um pequeno pedaço desse segredo, e não escondo que os gostaria de juntar só para ti, até porque é na nostalgia que nos reencontramos e percebemos o quão de bom a vida tem. Apesar de nunca ter confessado tenho de agora que revelar que são estas trocas de palavras, esta intimidade desnuda, que sempre procurei neste caminhar na descoberta do teu eu. São estes momentos que estimo mais, que ficam cuidadosamente guardados na biblioteca da memória, ali prontos a ser folheados sempre que te recordo.

Sei que as muralhas ainda permanecem bem assentes, certamente pelos melhores motivos, porém brecha atrás de brecha vou conseguindo espreitar para o outro lado, para o teu lado, alimentando a minha sede de curiosidade, de te querer conhecer, de te querer ler, por uma paixão que cresce e ganha raízes. Penso mesmo que dessas raízes uma árvore se erguerá, quem sabe até se não sobre a alta muralha... A única certeza é a impossibilidade de ignorar o que de comum existe entre nós e não pensar nisso, pensar mais cada dia riscado no calendário, embora a lua bem redonda ajuda a recordar as centenas de sussurros de janela a janela, noite após noite. 

Melhor que alguma prenda ou surpresa, um pouco de ti é o que torna os meus dias mais perfeitos. Esta sexta-feira, preenchida pelo número um, que possa significar novos inícios, que possa significar um sorriso ou um simples olá. Da minha parte fica um post para te desejar um bom fim-de-semana, uma pequena lembrança até segunda-feira chegar...

quinta-feira, novembro 03, 2011

A mais bela flor

A noite que a esta hora cobre o mais belo jardim não deixa transparecer a semente que se esconde entre a terra. Ainda é cedo para mostrar a sua face, o frio da noite também não o permite. Já com o raiar da estrela mais brilhante de todas, a pequena semente começa a ganhar vida, rompendo todas as barreiras impostas pela natureza, espreguiçando-se num doce acordar.

Logo fica selado no calendário que o terceiro dia do décimo primeiro mês, uma sexta-feira naquele ano, é dia de regozijo, não só para a semente feita flor mas também para as mãos que semearam, que cuidaram dessa semente durante três quartos de um ano. Admirada por muitos ela tornar-se-ia uma das mais belas flores que já alguma vez conheci.

Lembro-me de passear por os trilhos do jardim,  nunca te tendo encontrado, tal distracção era justificada por uma outra flor, colhida com o tempo e sempre estimada até ao dia em que o destino a viu murchar. Foi com ajuda amiga que te descobri, uma pequena atenção e dei por ti entre tantas outras, ali esplendorosa ao sol, vibrante e colorida. O coração não precisou de bater mais de duas vezes para me apaixonar perdidamente por cada uma das pétalas que te completavam. O teu perfume hipnotizava este frágil coração, a ânsia crescia e ao estender a mão para te colher, naqueles pequenos segundos, consegui imaginar uma vida repleta de felicidade. Foram poucos esses segundos, pois a mão que cuidadosamente te recolhia não podia prever as raízes ocultas que te acorrentavam àquele lugar, e por mais força que quisesse fazer, por maior egoísmo de te querer, nada podia demover-te daquele sitio. 

Ao abrir a mão de ti quase caí num poço sem fundo, e nem foi por acaso de um pé em falso, mas sim por esquecer que existia um mundo que nos rodeava. Nada mais restava senão aceitar que pertencias a esse jardim, aprendi a amar-te sem te pedir algo em troca, a correr sem fôlego sempre que podia para visitar esse jardim, ali reencontrar essa bela flor e sorrir com tamanha vontade, a abraçar-te com um olhar, a partilhar pensamentos sem nunca hesitar em qualquer palavra mais tremida mas, acima de tudo a viver com a ideia que é ali que habitas e que serás colhida quando tu mesma o desejares, a respeitar o teu santuário e as tuas escolhas.

Não te vi nascer mas o prazer de te ver crescer é recompensa mais que justa, sei que farás desse jardim sempre o mais belo de todos, sei que roubarás outros tantos corações sem te aperceberes, e perante a tua beleza imortal o que mais posso desejar é que sejas feliz e, que do teu pólen levado pela brisa possas dar vida a outras tantas flores, lindas e perfumadas como tu, que essas flores te dêem motivos de alegria como tu sempre me deste e sempre agradeci.

Happy b-day beautiful!

quarta-feira, outubro 26, 2011

Júbilo

Sinto-me que nem borboleta acaba de fugir do casulo, livre, dançando entre flores no mais belo dos jardins sob o sol reconfortante, sem preocupação qualquer, flutuando numa brisa matinal embriagado pelo perfume divinal que das flores escapa, inalando confiança e liberdade.. Analisando bem cada pormenor e somando-os todos, sinto-me simplesmente renascido.

A semana que para trás desta ficou, despertou em mim uma paz de espírito pura e enriquecedora. Felizmente o que parecia uma cruzada penosa e longa, acabou por se revelar uma bênção, não só porque estou a ter a possibilidade de realmente apreciar o que escolhi ser na vida mas, também por estar a aprender uma lição de vida que nunca pensei ser possível e tão real. Impossível a indiferença! As lágrimas derramadas perante o choque a que somos sujeito dão sempre lugar a um sorriso que as suprime, mesmo gostando de as saborear.

Fosse eu religioso e diria ter encontrado a minha fé. Assim, espero não cair em exagero ao afirmar que me foi permitido ser aluno da mais bela das histórias de vida, ao terminar esse curso foi-me entregue o papel de professor, nele o dever de espalhar o que a mais bela lição humana. É sem medo que uso essa palavra, pois nela está resumido aquele significado já tão corrompido pelas violações de valores.

Apesar de querer partilhar toda esta alegria que me enche o coração ainda não posso adiantar mais, em breve, e provavelmente sem grande aviso, chegará a casa de todos o motivo deste tamanho orgulho, de poder dizer que estive envolvido na partilha de emoções fortes, de contar a história de um oásis de esperança no meio do desastre, onde o abraço impossível, perante o vermelho que vertia nas ruas, foi significado de reconciliação neste nosso mundo desesperadamente carente de referências humanas.

É difícil de conter toda a alegria e querer contar mais, querer contar tudo, mas não posso, e odeio, odeio este adiar que me foi imposto até ao dia certo chegar...

segunda-feira, outubro 17, 2011

Meet You At The Moon

Os trilhos do dia-a-dia obrigam-nos a desviar por percursos diferentes, e à tanto que já não se cruzam, porém ao anoitecer o reencontro é inevitável, ali, sem necessidade para palavras, os olhos brilham e o coração ama perante o nosso lugar secreto. Meet you at the moon sweetheart...



We're lookin at the same moon
Though we're miles apart


We're wishin on the same star
When you're deep in my heart


I don't know if you know
But when we miss eachother so
Look up
I'll meet you at the moon


We're starin at the same sky
Strangers it seems
We're sittin on the same earth
Though there's oceans between


I don't know if you know
But when we miss eachother so
Look up
I'll meet you at the moon


Mmm I'm part of you
And your part of me
But it's a cold old world
When your missin somebody


With out you
I wouldn't couldnt be
So when your heart is achin
And it can't take much more breaking


We're lookin at the same moon
Though we're miles apart
We're wishin on the same start
When your deep in my heart


I don't know if you know
But when we miss eachother so
Look up
I'll meet you at the moon


PS - Jamais teria tal dom para transpor em papel o que está música tão bem descreve o que me vai na alma...

sexta-feira, setembro 30, 2011

Nga yawne lu oer!

quinta-feira, setembro 29, 2011

Dias trocados

Tinha de me despachar, a hora começava a apertar, o limite para sair de casa era pequeno. Assim dei por mim a cozinhar mais cedo o jantar, mesmo à moda americana, para de seguida vestir-me, pronto para ir ver um jogo do meu querido clube que à tanto não me via sentado naquela cadeira marcada com o meu nome. Nunca duvidando da data do dia, tendo sempre em atenção a hora para não me atrasar, corri pela casa atrás de tudo, fintando os bichanos. Já pronto guardei a carteira num bolso, moedas e chaves noutro, não esquecendo os óculos para penetrar nas escuridão da noite com visão de gato, ou quase. 

Confesso que estava bem animado, agora que me tenho desligado do mundo virtual e aproveitado melhor o mundo onde as sensações são mais intensas, porém, assim do nada, dei um passo atrás quando peguei no comando da televisão para a desligar, uma notícia não fazia sentido naquela quinta-feira, foi aí que percebi que tinha viajado no tempo e ainda estava preso ao dia anterior 

Fiquei triste, questionando se estava a ficar velho e a perder a noção do tempo ou se aquela excitação de voltar aos estádios de futebol tinha empurrado a imaginação no tempo. Um pouco chateado até, mas nada a fazer se não voltar atrás, lá desfiz os bolsos, coloquei tudo no sitio e fui brincar um pouco com os meus adoráveis bichanos, eles que de certeza não perceberam nada do que se passou. Quanto muito sabiam que os estores a meio da janela só se encontravam assim quando estavam destinados a ficar por conta própria.

Que a quinta-feira chegue pois o estágio já está concluído. Uma coisa é certa, depois desta quinta que venha o dia que quiser aparecer pois o seu nome não terá importância, agora que os dias são de descanso e abstinência de trabalho.

quarta-feira, setembro 28, 2011

Conversas desnudas

A pulseira que hoje usaste deixou-me pensativo e sonhador. Sei bem que a conversa descarrilou para o que ultimamente tem sido o motivo de troca de palavras mais picante e, razão de algumas descobertas que a maioria das pessoas jamais poderiam imaginar que eu fosse bom conhecedor ou entendido. Será que tenho mesmo ar de menino bem comportado e angélico? Não consigo evitar um sorriso malandro. 

Tenho reparado que o à vontade para este tipo de ousadias tem aumentado entre nós dois, provavelmente revelando uma certa cumplicidade intima que aos olhos de outros não seria alguma vez justificável. Ao mesmo tempo não posso deixar de elaborar as minhas teorias maquiavélicas sobre esta relação, cada vez mais fora do comum. 

Percebo perfeitamente que o factor homem em mim, machista e sexista, por vezes manipula os pensamentos e transporta-os para um qualquer lugar, provocando uma reacção química sempre difícil de controlar, de tal maneira que consegue baralhar todos e quaisquer neurónios que habitam a mente. Formulam-se assim mil e uma perguntas enquanto a conversa prossegue boca fora, como se conversa de café tratasse.

Já com o estômago satisfeito e mil e um pensamentos proibidos, a conversa continua intensa e, por mais que seja banal discutirmos de forma aberta certos tabus da sociedade, não consigo afastar um sentimento de atracção que ao mesmo tempo poderá ser somente a sede por satisfação carnal. Poderei estar iludido ou poderei estar certo, hei-de perguntar e descobrir. Queria contar mais, contudo vou deixar a conversa guardada  a sete chaves, mesmo que ela não tivesse necessidade de usar uma sequer para se libertar daquela pulseira...

Wake up call

Admiração, pura admiração pelo comportamento do meu ser perante um comportamento no mínimo estúpido e ignorante, perante o sincero interesse por essa mesma pessoa. Esperava não me preocupar, sabendo que o tempo a mantém ocupada e por isso atrasar a resposta no correio, assim o foi e não me admirei. Porém não esperava ficar completamente indiferente depois de perceber que afinal o tempo não a acorrentava ou sufocava. No fim, após um suspiro e encolher de ombros, resta-me somente um desejo de repúdio, um pouco em tom de toque para acordar, daqueles bem fortes, aqueles bem frustrantes que nos empurram janela fora. Para quê preocuparmo-nos com aqueles que nos ignoram? Vou deixar-me disso...

sábado, setembro 17, 2011

Vícios solitários

As horas mortas no emprego dão para acertar cada detalhe das nossas vidas, hoje lembrei-me de pegar no telemóvel e abrir aquela pequena caixa de mensagens que tanto guarda. Deslizando o dedo até ao fim da lista comecei a ler cada linha de texto e a eliminar todo o conjunto de palavras que não me traziam memórias de momentos ou pessoas especiais.

Apago uma aqui, outra acolá, sorrio perante aquelas mensagens, um convite para almoço, a preocupação para saber como a pessoa está, um agradecimento ou a beleza de certas palavras, enfim, um autêntico diário ali compactado. Tudo parecia bem encaminhado até sentir que bati inesperadamente numa parede a alta velocidade! Ali permaneci, muito bem sem saber o que fazer ou como reagir a uma frase lida e relida... Vício e solidão na mesma reunião de palavras não soava correcto, não soou naquela altura, ainda menos faz hoje. Pior é que temo que o medo que a atormentava na altura possa ser a realidade de hoje, sei que estou a meter a pata onde não devo mas é impossível ficar calado perante o que penso serem factos. Assim sendo apresento de ante mão as minhas mais sinceras desculpas por qualquer palavra que se siga que possa magoar.

Ter como um vício a solidão é simplesmente agitar uma grande bandeira branca ao mundo e, escondermo-nos entre quatro paredes, permanecendo bem agachados e silenciosos a um canto, baixando a nossa cabeça perante o desconhecido do que a vida tem para oferecer. Não direi que é fácil dar um passo em frente sem saber se o trilho apresenta armadilhas, porém é preciso arriscar para chegarmos a bom porto, é preciso não recear perder o que temos para conquistar uma melhor recompensa e, quem sabe se essa recompensa é finalmente a felicidade verdadeira e não uma falsa prosperidade do coração.

Será que uma pessoa chega a um ponto na vida que até já abraça a solidão pois aprendeu a tolerá-la, convidando-a a fazer parte da sua rotina, a partilhar uma refeição em silêncio, a folhear um livro que acaba depressa demais ou um cigarro que convida a um olhar à janela, avistando a lua que habita o seu espaço igualmente solitário.

Sinceramente espero que esse vício não seja alimentado, pois a distância é destruidora e não poupa esforços para magoar o coração, para o ver a sofrer de saudades, principalmente quando precisamos do aperto de um abraço sentido de quem nos ama, a pessoa que partilha uma refeição ao som de uma qualquer conversa, que partilha um filme e aconchega a cabeça no nosso ombro ou que ao ritmo de uma música dança connosco, que chegue perto de nós e, ali à janela, coloque os braços em redor da cintura enquanto percebemos que afinal a lua não está só mas sim rodeada de inúmeras estrelas que não a abandonam.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Quando te perco à sexta-feira


Porque é à sexta-feira que te acabo por perder para o fim-de-semana que hoje faço questão de te saudar e tentar colocar um sorriso por entre esses delicados lábios conforme me leias. Olá chica! Saudação breve, que nem telegrama expedido com o teu nome no topo da página. 

Bem, se assim o fosse seria agora altura de dizer stop, assim poderia ser, porém não interessa o número de caracteres usados ou o valor monetário da mensagem [tudo bem que aqui é gratuito, mas isso não interessa!], o que interessa é que sexta-feira atrás de sexta-feira lembro e relembro-me que na agenda  dos meses que já nos abandonaram ficaram marcadas datas de dias que combinámos cruzar-nos por hora do almoço. Durante algumas horas partilhámos novas experiências e trocámos impressões, passámos por momentos mais, como dizer, inconvenientes, especialmente para aquela menina que adoro e nada gosta de revelar ou deixar perceber o que o coração sente. Revivo esses momentos de bom grado e deixo levar-me pelos ponteiro do relógio sem lhes dar grande importância. 

Ainda ontem, a senhora que vive perto da estação de comboio considerava-me o ultra romântico do século XXI, confesso que inundou o meu ego com tal afirmação e, deixou-me de sorriso largo nesta face cansada, exagero certo de uma pessoa mais que suspeita. E mais não digo!

Nestes últimos dias fiz saber, num tom bem explícito [talvez demasiado!?], alguns desejos que acabaram por assustar a minha musa. Contudo não sei se foi um susto dos bons ou dos maus, gostava de o saber mas duvido que seja revelado aos meus ouvidos num futuro próximo... Por vezes o cansaço do corpo permite à mente libertar-se e expressar o que o coração realmente busca, violando todas as leis da sociedade e o que apelam de politicamente correcto. Para o bem ou para o mal [espero que para o bem!] gosto de saber que as minhas palavras trocadas não são ocas ou descartáveis, que são sentidas e que só a nós dois pertencem.

Quem me dera fazer sentido de uma ou outra situação, até porque são muitas as ocasiões que a procuramos à janela e nunca a encontramos ao mesmo tempo. Ora quando contava surpreender quem me faz sonhar todos os dias, acabo por ser eu o surpreendido ao descobrir que a encontrámos finalmente no mesmo instante, e nós tão longe um do outro. Coincidência é uma palavra que não consta do meu dicionário.

Pessoalmente odeio o silêncio que oculta uma resposta. Se me dessem a escolher preferia sempre conhecê-la, fosse positiva ou negativa, porque deixar alguém à deriva é bem pior! Questiono se será por vergonha, por ir contra a racionalidade do pensamento ou um qualquer ideal, ou ainda por significar que ao responder estaria a dar tempo de antena ao coração e com isso derrubar uma parede que até aí sempre se manteve firme. Pois não sei... Sei que esse silêncio já não cria expectativas que me deixavam desesperadamente ansioso, já o aceitei como um sendo um bicho de hábitos, por isso retomo ao que tinha parado de fazer e deixo entregue ao destino a possibilidade de uma resposta.

Ah! O telegrama! Ora fosse isto um telegrama estaria pobre, loucamente enamorado mas pobre. Infelizmente o momento não é favorável ao coração, uma vez que, entre outras coisas, preferia deixar o papel de lado e percorrer o teu corpo com a mesma mão que muitas palavras teria para te contar e, o que as reticências depois daquela letra S escondiam, é um sentimento bem maior que deveria ter começado por um e jamais ser censurado. Provavelmente o susto teria sido maior, sei-o bem, mas por favor não te assustes com a sinceridade de quem escreveu aquelas palavras, que jamais estariam ali se não te desejasse e te respeitasse tanto!

Que o teu fim-de-semana seja pacífico e cheio de alegrias.

Besos.

sábado, setembro 10, 2011

A perfeição da (tua) escrita

Ainda não comecei a folhear as páginas da aventura do bichano, suspiro pois dou por mim preso às palavras manuscritas com a tinta espalhada pela tua mão. Dedico-me a elas e, tento viajar no tempo à tua procura, à procura do momento em que te sentaste a pensar em mim, aquele pequeníssimo momento que dedicaste alguns minutos do teu valioso tempo e que com cuidado pousaste a mão na áspera folha, preenchendo-a. Será que estudaste as palavras ou a imagem da minha pessoa foi suficiente para que o teu pulso guiasse a mão sem hesitação alguma? Como gostava de descobrir... 

Sorri ao perceber que o pensamento correu mais depressa do que a mão podia acompanhar, pois ficou visto que a adição dessa palavra, agora bem apertadinha no canto, tinha ficado esquecida ao fim da primeira leitura. Só tu saberás o motivo, assim poderei tentar deduzir que o tempo escasseava ou poderia significar que a paixão colocada naquelas palavras deu azo a um lapso perfeitamente inocente. 

Se ao encontrares, o que tanto procuraste para me oferecer, descobriste a felicidade, então fica a saber que as tuas palavras foram a verdadeira prenda, preenchendo o espaço vazio do escravo coração. Foram que nem pó mágico num sonho de noite de Verão, iluminando o longo e árduo caminho até aos jardins onde a felicidade descansa ao sol, onde a mesma recebe todos de braços abertos, perfumada pelos aromas de todas as flores ali espalhadas.

Foi sem dúvida um tesouro precioso que recebi, que vou estimar e guardá-lo que nem um cavaleiro da antiga corte fiel à sua donzela.

Fosse o dia noite, o lugar público mais privado, e outras tantas circunstâncias proibidas de serem relatadas, e ter-te-ia agradecido não com um sincero obrigado mas sim com um amo-te. Sim, sei que não sou perfeito...

sexta-feira, setembro 09, 2011

Porque faço eu perguntas a perguntas que já sei a resposta...

O momento mais doce do dia logo desaparece com um desviar de olhar, morre nas palavras amargas que lhe pertencem e ecoam durante os dias seguintes. Nada muda. A penitência volta a cobrir o coração com o seu manto negro, o peso da dor é imensurável...

sexta-feira, setembro 02, 2011

Tudo o que acontece à noite, à noite pertence

«Tudo o que acontece à noite, à noite pertence.» Poderia resumir a esta frase o que me aconteceu ontem, contudo sei que são muitos os interessados na coscuvilhice do que o Pedro anda a fazer e com quem! Calma, nada de colocar a carroça à frente dos bois porque, aviso já, a mente viaja sempre até ao mesmo destino, onde a musa vive. Porém apercebi-me que tinha de saciar a sede que atormenta o coração e que mexe comigo.

Queria deixar aquele momento preso no silêncio da mente mas é impossível, pois foi uma ocasião que penso tão depressa não acontecer, que criou um reboliço e que fez rugir o leão dentro de mim.

Adoro ser surpreendido quando menos estou à espera, toca-me naquele ponto fulcral e sensível, acho não ser o único a partilhar deste sentimento quando naquele momento nenhum pensamento ocupa a mente com questões, quando as defesas estão baixo e, aí, fico preso naquele pequeníssimo espaço de tempo, sem conseguir prestar atenção à conversa que se inclinava na mesa, somente reagindo com sorriso aos sorrisos dos outros, a abanar a cabeça em concordância só porque alguém o faz. É naquele momento em que a música que atravessa a sala ecoa abafada nos nossos ouvidos e, o nosso olhar segue os movimentos de uma pessoa em particular...

É sem dúvida alguma que posso afirmar que quem me fazia companhia nada notou, ou assim espero porque seria embaraçoso, por outro lado o alvo do meu olhar notou sim aquele movimento fugidio, como se tivesse acabado de apanhar um criminoso em flagrante. Certamente estará habituada, pois a noite e os seus abusos levam a esses excessos, contudo aquela intensidade, de nada assustadora, talvez um pouco intimadora, deixava-a pouco à vontade. Sei que é a minha leitura dos acontecimentos, ainda assim talvez justifique ela ter dado a volta ao balcão para queimar um cigarro ou, é claro, era somente uma mera pausa e este eterno enamorado estivesse alterado e ligeiramente alcoolizado, culpa da sangria por altura do jantar.

Confesso que procurei o seu olhar mas nunca o enfrentei, sim, tenho explicação para tal falta de coragem, se assim pudermos chamar, passarei a dissecá-la mais à frente, por agora estava ali preso naquele jogo de olhares cruzados e, poderia jurar que algumas palavras trocadas com uma colega guardavam um pedido em espécie de confirmação, como se lhe pedisse para tentar perceber se era impressão dela ou se ela era alvo da atenção daquela pessoa. Independentemente disso ouve ali faísca sempre que os olhares não resistiam em se encontrar. Não deixou de ser engraçado, ao ponto de esquecer um pedido de um colega meu, justificando-se que estava distraída sem saber bem porquê. Sorri imediatamente, sem conseguir ocultar tal reacção impulsiva. Não me recordo de qualquer tópico trazido à mesa, estava completamente hipnotizado, observando cada pormenor, desde o seu andar descontraído naqueles ténis da adidas ao cabelo que empurrava por detrás do ombro, enrolando por vezes um dedo por entre os seus fios.

Claro que à memória vinham flashes de uma face mais importante, cheio de significado, logo questionava o que se estava a passar ali, afinal de contas o que queria eu? Afastei todas as imagens ou sons que tentavam acordar-me daquele sono desperto e hipnótico, afinal de contas sentia-me bem de novo, sentia que realmente não valia a pena preocupar-me com recusas mas sim aproveitar as oportunidades que se presenteavam inesperadamente. Para minha revolta e dor a hora de abandonar aquele lugar chegara, eles rapidamente levantaram-se e dirigiram-se para a porta, porém fiquei para trás, lentamente peguei no casaco e cachecol e preparei-me para segui-los. Esse foi o tempo suficiente para ela se dirigir à mesa e por dois segundos fazer tremer o coração, ali olhos nos olhos, agradeci o serviço e desejei boa noite, que estupidez! De tudo o que queria ter-lhe dito saiu-me aquilo, enfim, percebo que a minha companhia não era a mais oportuna nem mesmo a situação de trabalho que me tinha arrastado até ali... Bem... Aquele confronto de olhares pareceu durar horas, um pouco como nos filmes quando através um slow motion prolongam uma acção emotiva. "Estúpido!" gritava cá dentro para mim mesmo, não era aquilo que queria ter perguntado mas sim o seu nome. Deveras uma estupidez, um nome, um número, qualquer coisa teria sido melhor em comparação com aquelas palavras estúpidas, como lamentei-o no caminho para casa e já no hotel. Caminhei devagar para a saída, tentava disfarçar e olhar para trás, desejando nunca ali ter estado com aquelas pessoas mas sim com amigos onde outras condições proporcionassem um final diferente, ou assim desejava...

Não parava de reflectir e divagar naquele filme que tinha vivido, a adrenalina ainda a correr e percorrer as minhas veias, nem um pingo de sono, sentia-me vivo como à muito tempo não acontecia, queria mais daquela droga que me deixava em pleno êxtase, aquela ânsia esfomeada. Apercebi-me que andei este tempo todo na rotina de um morto-vivo, apercebi-me do que tinha a fazer e, por mais que lá quisesse voltar, a solução encontra-se mais perto de casa...

Tudo o que acontece à noite, à noite pertence, é verdade e assim poderia ter sido, se o fosse, só duas pessoas saberiam, eu e ela e mais ninguém...

segunda-feira, agosto 15, 2011

Abraço

Hoje, ao reencontrar-te, soube tão bem mas tão bem sentir os teus braços em redor do meu corpo, apertando-o numa saudade que nenhum telefonema ou palavra poderia alguma vez descrever ou fazer-lhe justiça.

Hesitei um pouco perante a contemplação de dois pares de olhos que nos encaravam como bichos do mato, certamente longe de estarem habituados a tal manifestação. Claro que a principal razão foi saber que juízos seriam logo formados, e comentados posteriormente, depressa surgiriam mais rumores e boatos, uns atrás dos outros. É uma estupidez, bem sei, mas as pessoas passam uma vida inteira sem saber apreciar o que faz de nós pessoas, diferentes de todos os seres neste mundo e, fechados dentro o seu próprio mundo isolam-se de todo o tipo de contacto que tanto precisamos, mesmo que jamais alguém o confesse, assim ao deslumbrarem tal expressão de amizade e cumplicidade ficam especados a olhar como a lei mais importante à face da terra tivesse acabado de ser violada.

Fica a promessa que quando voltar a avistar-te, uma vez que chegaste e fugiste logo para terras castelhanas, que estarei de braços abertos para te acolher nesse entrelaçado, sentido e duradouro, o tipo de abraço que o tempo não pode roubar e que alimenta a alma solitária aqui do amigo.

segunda-feira, agosto 08, 2011

O que diria o amor se olhasse sobre o mundo de hoje?

Sinto-me triste ao ver que já ninguém escreve cartas de amor, poucos são aqueles que pegam numa flor e a oferecem à pessoa que os faz sonhar, mas acima de tudo já ninguém luta por amor. Bem, se lutam a resistência que encontram é por demais aterradora até para ser descrita, desmotivando o maior crente.

Sempre que recordo a minha infância sorrio, pois nela escrevia inocentes cartas de amor para aquela menina que chegou perto de mim, que sentada dentro de um bidão na escola, normalmente utilizado como túnel para tantas brincadeiras, ali naquele espaço confino suporta a cabeça de um menino perdido na sua ingenuidade. De todos as memórias, aquele em particular, guarda uma história especial, onde as palavras ecoadas acabam por se perder na brisa daquele dia mais ameno. O aproximar dos olhos delas dizem mais do que a mais bela balada musical, até que aquele menino os deixa de deslumbrar...

É quando abro esse livro de memórias que lembro-me daquela expressão, tão banalizada nestes dias que passam a correr, que já foi mesmo usada no meio publicitário pela a avó que dizia «Eu ainda sou do tempo...». Pois, eu ainda sou do tempo em que as primaveras era mais desejadas e apaixonadas, onde a brisa empurrava aquele rapaz envergonhado até à rapariga tímida. Ainda sou do tempo que recebia mais cartas da pessoa amada no correio do que publicidade. Ainda sou do tempo quando as pessoas passeavam de mão dada, dedos entrelaçados e que sempre que se apercebiam disso sorriam uma para a outra sem precisarem de pronunciar qualquer palavra. Ainda sou do tempo em que num jardim qualquer um casal sentava-se num banco de jardimm ali perante os olhos da Mãe natureza apreciavam a companhia um do outro, juravam amor e simplesmente viviam.

Hoje a realidade é cinzenta, queremos fugir de encontro ao passado mas o tempo empurra-nos na direcção oposta. Não consigo suportar a nebulosidade das pessoas desfilam na rua, sem vida, sem sorrisos, sempre a olhar de lado na desconfiança. Talvez por esta e por outras o sol esteja mais envergonhado para aparecer e dar cor ao mundo...

sexta-feira, julho 29, 2011

«They say if you love something let it go 
If it comes back it's yours 
That's how you know 
It's for keeps»