sábado, setembro 17, 2011

Vícios solitários

As horas mortas no emprego dão para acertar cada detalhe das nossas vidas, hoje lembrei-me de pegar no telemóvel e abrir aquela pequena caixa de mensagens que tanto guarda. Deslizando o dedo até ao fim da lista comecei a ler cada linha de texto e a eliminar todo o conjunto de palavras que não me traziam memórias de momentos ou pessoas especiais.

Apago uma aqui, outra acolá, sorrio perante aquelas mensagens, um convite para almoço, a preocupação para saber como a pessoa está, um agradecimento ou a beleza de certas palavras, enfim, um autêntico diário ali compactado. Tudo parecia bem encaminhado até sentir que bati inesperadamente numa parede a alta velocidade! Ali permaneci, muito bem sem saber o que fazer ou como reagir a uma frase lida e relida... Vício e solidão na mesma reunião de palavras não soava correcto, não soou naquela altura, ainda menos faz hoje. Pior é que temo que o medo que a atormentava na altura possa ser a realidade de hoje, sei que estou a meter a pata onde não devo mas é impossível ficar calado perante o que penso serem factos. Assim sendo apresento de ante mão as minhas mais sinceras desculpas por qualquer palavra que se siga que possa magoar.

Ter como um vício a solidão é simplesmente agitar uma grande bandeira branca ao mundo e, escondermo-nos entre quatro paredes, permanecendo bem agachados e silenciosos a um canto, baixando a nossa cabeça perante o desconhecido do que a vida tem para oferecer. Não direi que é fácil dar um passo em frente sem saber se o trilho apresenta armadilhas, porém é preciso arriscar para chegarmos a bom porto, é preciso não recear perder o que temos para conquistar uma melhor recompensa e, quem sabe se essa recompensa é finalmente a felicidade verdadeira e não uma falsa prosperidade do coração.

Será que uma pessoa chega a um ponto na vida que até já abraça a solidão pois aprendeu a tolerá-la, convidando-a a fazer parte da sua rotina, a partilhar uma refeição em silêncio, a folhear um livro que acaba depressa demais ou um cigarro que convida a um olhar à janela, avistando a lua que habita o seu espaço igualmente solitário.

Sinceramente espero que esse vício não seja alimentado, pois a distância é destruidora e não poupa esforços para magoar o coração, para o ver a sofrer de saudades, principalmente quando precisamos do aperto de um abraço sentido de quem nos ama, a pessoa que partilha uma refeição ao som de uma qualquer conversa, que partilha um filme e aconchega a cabeça no nosso ombro ou que ao ritmo de uma música dança connosco, que chegue perto de nós e, ali à janela, coloque os braços em redor da cintura enquanto percebemos que afinal a lua não está só mas sim rodeada de inúmeras estrelas que não a abandonam.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Quando te perco à sexta-feira


Porque é à sexta-feira que te acabo por perder para o fim-de-semana que hoje faço questão de te saudar e tentar colocar um sorriso por entre esses delicados lábios conforme me leias. Olá chica! Saudação breve, que nem telegrama expedido com o teu nome no topo da página. 

Bem, se assim o fosse seria agora altura de dizer stop, assim poderia ser, porém não interessa o número de caracteres usados ou o valor monetário da mensagem [tudo bem que aqui é gratuito, mas isso não interessa!], o que interessa é que sexta-feira atrás de sexta-feira lembro e relembro-me que na agenda  dos meses que já nos abandonaram ficaram marcadas datas de dias que combinámos cruzar-nos por hora do almoço. Durante algumas horas partilhámos novas experiências e trocámos impressões, passámos por momentos mais, como dizer, inconvenientes, especialmente para aquela menina que adoro e nada gosta de revelar ou deixar perceber o que o coração sente. Revivo esses momentos de bom grado e deixo levar-me pelos ponteiro do relógio sem lhes dar grande importância. 

Ainda ontem, a senhora que vive perto da estação de comboio considerava-me o ultra romântico do século XXI, confesso que inundou o meu ego com tal afirmação e, deixou-me de sorriso largo nesta face cansada, exagero certo de uma pessoa mais que suspeita. E mais não digo!

Nestes últimos dias fiz saber, num tom bem explícito [talvez demasiado!?], alguns desejos que acabaram por assustar a minha musa. Contudo não sei se foi um susto dos bons ou dos maus, gostava de o saber mas duvido que seja revelado aos meus ouvidos num futuro próximo... Por vezes o cansaço do corpo permite à mente libertar-se e expressar o que o coração realmente busca, violando todas as leis da sociedade e o que apelam de politicamente correcto. Para o bem ou para o mal [espero que para o bem!] gosto de saber que as minhas palavras trocadas não são ocas ou descartáveis, que são sentidas e que só a nós dois pertencem.

Quem me dera fazer sentido de uma ou outra situação, até porque são muitas as ocasiões que a procuramos à janela e nunca a encontramos ao mesmo tempo. Ora quando contava surpreender quem me faz sonhar todos os dias, acabo por ser eu o surpreendido ao descobrir que a encontrámos finalmente no mesmo instante, e nós tão longe um do outro. Coincidência é uma palavra que não consta do meu dicionário.

Pessoalmente odeio o silêncio que oculta uma resposta. Se me dessem a escolher preferia sempre conhecê-la, fosse positiva ou negativa, porque deixar alguém à deriva é bem pior! Questiono se será por vergonha, por ir contra a racionalidade do pensamento ou um qualquer ideal, ou ainda por significar que ao responder estaria a dar tempo de antena ao coração e com isso derrubar uma parede que até aí sempre se manteve firme. Pois não sei... Sei que esse silêncio já não cria expectativas que me deixavam desesperadamente ansioso, já o aceitei como um sendo um bicho de hábitos, por isso retomo ao que tinha parado de fazer e deixo entregue ao destino a possibilidade de uma resposta.

Ah! O telegrama! Ora fosse isto um telegrama estaria pobre, loucamente enamorado mas pobre. Infelizmente o momento não é favorável ao coração, uma vez que, entre outras coisas, preferia deixar o papel de lado e percorrer o teu corpo com a mesma mão que muitas palavras teria para te contar e, o que as reticências depois daquela letra S escondiam, é um sentimento bem maior que deveria ter começado por um e jamais ser censurado. Provavelmente o susto teria sido maior, sei-o bem, mas por favor não te assustes com a sinceridade de quem escreveu aquelas palavras, que jamais estariam ali se não te desejasse e te respeitasse tanto!

Que o teu fim-de-semana seja pacífico e cheio de alegrias.

Besos.

sábado, setembro 10, 2011

A perfeição da (tua) escrita

Ainda não comecei a folhear as páginas da aventura do bichano, suspiro pois dou por mim preso às palavras manuscritas com a tinta espalhada pela tua mão. Dedico-me a elas e, tento viajar no tempo à tua procura, à procura do momento em que te sentaste a pensar em mim, aquele pequeníssimo momento que dedicaste alguns minutos do teu valioso tempo e que com cuidado pousaste a mão na áspera folha, preenchendo-a. Será que estudaste as palavras ou a imagem da minha pessoa foi suficiente para que o teu pulso guiasse a mão sem hesitação alguma? Como gostava de descobrir... 

Sorri ao perceber que o pensamento correu mais depressa do que a mão podia acompanhar, pois ficou visto que a adição dessa palavra, agora bem apertadinha no canto, tinha ficado esquecida ao fim da primeira leitura. Só tu saberás o motivo, assim poderei tentar deduzir que o tempo escasseava ou poderia significar que a paixão colocada naquelas palavras deu azo a um lapso perfeitamente inocente. 

Se ao encontrares, o que tanto procuraste para me oferecer, descobriste a felicidade, então fica a saber que as tuas palavras foram a verdadeira prenda, preenchendo o espaço vazio do escravo coração. Foram que nem pó mágico num sonho de noite de Verão, iluminando o longo e árduo caminho até aos jardins onde a felicidade descansa ao sol, onde a mesma recebe todos de braços abertos, perfumada pelos aromas de todas as flores ali espalhadas.

Foi sem dúvida um tesouro precioso que recebi, que vou estimar e guardá-lo que nem um cavaleiro da antiga corte fiel à sua donzela.

Fosse o dia noite, o lugar público mais privado, e outras tantas circunstâncias proibidas de serem relatadas, e ter-te-ia agradecido não com um sincero obrigado mas sim com um amo-te. Sim, sei que não sou perfeito...

sexta-feira, setembro 09, 2011

Porque faço eu perguntas a perguntas que já sei a resposta...

O momento mais doce do dia logo desaparece com um desviar de olhar, morre nas palavras amargas que lhe pertencem e ecoam durante os dias seguintes. Nada muda. A penitência volta a cobrir o coração com o seu manto negro, o peso da dor é imensurável...

sexta-feira, setembro 02, 2011

Tudo o que acontece à noite, à noite pertence

«Tudo o que acontece à noite, à noite pertence.» Poderia resumir a esta frase o que me aconteceu ontem, contudo sei que são muitos os interessados na coscuvilhice do que o Pedro anda a fazer e com quem! Calma, nada de colocar a carroça à frente dos bois porque, aviso já, a mente viaja sempre até ao mesmo destino, onde a musa vive. Porém apercebi-me que tinha de saciar a sede que atormenta o coração e que mexe comigo.

Queria deixar aquele momento preso no silêncio da mente mas é impossível, pois foi uma ocasião que penso tão depressa não acontecer, que criou um reboliço e que fez rugir o leão dentro de mim.

Adoro ser surpreendido quando menos estou à espera, toca-me naquele ponto fulcral e sensível, acho não ser o único a partilhar deste sentimento quando naquele momento nenhum pensamento ocupa a mente com questões, quando as defesas estão baixo e, aí, fico preso naquele pequeníssimo espaço de tempo, sem conseguir prestar atenção à conversa que se inclinava na mesa, somente reagindo com sorriso aos sorrisos dos outros, a abanar a cabeça em concordância só porque alguém o faz. É naquele momento em que a música que atravessa a sala ecoa abafada nos nossos ouvidos e, o nosso olhar segue os movimentos de uma pessoa em particular...

É sem dúvida alguma que posso afirmar que quem me fazia companhia nada notou, ou assim espero porque seria embaraçoso, por outro lado o alvo do meu olhar notou sim aquele movimento fugidio, como se tivesse acabado de apanhar um criminoso em flagrante. Certamente estará habituada, pois a noite e os seus abusos levam a esses excessos, contudo aquela intensidade, de nada assustadora, talvez um pouco intimadora, deixava-a pouco à vontade. Sei que é a minha leitura dos acontecimentos, ainda assim talvez justifique ela ter dado a volta ao balcão para queimar um cigarro ou, é claro, era somente uma mera pausa e este eterno enamorado estivesse alterado e ligeiramente alcoolizado, culpa da sangria por altura do jantar.

Confesso que procurei o seu olhar mas nunca o enfrentei, sim, tenho explicação para tal falta de coragem, se assim pudermos chamar, passarei a dissecá-la mais à frente, por agora estava ali preso naquele jogo de olhares cruzados e, poderia jurar que algumas palavras trocadas com uma colega guardavam um pedido em espécie de confirmação, como se lhe pedisse para tentar perceber se era impressão dela ou se ela era alvo da atenção daquela pessoa. Independentemente disso ouve ali faísca sempre que os olhares não resistiam em se encontrar. Não deixou de ser engraçado, ao ponto de esquecer um pedido de um colega meu, justificando-se que estava distraída sem saber bem porquê. Sorri imediatamente, sem conseguir ocultar tal reacção impulsiva. Não me recordo de qualquer tópico trazido à mesa, estava completamente hipnotizado, observando cada pormenor, desde o seu andar descontraído naqueles ténis da adidas ao cabelo que empurrava por detrás do ombro, enrolando por vezes um dedo por entre os seus fios.

Claro que à memória vinham flashes de uma face mais importante, cheio de significado, logo questionava o que se estava a passar ali, afinal de contas o que queria eu? Afastei todas as imagens ou sons que tentavam acordar-me daquele sono desperto e hipnótico, afinal de contas sentia-me bem de novo, sentia que realmente não valia a pena preocupar-me com recusas mas sim aproveitar as oportunidades que se presenteavam inesperadamente. Para minha revolta e dor a hora de abandonar aquele lugar chegara, eles rapidamente levantaram-se e dirigiram-se para a porta, porém fiquei para trás, lentamente peguei no casaco e cachecol e preparei-me para segui-los. Esse foi o tempo suficiente para ela se dirigir à mesa e por dois segundos fazer tremer o coração, ali olhos nos olhos, agradeci o serviço e desejei boa noite, que estupidez! De tudo o que queria ter-lhe dito saiu-me aquilo, enfim, percebo que a minha companhia não era a mais oportuna nem mesmo a situação de trabalho que me tinha arrastado até ali... Bem... Aquele confronto de olhares pareceu durar horas, um pouco como nos filmes quando através um slow motion prolongam uma acção emotiva. "Estúpido!" gritava cá dentro para mim mesmo, não era aquilo que queria ter perguntado mas sim o seu nome. Deveras uma estupidez, um nome, um número, qualquer coisa teria sido melhor em comparação com aquelas palavras estúpidas, como lamentei-o no caminho para casa e já no hotel. Caminhei devagar para a saída, tentava disfarçar e olhar para trás, desejando nunca ali ter estado com aquelas pessoas mas sim com amigos onde outras condições proporcionassem um final diferente, ou assim desejava...

Não parava de reflectir e divagar naquele filme que tinha vivido, a adrenalina ainda a correr e percorrer as minhas veias, nem um pingo de sono, sentia-me vivo como à muito tempo não acontecia, queria mais daquela droga que me deixava em pleno êxtase, aquela ânsia esfomeada. Apercebi-me que andei este tempo todo na rotina de um morto-vivo, apercebi-me do que tinha a fazer e, por mais que lá quisesse voltar, a solução encontra-se mais perto de casa...

Tudo o que acontece à noite, à noite pertence, é verdade e assim poderia ter sido, se o fosse, só duas pessoas saberiam, eu e ela e mais ninguém...

segunda-feira, agosto 15, 2011

Abraço

Hoje, ao reencontrar-te, soube tão bem mas tão bem sentir os teus braços em redor do meu corpo, apertando-o numa saudade que nenhum telefonema ou palavra poderia alguma vez descrever ou fazer-lhe justiça.

Hesitei um pouco perante a contemplação de dois pares de olhos que nos encaravam como bichos do mato, certamente longe de estarem habituados a tal manifestação. Claro que a principal razão foi saber que juízos seriam logo formados, e comentados posteriormente, depressa surgiriam mais rumores e boatos, uns atrás dos outros. É uma estupidez, bem sei, mas as pessoas passam uma vida inteira sem saber apreciar o que faz de nós pessoas, diferentes de todos os seres neste mundo e, fechados dentro o seu próprio mundo isolam-se de todo o tipo de contacto que tanto precisamos, mesmo que jamais alguém o confesse, assim ao deslumbrarem tal expressão de amizade e cumplicidade ficam especados a olhar como a lei mais importante à face da terra tivesse acabado de ser violada.

Fica a promessa que quando voltar a avistar-te, uma vez que chegaste e fugiste logo para terras castelhanas, que estarei de braços abertos para te acolher nesse entrelaçado, sentido e duradouro, o tipo de abraço que o tempo não pode roubar e que alimenta a alma solitária aqui do amigo.

segunda-feira, agosto 08, 2011

O que diria o amor se olhasse sobre o mundo de hoje?

Sinto-me triste ao ver que já ninguém escreve cartas de amor, poucos são aqueles que pegam numa flor e a oferecem à pessoa que os faz sonhar, mas acima de tudo já ninguém luta por amor. Bem, se lutam a resistência que encontram é por demais aterradora até para ser descrita, desmotivando o maior crente.

Sempre que recordo a minha infância sorrio, pois nela escrevia inocentes cartas de amor para aquela menina que chegou perto de mim, que sentada dentro de um bidão na escola, normalmente utilizado como túnel para tantas brincadeiras, ali naquele espaço confino suporta a cabeça de um menino perdido na sua ingenuidade. De todos as memórias, aquele em particular, guarda uma história especial, onde as palavras ecoadas acabam por se perder na brisa daquele dia mais ameno. O aproximar dos olhos delas dizem mais do que a mais bela balada musical, até que aquele menino os deixa de deslumbrar...

É quando abro esse livro de memórias que lembro-me daquela expressão, tão banalizada nestes dias que passam a correr, que já foi mesmo usada no meio publicitário pela a avó que dizia «Eu ainda sou do tempo...». Pois, eu ainda sou do tempo em que as primaveras era mais desejadas e apaixonadas, onde a brisa empurrava aquele rapaz envergonhado até à rapariga tímida. Ainda sou do tempo que recebia mais cartas da pessoa amada no correio do que publicidade. Ainda sou do tempo quando as pessoas passeavam de mão dada, dedos entrelaçados e que sempre que se apercebiam disso sorriam uma para a outra sem precisarem de pronunciar qualquer palavra. Ainda sou do tempo em que num jardim qualquer um casal sentava-se num banco de jardimm ali perante os olhos da Mãe natureza apreciavam a companhia um do outro, juravam amor e simplesmente viviam.

Hoje a realidade é cinzenta, queremos fugir de encontro ao passado mas o tempo empurra-nos na direcção oposta. Não consigo suportar a nebulosidade das pessoas desfilam na rua, sem vida, sem sorrisos, sempre a olhar de lado na desconfiança. Talvez por esta e por outras o sol esteja mais envergonhado para aparecer e dar cor ao mundo...

sexta-feira, julho 29, 2011

«They say if you love something let it go 
If it comes back it's yours 
That's how you know 
It's for keeps»
 

quinta-feira, julho 28, 2011

Rumores, boatos e nenhum proveito

Meus Deus, diz aqui o agnóstico para si mesmo, o quanto este meu sorriso tem visto a luz do dia perante a troca de palavras aqui e acolá sobre possíveis relações, um tanto ou quanto mais íntimas diga-se, que acabam por me colocar nas conversas de esquina e que, para minha infelicidade, são meramente irreais uma vez que não me lembro de ter tido algum proveito ou sentido o toque directo de um beijo nos meus lábios. Contudo não consigo evitar achar tudo engraçado ao ponto de não conter aquela gargalhada viva ao comentar com as pessoas que tal como eu são o alvo dessas palavras culpadas.

Ao menos se acertassem no alvo acharia menos piada, porém talvez significasse que estaria no bom caminho para chegar a esse tão desejado porto. Assim, que todos os mensageiros saibam que este barco à deriva segue ao sabor das ondas, aquelas que espero que me levem ao seu encontro mesmo sabendo que ela não estará à minha espera, pelo menos a brisa assim confessou ao visitar-me. A única certeza que tenho para manter este barco esperançoso à deriva é que o mensageiro que até hoje nunca falhou todos os dias manifesta-se iluminando a fria noite, bem alto no céu, alguém a quem posso confessar o quanto ela significa e é importante, quantos os sonhos ansiosos por uma realidade falam dela carinhosamente e, finalmente, num estado de fraqueza após tanto tempo ao contar as ondas da corrente, respiro fundo e questiono quanto mais o tempo vai castigar tal dedicação... Que faça esta barco afundar-se de uma vez por todas ou então que as ondas corram para o deixar em terra.

No nascer da manhã confio nesse mensageiro para entregar todos aqueles votos enamorados à sua janela e, na incerteza, espero que essa moldura se encontre desimpedida e livre para fazer o tecido que a adorna dançar ao som das palavras que a procuram e a amam...

segunda-feira, julho 25, 2011

Saudosa partida

Foi tão rápido que não houve tempo para um abraço sentido e dois beijos nessas bochechas rosadas, bem, para dizer verdade nem te deslumbrei debaixo do sol ardente... As saudades serão exageradamente enormes e as oportunidades de percorrermos mil e um eventos deixadas ao abandono. Ainda por cima quando a distância que outrora nos separava é agora tão próxima!

Pior que isso foi acordar para a realidade de só ter a certeza de te rever daqui a meio mês passado, aquele tipicamente escaldante, porém apercebo-me após rápida consulta que poderá ser mesmo um mês por completo, sabendo que andarás, mesmo que em trabalho, pelo Paseo del Prado ou por onde quer que o teu caminhar, ou obrigação, te leve.

Aprecia agora o descanso nesse monte do sossego e de paz, que o despertador seja o som dessas duas crianças sorridentes e atrevidas, que a noite acorde com os pequenos grilos a contar estrelas, em suma, que o tempo seja generoso e permita que a harmonia da vida te convide para dançar uma valsa verdadeiramente mágica.

segunda-feira, julho 18, 2011

Momentos inesquecíveis

E... foram dois dias fantásticos e na melhor das companhias. Que saudades sentia de guiar estrada fora, mesmo que relativamente perto de Lisboa, com o pôr-de-sol nos retrovisor e a lua a despertar no horizonte, de cantar, rir e sorrir, aquele prazer de seguir livre e sem restrições, de sentir-me vivo e sentir a ânsia do novo à flor da pele. 

Não interessa o tempo ganho a carregar no acelerador ou o tempo perdido nas longas filas, e que longas eram no primeiro dia, o que interessava foi o espírito de aventura e amizade! O pára e arranca onde acabámos por encalhar foi motivo para gargalhadas e um dançar de palavras dentro do carro, que nos animou e aprofundou esta já sólida relação de uma harmoniosa amizade. Lembro-me dela ter comentado no segundo dia, um tanto ou quanto surpreendida, a falta de uma longa fila, isto porque já que tinha preparado um farnel para o desgraçado pára arranca, assim foi só nos últimos e famosos quilómetros, os tais seis, que deitámos mão ao saco e mordemos as iguarias.

Ao contrário de quinta, sexta foi um pouco mais entornada, saberá dizê-lo, mesmo sem o ver, aquela menina que ficou sem resposta para dar a algumas palavras, minhas diga-se, mais ousadas. Porém, nada condicionou ou facilitou essas mesmas letras coladas umas às outras, somente o estado em que se encontrava aquele corpo, mexendo-se ao som da música e como que num abrir e fechar de olhos a pudesse imaginar ali, braços em volta do pescoço dele, as mãos dele contornado a sua cintura, sem uma palavra ouvida os seus olhares perdidamente hipnotizados um pelo outro, como se um puxasse o outro e o convidasse a aproximar-se, pequenos passos sobre aquelas acanhadas colinas de areia ao ritmo daquele som que silenciava todo aquele ruído que os rodeava. Era agora mais evidente a ansiedade na respiração, as palavras à distância ecoavam na mente deserta ao mesmo tempo que os lábios... bem... um empurrão da moça ao meu lado trazia-me de volta à verdadeira realidade, embora não fosse preciso estar para aqui a divagar no filme que muitas vezes estreou na minha mente. 

Acho que perdi a noção das vezes que disse - não me quer mas também não me larga - sim é verdade, acabava por desabafar perante o seu silêncio, contudo num tom humorístico perante uma negação pessoal, mas já sei, já sei, ando a ver filme numa qualquer língua estrangeira e por isso não entendo o que é dito e acabo por imaginar o argumento, claro que sei bem que a teimosia taurina também não ajuda!

Loucuras sentimentais à parte, senti-me como um jovem de vinte anos, claro que a minha adorada flor de girassol, que quer seja dia ou noite está sempre ali, cheia de energia, com o mais maravilhoso e expressivo sorriso, foi uma grande contribuição para toda a alegria que pairou no ar. Outra coisa não seria de esperar de tão doce ser humano, que num agarrar de mão confiou na minha liderança, que com um pequeno toque de ombro me chamou à atenção, que riu e sorriu vezes sem conta comigo, ou até de mim, sim é verdade, que me aturou quando a minha atenção dispersou-se para o lado utópico do amor, enfim, simplesmente maravilhosa! Mal sabes como te adoro! E foi um prazer deixar uma bela adormecida, literalmente, sã e salva em casa, ao contrário do que se possa pensar nem sempre se deve acordá-la...

Resta-me só acrescentar que o beijo do tamanho de uma música inteira será cobrado! Fica aqui o aviso registado.

quarta-feira, julho 13, 2011

Na minha ignorância dou demasiada importância às histórias de outros contadas por segundos, depois chateio-me com o meu eu. Tenho de aprender que só comprovando por mim mesmo é que posso ser juiz da sentença verdadeira. A umas horas atrás cruzavas dos dedos na esperança de estar errado, agora vejo que não havia motivos para os sequer ter cruzado. Talvez me tenha esquecido de como os amigos se relacionam e de como a nossa presença pode ser requisitada, sem dia ou hora marcada, mas ouvir os seus desabafos, para ouvir os seus delírios ou simplesmente para que a nossa voz seja ouvida e serene os receios crucificados pelos sentimentos.

O tempo passou a correr, o sorriso depois da despedida é a boa disposição que não tinhas e o prémio por saber que contribui para que nesta noite o teu sono seja tranquilo, pacífico, sem pesadelos que outrora eram como sonhos paradisíacos.

Porém, espero que o mensageiro não tente estrangular este meu pescoço com novas aventuras. Dizem que não se deve matar o mensageiro, contudo este gosta de contar histórias que depois geram confusões e mal entendidos, penso que não hesitaria, um segundo sequer, em travá-lo antes que os estragos sejam maiores e irreparáveis.

terça-feira, julho 12, 2011

Espero estar enganado quando vejo o caminho desencontrado de duas pessoas como justificação para uma possível fuga desesperada a dois, para se reencontrarem com uma falsa felicidade. As palavras partilhadas em privado nos últimos tempo foram sempre transparentes, partilhadas por um sincero amigo. Jamais significaram que duas pessoas ao cruzarem-se devem embarcar numa nova travessia lado a lado. Espero que esteja enganado porque não posso deixar de suspeitar do convite feito, contudo, e antes que a amizade seja prejudicada pela cegueira emocional, aceitei-o como se de um convite inocente fosse, como qualquer outro convite amigo. Espero estar enganado porque o meu corpo vive e respira tranquilidade, não o quero corromper com qualquer tipo de violação quando as palavras não te procuraram mas somente estenderam uma mão amiga, não preciso de tal agressão à mente que renasceu não faz muito tempo e que hoje vive em harmonia com o mundo.

terça-feira, julho 05, 2011

Gato e rato

Recomendado por uma amiga, deixo aqui uma breve, mas muito breve, leitura de um pequeno texto que opina sobre as verdades que não o são, do perfeito amor que oculta a sua tremenda imperfeição e, para finalizar, um precioso conselho. Sem o nunca ter ouvido segui-o no passado, e mesmo apesar do sacrifício ser doloroso par além do que poderia sequer pensar devolveu-me à vida, podendo hoje não me preocupar por quem um dia cantou-me palavras enamoradas, recheadas de uma inocência que já não devia morar em si e que nos empurrou em direcções opostas...

Por estas e por outras, façam o favor de clicar AQUI se assim o entenderem...

Ah! Obrigado à menina que me deu boleia até lá...
Reparei nos diversos sorrisos das vozes amigas que me procuraram hoje, sem surpresa alguma o gesto foi devolvido nas mesma dose, embora de forma mais envergonhada. Sei que a curiosidade poderá ter sido a razão, não porque o motivo é divertido mas sim porque a viagem deste ser poderá tomar no rumo. Cedo demais, é o que poderei afirmar com toda a convicção, é cedo demais para saber onde esse destino me levará, é tudo o que sei e posso atestar.

Foram surpreendente as últimas quarenta e oito horas, bem, talvez mais uma hora ou outra hora... Aquela voz que já parecia ter esquecido escreveu-me, a sua oferta foi justificação suficiente para os olhos deliciarem-se com a sua visão, mesmo que por breves instantes, talvez lamentavelmente. Sei claramente, e sou culpado por o saber de forma consciente, que os meus olhos tentaram faltar ao respeito e penetrar pelo tecido branco, objecto imposto pela sociedade cheia de pudor. Disfarcei. Afinal, se não o fizesse seria criticado e julgado pelo meu desarranjo mental, se assim o quisermos chamar, mas sou só sujeito sedento de prazeres... Apercebi-me que estou a dizer mais do que quis, torturado por essa saborosa memória, é claro!

A noite das primeiras vinte e quatro horas pouco interessa, visto que a recordação pertence-me, a mim mesmo e só a mim. Isto agora não me soou bem! Enfim, é tarde... who cares! O agradecimento devido, em mui nobre carta lacrada, foi enviado e, espero, recebido com satisfação, uma vez que o silêncio foi a única coisa que o vento sussurrou à minha janela. Sei que não devo esperar qualquer tipo de resposta, talvez ficasse mesmo ansioso se a realidade fosse diferente, hoje a indiferença apodera-se de mim mais facilmente.

As vinte e quatros horas seguintes revelaram que o imprevisto ainda é sinal positivo do destino. Um sorriso corado foi o que o primeiro momento deu a conhecer, na sua elegante estatura o segundo acto revelou as primeiras palavras, mesmo que ligeiramente acanhadas, foram de pura simpatia, nada que o brilho por entre os lábio já não tivesse demonstrado. nada que a boa disposição fizesse esquecer no segundo seguinte. O manjar, no inicio daquela tarde, era especial para alguns, quando os pratos finalmente ficaram nus o desejo de saber mais viu-se prisioneiro do tempo, o meu coração arrefeceu depressa demais, alimentando-se das últimas brasas daquela memória gerada. Poderá ser ilusão minha, contudo penso que as palavras escolhidas durante a sua presença não foram sorte do acaso, nelas escondiam-se recados. Espera aí, apercebo-me agora, espreitando o que se esconde por detrás de algumas sombras, que poderei estar a projectar uma utopia futura destruidora de sonhos, será que o cansaço do trabalho esteja a distorcer a minha visão da realidade? De repente começo a temer isso, parar, é isso, vou parar e proteger as palavras que não foram usadas para as não ser em vão, vou deixar o tempo tratar delas, deixá-lo acarinhá-las e limitar a descansar o corpo e mente, bem preciso.

segunda-feira, julho 04, 2011

Sei que daqui à Austrália o caminho tem sido longo, sei igualmente que daqui à Itália a distância é menor mas o desconhecimento, por agora, é maior. Será esta uma nova viagem para a qual não tinha comprado bilhete?

Queria contar tudo, e mais até, mas tenho de correr para a terra dos sonhos porque o tempo hoje é meu inimigo...

segunda-feira, junho 27, 2011

Renascer

O que é bom sempre acaba e, por agora, as minhas férias terminaram. Confesso que começaram de forma atribulada, diria mesmo de forma lamentável, pois naquela pessoa em que sempre pudemos confiar, bem, a verdade é que não é bem assim, e num aperto de coração tudo se evapora. Ora planos frustrados só serviram para uma coisa, pegar em projectos já antes começado, dar-lhes um impulso. Ah! Não me posso esquecer o quanto soube bem passar pelo primeiro dia das Festas de Lisboa na melhor das melhores das companhias!!! Sei que estava reticente mas a tua força electrificou-me noite adentro, e foi bom, foi muito bom e deu para esquecer um oceano de pensamentos naufragados. Mas como dizia eu, voltando ao fado desta vida maldita, que o buraco onde caiu a amizade é fundo demais para talvez a recuperar, como se não bastasse isso o interesse financeiro parece ser hoje maior do que o valor incalculável de uma amizade. Vou tratar então dessa questão e fazer valer o que, escrito preto no branco, foi feito lei.

Perdi uma aposta, aposta essa que tinha esperança, não muita, de poder vencer. Nunca tive sorte ao jogo e, como já tinha referido, a voz experiente da nativa do mesmo signo avisou que a fortuna não bateria à minha porta e, não bateu mesmo... Ao contrário do que se possa pensar não foi um jogo que tinha em mente, somente uma provocação que talvez possa ter sido mal interpretada. Ao tentar expor uma pessoa aos seus próprios impulsos do subconsciente acabei por falhar. Não foram duas semanas mas na terceira a fortuna bateu à porta para meu contentamento. Confesso que estava apreensivo, porque o meu pensamento foi de malvadez mas logo fugiu para outras lugares ao perceber que a bondade das suas palavras transpiravam saudades, mesmo que camufladas pela maldita racionalidade.

O tempo passou e esta terceira semana chegou, para minha tristeza, ao fim. A bem dizer hoje já é dia de trabalho, as férias terminaram, contudo ao contrário de como começaram melhor acabaram, foi uma semana agitada, de muitos sorrisos e risos, de palavras gentis e sentidas, de beijos e abraços entre pessoas que acabaram por de dar uma força que à muito procurava. Eles e elas sabem que são, e agora revendo uma dessas noites, acho que a minha língua desenrolou mais do que devia e o motivo de algumas conversas acabou por ser só um. Foram várias as palavras sábias que me aconselharam sobre os caminhos da vida, tão cedo não serão esquecidas, a vós devo muito!

Durante estas semanas aprendi muito sobre mim mesmo, ao mesmo tempo aprendi muito sobre a vida. Sinto que renasci, mais consciente, mais humano, com ambições mais do que honráveis verdadeiras. Hoje tenho a noção da podridão humana, escravizada pela sociedade e pelos seus valores intragáveis e nojentos. Sei que quem lida comigo diariamente poderá pensar que pouco mudou, sei também que tenho no meu trabalho uma colega que partilha, desde sempre, muito desta revolta, pois ela despertou muito antes que eu. Para que não pensem que enlouqueci peço que espreitem o Movimento Zeitgeist e se possível o documentário de duas horas e quarenta minutos, vale a pena e é sempre bom aprender e despertar a mente.

Neste momento a minha alegria de voltar resume-se a uma pessoa, a uma pessoa que mais logo vou abraçar, como sempre o fiz, forte para saber exactamente a saudade que apertou durante este tempo todo e, decorar a sua face com dois beijos sentidos e só depois largar desse abraço. Sabes muito bem que não me esqueci de ti, mesmo que hoje o tenhas afirmado por entre risos, e lembrar-te-ei sempre que duvidares de mim.

quarta-feira, junho 15, 2011

Completamente fora do contexto habitual do que por aqui se escreve, e se sente, não resisto a anunciar que mais logo, pela noite, haverá um eclipse da lua. Por isso deixem-se eclipsar por ela e não caiam em tentações proibidas! Bem, talvez um pouco...
Não te deixei de amar pois estarei sempre enamorado, somente devolvi-te à vida.

quarta-feira, junho 08, 2011

Não foi preciso duas semanas passarem para uma amiga do signo escorpião me dizer «Nunca apostes com uma escorpiona!». Ri-me no primeiro segundo, mas depois uma carga pesada de arrependimento caiu sobre mim e atirou-me ao chão, percebendo que na provocação dela a verdade daquela frase impunha-se. Não fossem agora sete horas da manhã, a luz lá fora a assustarem este olhos semi-aberto e, não tivesse acabado de ver o filme "Hall Pass", então não estaria a lembrar-me de ti e num mundo futuro partilhado só contigo. As palavras neste momento estão adormecidas numa espécie de coma, somente sinto um coração a bater forte e o corpo a mandar-me para cama, porém a mente não quer largar este momento, onde fotografias tuas invadem a minha mente, onde a imaginação dá asas a desejos...

Por agora, farei a vontade a este invólucro que protege esta voz secreta e vou descansar, a culpa foi da moral do filme, enfim... cama comigo!

segunda-feira, maio 23, 2011

Duas semanas de distância, confesso, não será fácil para mim. Porém se houve altura ideal para provar que o teu coração não mente e que me procuras porque a saudade aperta, não somente por afecto de amigo mas mais, então que assim o seja, serei teimoso como o Touro que sou e esperar a cauda do Escorpião não seja mais forte. 

Agora que relembro o nosso almoço, reparo que esquecemo-nos de um pequeno pormenor, como em qualquer promessa mútua onde dependemos de dar ou receber alguma coisa, e talvez por nos encontrar perdidos no momento, esquecemo-nos de especificar o que significava a conquista do objectivo, por isso, da minha parte, caso a fortuna seja amiga, o toque do teus lábios é tudo o que peço.

sexta-feira, maio 20, 2011

"A sorte protege os audazes"

O mais recente anúncio do final do mundo aponta para passagens da Bíblia, falando de um terramoto devastador a nível mundial. A data desta vez está mais próxima do que nunca, este sábado, dia vinte e um de Maio de dois mil e onze. A primeira reacção seria tentar perceber onde foram buscar esses números. A notícia falta de uma análise numérica que acaba por indicar para este sábado próximo. 

Nem sequer vou começar por explicá-la, quem estiver interessado faça o favor de procurar a notícia, não será difícil, mas tudo isto deixa-me a pensar, não no próprio fim do mundo mas sim no facto de a ser verdade assustar-me um pouco não ter sentido e vivido certos momentos... Um beijo nunca passou de um beijo, ambos os corpos nunca dançaram juntos, poucas foram as declarações de amores declamadas, as viagens sonhadas que nunca se realizaram e depois penso, se de tudo o que sempre quis fazer pudesse escolher uma coisa, o que faria? Para estranheza minha a resposta foi rápida e concisa. Não muito longe daqui estaria, que estupidez a minha, conjuguei o verbo mal, tenho de dizer que estarei a bater à porta que já a algum tempo passou a ser minha conhecida, não pelas suas formas para pelo que se esconde por detrás dela. Com um simples toque anuncio a minha presença, a surpresa será grande e totalmente inesperada, bem, assim espero mas, sabendo os olhos que por aqui passam, o efeito surpresa talvez se tenha perdido e, por agora, acredito que um maço de tabaco rapidamente estará vazio até a noite cair e a lua pronta para ocultar do mundo o que se seguirá.

Não posso deixar de reflectir na finidade que todos nós um dia teremos que encarar, jamais conseguiria perdoar-me no meu último sopro de vida por não ter vivido, nem que por um dia, como eu sonhei e sempre quis, sem receios ou sentimentos de culpa, sem me ter que preocupar com as consequências que daí poderiam advir. Já Virgílio dizia "a sorte protege os audazes", assim quero acreditar.

Se por acaso este acabar por ser o último post é porque tudo correu bem e mal! Será claro então que fiquei retido na melhor das companhias e não cheguei a tempo de cantar sobre a mais maravilhosa noite e, mal porque terá sido por uma só noite...

segunda-feira, maio 16, 2011

NY here I go! So excited!!! Ok, not going just yet, only come January I will heading there to visit a very good friend of mine. Gosh, looking back to our history together I could only say how proud I am of her. Her courage to take charge of her life and define a new and better path should be an example for so many women out there. 

I shouldn't get into explaining this but I believe it's still important to be told to the four corners of earth. Her life story touched me really deep as I got to know her better each day that went by, not just because the level of hurting one takes in during a bad relationship but because I know it was never easy growing up in her shoes, and I always felt powerless being so far away, with only kind words to offer when I felt I could do so much more for a friend. I'm glad she found in my words - I think - some strength to take charge of things and take a stand.

I was trying to remember how we met, probably because I'm not getting any younger I cannot go back to that moment in time, was it in an infohub? Perhaps, still doesn't matter since what matters now is that I consider her a close friend and we'll have the opportunity to spend some time together, while on vacations and have a blast!

I know, I know... Most that know me might be saying it by now "Oh there he goes at it again, acting like a savior to a girl in distress". Really?! Are you serious... C'mon, nothing like that my dear and annoying friends. Sure, sure, sometimes it might be like that but above all it's the fact the person is important to me and as such I'll always be there no matter what.

Oh, regarding plans, well, we are still deciding where to go and no, we are not staying in New York, it's gonna be wild without a single doubt!


sábado, maio 14, 2011

Pura manhã

- Parece que o blogger foi bonzinho e recuperou-me o post perdido... -

Existem momentos que são capazes de fazer com que nada nos deixe triste durante um dia inteiro, ou até durante mais tempo... Hoje ao acordar senti uma sensação da mais pura felicidade, uma paz interna total, um acordar digno de uma epifania! 

Toda essa felicidade nasceu de um sonho que me transportou para o silêncio pacífico de um lugar que ainda não conheço, inundado de luz, tão brilhante que seria impossível apontar o sol. Foi um daqueles sonhos que só se tem uma ou duas vezes ao longo de uma vida inteira, o tipo de sonho que nos faz sorrir sem sermos capazes de parar, até porque o contrário não desejamos. Infelizmente, como acontece com quase todos os sonhos, os detalhes vão agora dissolvendo-se, porém o sentimento vivido é forte e resiste ao tempo. Ao nosso ser espiritual são libertadas sensações que só nos faz querer sonhar acordado, recordar esse momento mesmo que já perdido na mente e, aos poucos, começar a flutuar por um imaginário sem fim.

Entre muitos desejos, hoje, queria partilhar este sonho contigo mas, não posso... Acredita que de todos os sonhos que possam preencher o meu imaginário este é o mais ingénuo, o mais puro, o mais inocente de todos. Quero contar-te mas não posso, espero que acabe por cair no esquecimento para ser recordado um dia como um déjà vu enquanto saboreamos uma inocência que muitos dariam uma vida inteira para voltar a sentir. Um sonho daqueles que só o cinema o poderia representar, em slow motion, sem diálogos, porque não precisaríamos deles, onde um olhar sincero e um sorriso aberto, ao mesmo tempo que um suspiro assinalava a perfeição do momento, seria o suficiente para descrever a nossa cumplicidade.... Ai, vou parar, quero tanto contar-te mas não posso, só posso acrescentar que quero sonhar de novo, como esta manhã, onde a perfeição vive, pois sei que a realidade corre como a paciente tartaruga e sei, ou espero, que iremos partilhá-lo amanhã... 

Menina, acalma o coração, falei no sentido mais lato da palavra "amanhã".    

sexta-feira, maio 13, 2011

Muito obrigado blogger por me teres apagados os últimos dois posts, mesmo que tenha conseguido recuperar este!)

Acho que pela primeira vez teria que te dar razão quando dizes que devia escrever porque faz parte de mim ser assim, mesmo que custe a confessar que encontro um certo conforto e importância nas palavras que se espalham pelo blog. Saberás do que escrevo se a vida decidir que a devemos partilhar uma com o outro...

A verdade é que o turbilhão de sentimentos com que convivo todos os dias guiam-me sempre até ti, quer seja porque um beijo entre dois estranhos no meio da rua transporta-me para um futuro onde um beijo enamorado é a doce despedida antes de sair de casa, tentando esquecer logo aí o dia penoso que será estar longe de ti, ou então quer seja por um filme que me deixa a sonhar, ainda hoje passava na televisão o Fantasma da Ópera que tanto aprecio, e nas estrofes de cada música encontrava representado a luta pelo teu amor e o amor que sinto por ti, e como se ficasse hipnotizado por cada palavra cantada caía num sonho apaixonado, cheio de saudades tuas, numa busca infinita por um abraço teu. Mas não fica por aí, o toque dos teus lábios, entrelaçando os meus dedos com os teus, apertando forte a tua mão e, desta vez, nada nos impede de dançar noite adentro, e sob o luar lá fora, deixar que os nossos corpos aqueçam a noite, perdidos de amor um pelo o outro.

Sou provavelmente o meu pior inimigo, porque não consigo deixar de te amar... Bem, para ser sincero não me esforço muito porque não consigo mentir a mim mesmo e dizer que é fácil esquecer-te, pelo contrário, quanto mais penso em esquecer-te mais quero recordar-te e estar contigo. Espero que nesta fantochada a que me propus tu possas perceber o quanto queres estar comigo e realizes que a decisão de tornar isso realidade cabe a ti e só a ti. Vivo agonizado à espera por esse dia, mas é a esperança na certeza que acontecerá que permaneço à espera.

terça-feira, maio 03, 2011

Lembro-me do vazio que no passado me sufocava, na felicidade que renasceu das mais escuras cinzas ao me começares a ler... Agora, as palavras esgotam-se...

segunda-feira, maio 02, 2011

«On rencontre sa destinée
Souvent par des chemins qu’on prend pour l’éviter.» La Fontaine


Palavras sábias que hoje me fazem pensar bastante nas curvas e contra-curvas deste caminho por onde sigo, atribulado, cheio de encruzilhadas e precipícios...

Tem sido uma viagem longa, com algumas paragens para revisão atrás de revisão e até mesmo para deixar o motor arrefecer um pouco. Algumas dores de cabeça mas também o prazer de acelerar a fundo até ao mais puro êxtase. Porém a meta parece nunca mais chegar, algumas alucinações da mesma, como se atravessasse um comprido deserto, acabam por me enganar ao longo do percurso. Iludido tento abstrair-me e faço-me de novo à estrada. 

Qualquer um saberá que posso desistir de tudo menos uma coisa, o amor. Poderá parecer um cliché mas tem que se lhe diga! Questiono-me, principalmente nos dias menos positivos, se essa aventura deverá ser vivida e continuada mesmo que não correspondido? Bem, confesso que pelo menos à primeira vista, dado o silêncio digno de cemitério. Coloco mil e uma ideias em causa, raramente consigo obter uma resposta exacta e ficar totalmente esclarecido, e isso irrita-me, irrita-me muito!!!

Não percebo, será assim tão difícil sabermos cá dentro, bem no coração, se estamos enamorados por alguém que nos corteja, que nos mima e nos oferece alegrias? Que nos faz sentir vivos, que nos faz desejar realizar fantasias, que mexe connosco? Será porque finalmente nos apercebemos o que é realmente sentir, como se acordássemos de um longo período de coma e os nossos sentimentos estivessem dormentes? Não percebo, é algo que ultrapassa-me. Quem sabe se vivo demasiado ligado ao meus sentimentos e o meu problema é não conseguir discernir tudo o que a razão trata.

quinta-feira, abril 28, 2011

És a minha felicidade!

O excesso de álcool no meu sistema não me permite grandes floreados, só quero agradecer por teres estado presente. Love you like crazy!

terça-feira, abril 26, 2011

I wonder...
Porque motivo temos a tendência para olhar na direcção do horizonte quando recebemos uma notícia que simplesmente quebra o nosso coração em mil e uma partes e destrói toda e qualquer esperança?! Quem solução impossível procuramos encontrar? Enfim, uma imensa tristeza corrói o coração, e como se cortasse cebolas atrás de cebolas, não consigo conter as lágrimas...

Amor vs insónias

«You know you're in love when you can't fall asleep because reality is finally better than your dreams» Dr. Seuss

As palavras do Dr. Seuss fazem todo o sentido, nelas acho a resposta à minha questão, percebendo agora porque é difícil adormecer ultimamente... Foi especialmente difícil adormecer ontem à noite, o silêncio da sua voz chamava por mim, a timidez de um sorriso era como uma luz que iluminava tudo em redor, aqueles olhos que teimavam em procurar-me mas não conseguiam encontrar-me, um desespero delirante. 

As saudades eram mais fortes do que nunca, e nem o mais valente tranquilizante poderia obrigar-me a dormir. Faltam-me as palavras e, por isso, começo a reler o que escrevinho mas o meu raciocínio é interrompido pela sua imagem e páro, não quero escrever mais, acabo por entregar-me à minha visão e vagueio, vagueio pelas memórias até perder a batalha para o maldito e ingrato sono.

quinta-feira, abril 21, 2011

Navega

Navega mar adentro, confusa sem direcção certa, e ao sabor da maré reencontra-te. Ao adormeceres sob o luar encontrarás o silêncio e paz que tanto precisas. Verás que no dia seguinte, ao acordares, darás contigo no mais belo e esplendoroso porto, onde a felicidade, pura e sorridente, espera por te abraçar. Ata as cordas da tua embarcação da melhor maneira que saibas e nunca mais abandones esse doce lar.

quarta-feira, abril 20, 2011

Love you! ♥

terça-feira, abril 19, 2011

Let your fantasies unwind

(...) Close your eyes start a journey through a strange new world,
Leave all thoughts of the world you knew before,
Close your eyes and let music set you free,
Only then can you belong to me

Floating, falling, sweet intoxication,
Touch me, trust me, savor each sensation,
Let the dream begin,
Let your darker side give in,
To the power of the music that I write,
The power of the music of the night (...)


in Andrew Lloyd Webber "Phantom of the Opera"

segunda-feira, abril 04, 2011

Hoje dei por mim a ouvir um conjunto de palavras pelas quais não esperava ou pensei alguma vez ouvir, porém ainda estou a pensar nessa mesma frase que foi expelida por um amigo assim do nada... "A maior covardia de uma mulher é conquistar um homem e dizer que não pode amá-lo." Fiquei sem reacção na altura, vi mil e uma imagens a percorrer a minha mente e quase dei em doido, visto que, sem ele saber, encontrava nessas palavras uma razão para um sentimento aprisionado cá dentro.

domingo, abril 03, 2011

Este é o meu mês, por isso, é tempo de deixar as páginas do livro virarem com a inconstância do vento e deixar que sejam os meus dedos os verdadeiros leitores do livro. Porém pouco mais há para ler, os capítulos ao longo do último ano foram acumulando-se, como uma saga interminável, hoje e agora coloco um ponto final na história que sempre pensei ter um final feliz. Não me afasto dos livros, só deste, este será colocado na prateleira das minhas memórias, depois será tempo de pegar numa folha de papel virgem e pintar uma nova história.

sexta-feira, abril 01, 2011

Abandonar toda a esperança e seguir em frente... assim será!

Mente que não levarei a mal

Mente,
Mente pelo menos hoje,
Mente a ti mesma e sê feliz,
Mente por ti,
Mente por nós,
Mente e diz-me que não me amas,
Mente de tal maneira que me dizes estar tudo bem,
Mente à tua razão e deixa os sentimentos conduzir-te,
Mente hoje, pois o teu coração não bate por outro,
Mente a ti mesma e procura-me sem receios ou medos,
Deixa que este dia seja uma mentira,
Essa a desculpa para me amares,
Mente como nunca mentiste,
E sela essa mentira com um beijo verdadeiro.

quinta-feira, março 31, 2011

Um dia...

Um dia vais perceber... que percebeste tarde!

sábado, março 26, 2011

Miúda gira

Tu és das poucas pessoas, uma de duas ou três, que sem eu querer sair do meu esconderijo consegue empurrar-me para fora de casa em apenas dois segundos. Lembro-me que ao princípio sentia-me um estranho, pois não te conhecia assim à tanto tempo, mas conforme a nossa cumplicidade aumentou maior era o meu bem estar ao aceitar um novo desafio teu.

Hoje agradeço-te do fundo do coração pela pessoa fantástica, cheia de energia e divertida que és, uma mulher com um coração enorme e, tudo bem, és gira e boa, como dizem lá pelo norte. E sim, ficas a matar com esse cabelo preto, uma verdadeira femme fatale! Tudo bem, ri-te lá...

Olho para o nosso passado recente e lembro-me das nossas lutas pessoais. Jamais pensei que este nosso relacionamento pudesse ter crescido tão depressa e, talvez por isso, que no outro dia, quando descemos até Lisboa, e percorremos ruelas atrás de ruelas, apreciámos o quanto é bom estarmos um com o outro, como vivemos tudo espontaneamente, como do nada decidi convidar-te para jantar com as estrelas do rock, como ao sair porta fora demos com um tipo que nos perguntava por "haxe" e repetia "queres haxe?" e só da segunda vez percebemos o que ele queria e delicadamente declinámos. Seguimos Chiado acima até ao Bairro Alto, fazia muito tempo desde que cada um de nós lá passou à noite e, mesmo sendo dia de semana, ver que aqui e ali o lugar ainda tinha um coração a bater, pessoas na rua a cantar, a rirem-se, a conversar, sempre de copo na mão ora pois, enfim, foi como uma noite perfeita depois de um dia de trabalho.

Claro que melhor ainda é poder ver-te agora todos os dias, e é bom poder partilhar tanto contigo sem a necessidade de estar ao telefone e em lugares tão distantes, afinal o Algarve é para passar férias, ponto final!

És extraordinária!

quinta-feira, março 24, 2011

Um novo despertar

Todas as manhãs, ao despertar do estado de vigília, dou por mim a bater à tua porta e, conforme ela abre, ao ver-te, corro ao teu encontro, sem formar qualquer palavra mato saudades nos teus lábios, ali, onde os olhos não precisam ver, aperto-te num abraço interminável, o tempo pára, o silêncio toma conta do mundo e devagar os nosso actos acabam por falar mesmo, perdemo-nos no momento... Respiro fundo e reparo que estou ali deitado, sozinho, deixando a minha imaginação enganar-me. Apesar de tudo o sentimento de puro êxtase enche o coração, a luz forte atravessa as brechas da janela, um novo dia radiante começa, esperançoso, a soma disso tudo não me deixa abalar pela realidade de alguns factos cruéis.

Curioso verificar que a preguiça de outros dias ao acordar é agora história do passado, como se não pudesse perder tempo com os sonhos e tivesse pressa de começar a vive-los, até porque a estrada da vida cada vez mais vai encurtando, mas não penso muito nisso, sei que no fim da estrada lá estarás, e por isso dia após dia continuo a correr confiante desejando conseguir-te alcançar. 

Temo que se o contrário acontecesse, o mais provável seria perderes-me para sempre, porque por mais que me procurasses, as sombras da vida acabariam por levar a melhor, a esperança já mais não o seria, os dias negros e chuvosos tomavam o lugar do sol, as lamentações atiradas à rua em desespero...

Nunca duvides, és tu e somente tu que alegras os meus dias, que me faz sorrir, lembrar como é bom viver enamorado, como é bom parar para amar. Nem preciso de ter uma foto tua à mão, pois a tua memória é bem forte e presente e, como te dizia em tom de brincadeira, mas ao mesmo tempo como crença da certeza do meu amor, se num ano consegui finalmente lacrar uma carta, cheia de paixão, intensa e selvagem, imagina o que poderei alcançar em dez anos...

quarta-feira, março 23, 2011

Pablo Neruda disse um dia, "morre lentamente quem não troca o certo pelo incerto em busca de um sonho", nunca antes fez tanto sentido lembrar-me destas suas palavras...

domingo, março 20, 2011

Ainda sob o efeito da lua deste sábado


No tocar peligro de muerte
Oh! no tocar
las tibias y la calavera hacen dudar
me hacen ir mas alla, verte correr
verte pedirme mas.
y si volviera a nacer repetiria
y si volviera te daria mas calor.
Me quemas con la punta de tus dedos.
Tus manos hacen llagas en mi piel.
Me abraso con tu lengua que es de fuego
la sangre hierve o no lo ves.
Que tu ya sabes que me tienes cuando quieras
ya sabes como soy.
Ya sabes que me entra a la primera.
Ahora ya sale algo mejor
!Y que calor! me gusta tu infierno.
!Oh! que calor
echa mas leña al fuego que es abrasador.
Ahora esta dentro de mi.
Me hace sudar
Me hace volver a ti.
Y si volviera a nacer repetiria.
Y si volviera pediria mas calor.
Me quemas con la punta de tus dedos.
Tus manos hacen llagas en mi piel.
Me quemas con tu lengua que es de fuego
la sangre hierve o no lo ves.
Que tu ya sabes que me tienes cuando quieras
ya sabes como soy
Ya sabes que me entra a la primera
ahora me sale algo mejor.
Me haces tanto bien.(3x)
na na na na na (3x)
Enseñame a bajar tu cremallera
ya sabes donde voy.
Ya sabes que he pasado la frontera
arrancando algun boton.
Que tu ya sabes que te pido mas madera
y tu pides mas nivel.
Ya sabes como mantener mi hoguera
Ya sabes como sabe ya mi piel.
Que tu me quemas con la punta de tus dedos.
tus manos en mi piel.
Me quemo con tu lengua que es de fuego
la sangre hierve o no lo ves
Que tu ya sabes que me tienes cuando quieras
ya sabes como soy.
Ya sabes que me entra a la primera.
ahora ya sale algo mejor.
Me haces tanto bien.(4x)
na na na na na (7x)

domingo, março 06, 2011

Esta noite, sabendo que estava nos teus pensamentos, desejava poder procurar-te e fugir contigo, para longe de tudo e todos, onde as estrelas brilham mais forte e o grilos cantam só para nós, ali, naquela doce noite, passear de mão dada, e acabar a dançar sob o luar de uma noite de verão...

sexta-feira, março 04, 2011

Abaixo o racionalismo!

Como posso aconselhar outros a serem menos racionais e seguirem o seu coração quando, eu mesmo, penso demais em vez de beijar os lábios que procuram o comforto de uma nova almofada, a entrega absoluta, a paixão fervorosa?! Não posso, não serei mais racional, irei falar menos, irie mostrar e demonstrar como o meu coração realmente ama.

terça-feira, março 01, 2011

Por uma noite?

Esta passada sexta-feira senti toda a beleza da Primavera na voz dela, todo o seu encanto deixou-me a flutuar em pleno sonho acordado, finalmente parte do que sempre desejei realizou-se. Capaz de senti-la tão perto, embora só a sua voz me alcançasse, capaz de deleitar-me com o seu aroma, embora só a memória me lembrasse dele, capaz de tracejar cada centímetro do seu corpo, embora só a minha mente o conseguisse ver.

Nunca antes me senti tão perto de ti, nem mesmo quando outrora almoçámos juntos, e num estado de perfeito êxtase vivi um fim-de-semana sem conseguir pensar noutro qualquer assunto. Foi acordar sábado, sabendo que nem o mais perfeito sonho poderia contar tal história como a da noite que ali tinha terminado, sentir a tua energia a percorrer o meu corpo, o bater do coração que parecia ser o teu encostado ao meu, procurando ser um só. Foi depois chegar a domingo e saber de véspera que um sorriso iluminava o teu dia, saber o que era sentir de novo a paixão intensa, de te sentires viva e desejada, que depois da loucura de um momento não sabias mais o que era certo ou errado, embora sabendo lá dentro que isso não era o mais importante. Alimentando-me da tua felicidade ganhei uma nova vida, novas esperanças. Uma chama que nunca deixou de queimar arde agora mais forte que nunca, consumindo todos os medos e receios que um dia foram reais.

Quero bater à tua porta, quero invadir o teu lar e encontrar-te, satisfazer os meus olhos com a tua imagem, quero chegar perto de ti, parar para te sentir a respirar cada vez mais ofegante na incerteza do momento, quero sentir o desejo ardente nos teus lábios, no desespero desse desejo torná-lo real, dizer que te amo com um beijo forçado, ouvir a brisa do silêncio da tua casa conforme os tecidos que nos mantêm um do outro cobrem o chão e, bem, deixar que os nossos corações controlem as nossas acções, que se amem, suavemente, ao som de uma valsa que teima em querer acelerar o passo e, por uma noite, deixarmos os complexos de lado e sermos só nós...


E não, não quero que seja só por uma noite, mas espero que tenha sido a primeira noite de muitas outras que serão vividas...

terça-feira, dezembro 28, 2010

Blog em hibernação até à chegada de uma nova Primavera, ou por aí perto...

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Se um susto apanhaste, perdoa-me se te assustei assim tanto, então espero ter assustado a tua razão para bem longe, pois quase poderia adivinhar que o coração não se assustou e até palpitou mais depressa, num misto de felicidade e receio, ao se rever nas minhas palavras...

domingo, dezembro 19, 2010

Hoje sinto falta do teu sorriso e da ternura de um abraço teu....

terça-feira, dezembro 14, 2010

Hoje, deito sobre a cama na esperança de ver a tua estrela passar pela minha janela. 

Apago cada uma das luzes, pois não quero perder o esplendor do seu brilhar no manto negro.

Na sua cadência vou sussurrar um desejo para o dia que há-de chegar...



domingo, dezembro 12, 2010

Lia as tuas palavras nesta passada senta-feira e sentia que apenas agora começava a conhecer-te, após tantos almoços combinados e momentos partilhados só agora começava a conhecer a verdadeira mulher por quem o meu coração já à muito se tinham enamorado. Nessas mesmas palavras encontrei resposta a uma muito importante pergunta, nunca antes feitas por mim em voz alta mas, que preenchia a mente sempre que a visitavas.

Essas palavras fizeram-me sorrir, ganhar forças e esperança, porque foi nelas em que me revi, como eu sou, como te vejo, como te desejo, como te sonho e tudo de maravilhoso que me ocorre sempre que me lembro de ti, por mais longe que estejas.

Foi aí que me apercebi o que mais queria para terminar este ano da melhor maneira, exactamente o mesmo que procuras, bem, dispenso flores, e nem é por mim, é pelos dois bichanos que se passeiam cá por casa, só posso imaginar o que fariam depois de tal bonito gesto. Ai se isso acontecesse, seria a mais pura magia do Natal a encher um coração que luta por se manter quente, isto até que um par de mãos femininas o aqueça e se apaixone por ele.

Sinto-me um perigo desde esse dia, no bom sentido, pelo menos aos meus olhos, com um certo pingo de receio confesso, pois tenho perfeita noção de que é feito a minha história mais recente, digamos os últimos cinco anos, e quanto mais me sentir assim maior será esta vontade de atravessar a linha limite, mais vou querer dar um passo em frente, caindo na dolorosa incerteza dos meus actos, porém esperançoso de que uma nova semente seja semeada e que mais tarde todos vejam a mais bonita flor crescer...
Hoje e agora, neste preciso momento que se recusa parar no tempo, fugia para longe daqui e levava-te comigo até Londres! Só voltava para o ano...

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Ando longe aqui da esquina da vida, a família cresceu e a minha adorada Cookie tem um novo amigo para partilhar inúmeros momentos de alegria. Hei-de transcrever as palavras que tenho deixado no Facebook, certo é que foram dias agitados, alguns desesperantes, mas agora tudo acalmou e já consigo parar para admirar o nascer de uma nova etapa na vida.

Hoje tive um dos despertares mais memoráveis da minha vida, os dois felinos decidiram vir-me dar um bom dia, cheio de ronrom alegre e pequenas lambidelas, ainda de olhos fechados conseguia encontrá-los e oferecer uns mimos, senti-me a despertar de um dos mais belos sonhos, que nem manhã de Primavera!

sexta-feira, novembro 26, 2010

नमस्ते [namasté]

Namasté minha querida.

Certamente poderás estar pensar que estou em falta, pois o hábito cria nas pessoas expectativas sobre situações já tornadas rotinas, e não estarás enganada, já andava a algum tempo para te escrever e contar como vivi o nosso reencontro. Acredito que já estejas a esboçar um pequeno sorriso só por esse facto, já a saborear as palavras que ainda não conheces.

É curioso, mas não sei muito bem como descrever tudo o que se passou, pois olho para esse dia e tenho a noção de que não tinha consciência alguma do que fazia ou dizia, como não estivesse dono de mim. Ainda quis acusar o nervosismo e levá-lo a tribunal, contudo seria fútil, pois deixei-o em casa nesse dia, talvez o meu contentamento tenha levado a melhor, e quase como uma criança, sem noção dos seus actos, me deixei levar por ti.

Enquanto esperava por ti, abrigado da bênção de S. Pedro, desesperava por não ver a hora de te rever, procurando em cada carro que passava a cor do teu, tentando perceber quem conduzia, irritado, confesso, por o senhor da loja do lado ter metido conversa comigo, sei lá sobre o quê, quando o que queria é que me deixasse em paz para ter a certeza que não ias longe demais. Hoje lembro-me que mal me despedi do caro senhor quando corri para abrir a porta, e um pouco como um filme de Hollywood, entrar dentro do carro e sentir uma alegria tremenda de te encontrar, como se que de repente o mundo todo coubesse dentro daquele espaço confinado, protegido pela chuva dispersa.

Das poucas coisas que imaginei, e que mais tarde partilhei contigo, é que agora sabendo a localização do meu esconderijo ficas automaticamente convidada para bateres à porta, sem necessidade alguma de justificações, somente a vontade de lá estares, nem que por breves momentos...

Foi por demais agradável a descoberta de novos sabores na melhor das companhias, embora um pouco assustado com a imagem que possa ter ficado do animal devorador em que me transformei, pelo menos naquele dia. Hoje rio-me desse pequeno pormenor, embora meio embaraçado por tal atitude, certo que não constará do manual da boa etiqueta.

Agora não percebo porque ainda avisas que vais fumar, confesso que adoro esse teu modo de ser, provavelmente preocupado com o que eu poderia pensar, vendo nisso uma necessidade de te justificares, ou de certa forma desculpares-te. E mesmo tu sabendo que jamais poderia proibir-te de tal acto viciante e necessário de satisfazer lá continuas, de forma adorável, a chamar à minha atenção para o facto.

Adoro partilhar todos aqueles minutos que passo contigo, minutos que depressa se transformam em horas, sem nos apercebermos como eles acabam a certa altura por reduzir e colocar um ponto final a todos aqueles momentos de partilha e felicidade. Essa ventura fica gravada na memória e, sempre que te sinto longe, faço play, recordando-me dessas ocasiões, mergulhando nesse mar tranquilo e ali permanecer a flutuar, calmo e pacífico, sem qualquer problema a atormentar a mente, enamorado por um quase sonho.

Segura esta carta entre as tuas delicadas mãos como o meu profundo agradecimento por todos as sextas-feira que marcámos no calendário, por todos os motivos de contentamento vividos e, diria até, por todos os outros que hão-de ser experienciados. Que rude sabor esta última palavra parece ter, não é? Quando o seu significado é bem mais doce.

Fica esta carta lacrada com um beijo de amizade.

Pedro

quinta-feira, novembro 18, 2010

Pequenas diferenças

Apercebi-me ontem, ao falar com uma desconhecida, que pequenos detalhes realmente fazem toda a diferença! Conversava ao telefone com uma rapariga da associação SOS Animal, após a troca de alguns emails, para a possível adopção de um gatinho e, no final da chamada, notei o prazer e o modo de estar na vida da pessoas que têm um amigo de sete patas em casa, a paixão por quem depende de nós, por quem preenche a nossa vida, a vontade de querer ajudar, senti uma alegria crescente a trepar pelo meu corpo até ao canto do meu olho e, num sentimento misto de alegria e tristeza, um sorriso não deixou uma lágrima derramar...

Ainda não aprendi, e dificilmente acontecerá, a lidar com elogios, caio numa timidez que já pensava ter perdido, por isso as suas últimas palavras deixaram-me engasgado em palavras soltas, de certa forma orgulhoso, mas sem saber agradecer pois sempre fui assim e nunca, de forma alguma, cresci para ser melhor que o próximo.

domingo, novembro 14, 2010

Eu sei juntar letras, logo sou escritor!

Começo a pensar que o cúmulo da escrita é um poeta, ou um típico escritor, sentado na esplanada de café, assimilando tudo o que rodeia, encontrando inspiração para um futuro livro, enquanto o mundo inteiro pensa saber escrever e lança livros a torto e a direito, fazendo disso um grande acontecimento, senão vejamos o que se passou esta semana com repórteres de imagem das três estações portuguesas. 

O que acontecerá de seguida, será que realizadores, produtores e assistentes também se vão dedicar à escrita, porque não editores a lançar um livro sobre os exteriores que tiveram durante a sua carreira, desde Timor à vizinha Espanha, de eventos desportivos, como um Mundial, até à guerra no continente Africano, certamente que muitas serão as histórias, claro nunca esquecendo de referir como são eles que fazem o milagre de trabalhar a deficiente imagem que alguns repórteres de imagem não conseguiram obter, talvez estivessem a pensar que história de vida  que irião partilhar no livro, esquecendo-se de que estavam a trabalhar. Seria interessante saber como alguns repórteres de imagem, ao cometerem erros que poderiam ser evitados, fizeram de uma simples frase um estilo de vida, "na edição eles arranjam".

Bem, sarcasmo à parte, e depois de ter visto o excesso de mediatização à volta deste último lançamento do livro pelos repórteres de imagem, é com alguma tristeza que muitos autores, verdadeiros escritores, não tenham a devida visibilidade, muitas vezes mais que merecida! Eu trocava trinta repórteres de imagem por um, e só um, poeta e o seu livro.

Sei que ali a minha adorada Carla Q. pode não apreciar lá muitas estas palavras, mas tinha de me livrar desta irritação que me atormentava...

quarta-feira, novembro 10, 2010

E que tal arranjar um amigo...

... para a Cookie? Pois é, não são muitos os dias que passam sem que pense nisto, e tendo conhecimento, através de vários grupos no Facebook, de casos urgentes de adopção de outros felinos, e o facto de acabar por me apaixonar por tantos rostos farfalhudos, que tendo perfeita noção que não me encontro numa situação monetária má, ou perto disso, saber que posso assegurar o bem estar de alguém que precisa de um lar e de amor. Ora ao mesmo tempo acabo por presentear a minha adorada Cookie com um amigo para as suas brincadeiras, e para me dar cabo da casa também, não esquecendo esse pequeno grande pormenor,  tudo para que todas as tristes manhãs, ou tardes, em que tranco a porta de casa, ela não fique sozinha, pacientemente esperando que o dono retorne a casa. 

Tenho perfeita noção do que posso vir a perder, todas as vezes que mal a porta se abra o contentamento  visível no seu comportamento hospitaleiro acabe, que deixe de se passear entre as minhas pernas, roçando nelas, de cauda flutuando bem alto, que pare de rebolar no chão à procura de mimos, que tudo isso possa acabar e me roube o sorriso que tanto preciso no fim de dia de trabalho.

Mas verdade seja dita, já faltou mais para o dia em que abra a porta e tenha dois à minha espera... ahahah!

Os meus caminhos da felicidade

Não é a primeira vez, e espero que não seja a última, que recebo um email deste género:

Partilho convosco o relatório diário de audiências que é elaborado pela Vera Roquette.
Vale a pena ler :-)

Muitos parabéns, de novo!

Fico muito muito satisfeito quando decidimos um tema fora da "agenda" e do menu habitual e conseguimos resultados destes. Mas isso só é possível porque toda a gente envolvida se excedeu! Muitos parabéns!


JAC

É bonito ler isto, e um tanto ou quanto irónico, porque numa política de que os "coitadinhos" é que vende e dá audiência, a escolha de um tema «fora da "agenda"» seja enaltecido para contentamento dos que estão no poder, que decidem, eles sim, a política da empresa...

Claro que muitos não tendo acesso ao relatório não sabem o que lá vem escrito, sendo assim, visto não ser segredo de Estado ou algo parecido, deixo aqui o excerto que interessa para o caso:

(...) o Linha da Frente (28,9%sh e 11,6%rat) alcança o share máximo da temporada e dá continuidade à liderança da RTP1 no período entre as 20:00hs e as 21:20hs (30,1%sh), mesmo com a presença do Primeiro-ministro no Especial Informação (26,9%sh e 10,8%rat) da TVI conduzido por Constança Cunha e Sá e Henrique Garcia a partir de São Bento (20:52hs-21:30hs). Recorde-se que a última entrevista de José Sócrates tinha sido dada à RTP1 no passado dia 18 de Maio deste ano, tendo alcançado registos mais expressivos (33,3%sh e 11,6%rat).(...)

Ainda a propósito do recordista Linha da Frente, importa referir que o programa da estação pública contabiliza uma média 23,4%sh e 8,8%rat nas 27 emissões de 2010, sendo que das últimas 10 emissões, 6 posicionam-se acima da média. A reportagem desta noite, da responsabilidade da jornalista Rita Ramos desenha um percurso na procura da felicidade, reflectindo sobre o dinheiro, a família ou o sucesso profissional como forma de sermos felizes. Sublinhe-se que a reportagem conquista a suas parcelas de mercado “mais felizes” junto do público feminino (31%sh), nas idades 35/44 anos (34,7%sh), maiores de 64 anos (38,8%sh), na classe D (32,6%sh) e no Sul (41,8%sh).

É por demais agradável ver reconhecido o trabalho de equipa, por parte dos responsáveis da Direcção de Informação, mesmo que esse reconhecimento só seja concedido aquando do feedback positivo das audiências. Muitas são as vezes que um tema mais alternativo é abordado ou mesmo o modo como a reportagem é construída, consequentemente colhendo uma menor audiência, e pode ser mesmo a melhor reportagem de sempre que esse reconhecimento, por vezes, só chega de fora da RTP, quer seja via um concurso ou mesmo palavras amigas.

Ainda hoje, ao chegar à porta do prédio, ao qual chamo casa, tive a oportunidade de ser abordado por umas pessoas amigas que fizeram caso de comentar a reportagem transmitida, e melhor que qualquer número num gráfico de audiências, são as palavras do chamado "povo", que sem nada a ganhar, em guerras de bastidores, comenta de alta e boa voz o que realmente achou da reportagem.

Ao contrário de alguns, para mim, qualquer critica é sempre bem vinda, aprendemos com elas a não repetir erros, apuraram-se sensibilidades e aperfeiçoam-se técnicas. No fim de contas isso faz parte também do nosso trabalho, parte do ser humano que tenta ser melhor e mais feliz.

Lamento o meu coordenador não estar em Portugal para presenciar todo o feedback positivo, pois com certeza seria um embaraço para o mesmo, visto que a mais vista reportagem da série de programas já emitidos foi montada por um dos editores mais requisitados, com boa reputação, mas que se encontra no mais baixo nível na escala de progressão de carreira e salva-se com uma avaliação miserável de... bom. Lamento, igualmente, já ter passado quase um mês desde que comentei a avaliação apresentada pelo coordenador, de não ter tido a possibilidade de apresentar factos concretos como o desta última reportagem, para que a administração, que pouco ou nada sabe dos seus funcionários, pudesse avaliar melhor todas as palavras manchadas numa suposta avaliação justa.

Mas deixemos tristezas de lado, que pouco ou nada trazem de positivo à vida e, assim, aproveito para agradecer todas as criticas que chegaram até mim, valeram todas as palavras ditas e sentidas. Um sincero obrigado a todos!

sexta-feira, outubro 29, 2010

A correr, lá se passou Outubro

Outubro passou a correr, começando com duas semanas longe do local de trabalho para recuperar fôlego, de modo a resistir até final do ano e, também, para tomar conta da minha adorada gata, que finalmente foi esterilizada.

Foi uma semana conturbada e por demais emocional para mim, não me lembro de andar tão sensível como estive durante aquela semana, sempre o medo de algo correr mal com a minha menina... Somente o facto de a ter deixado no hospital veterinário para a operação foi como perdê-la durante aquelas horas, o caminho para casa, sem a Cookie ao meu lado, quase deixou as lágrimas que o coração derramava transparecer, um almoço rápido e mal comido, o corpo parecia rejeitar qualquer tipo de alimento, um expressão pesada enquanto o tempo não passava e as notícias teimando em demorar a chegar. Após algumas tentativas e adiamentos, lá consegui falar com o cirurgião que explicou que a Cookie estava bem, atordoada contudo, como seria de esperar, e que a operação tinha corrido bem. Mal desliguei o telefone saí porta fora, quase sentindo a Cookie a miar ao longe, desesperada por voltar ao seu lar, quando o desespero era todo meu para a voltar a ter nos meus braços. A hora e meia que ainda tive de esperar no hospital foi ainda pior, sem saber o porquê da demora já não tinha como estar, de repente, ao ver a transportadora ao longe, esbocei um sorriso e após explicação da médica fiquei a saber que o atraso se devia a uma urgência com um outro qualquer animal.

Um olá sentido ofereci à minha pequena Cookie e coloquei-a no carro, de volta a casa. Para quem já andou com a Cookie de carro, sabe que ela detesta e não pára de miar, pois desta vez mal deixou um miar fugir, e os que escapavam desoladores. Já em casa deixei-a sair da transportadora, e com olhos mal abertos arrastou-se pela casa, mal me deixando tocar, com um rugido fraco mostrando a confusão da anestesia,  rejeitando-me, algo que mais uma vez deixou-me de coração partido quando mimos era a única coisa que queria partilhar. Acabou por adormecer encostada a uma porta, já com uma patinha dentro da coleira, em forma de funil, que tentava tirar. Deixei-a em paz, só o facto de a ter em casa e entregue ao meu cuidado era o suficiente para aliviar o peso que aterrorizava o coração.

Não foi fácil manter o colar em volta do seu pescoço e, por isso, não foi de estranhar que no dia seguinte já não o tivesse, tentei que andasse sem ele, sempre atento às suas lambidelas em torno do penso. Sem grande sucesso, o penso começou a descolar, mas qualquer tentativa de voltar a colocar a coleira, resultava sempre nas minhas mãos decoradas por feridas sangrentas. Daí a dois dias estava de volta ao hospital para trocar o penso e verificar como estava a sarar, não foi de admirar que o médico me desse nas orelhas pois a coleira tinha ficado em casa e, coração mole como sou, expliquei como custava vê-la cabisbaixa, mas insistindo o médico disse que era fundamental a Cookie usá-la. Custou tanto à Cookie essa viagem ao hospital que ao retirar o cobertor de dentro da transportadora, já em casa, vê-lo manchado por urina.

Nessa noite, com a ajuda de uma amiga, tentámos, sem sucesso algum, colocar a coleira de volta ou mesmo tentar cobrir o penso de modo a que não o lambesse. Já o dia ía longo e desistimos. No dia seguinte, já de luvas da loiça a proteger as minhas mãos, insisti e consegui colocar a coleira. Meio resignada não restou grande solução senão aceitar a coleira, ainda acabou por cair uns dias depois, mas já sem grande luta não reclamou quando a voltei a colocar.

Com jantar marcado com amigos nessa semana, jantar esse porque aguardava já a algum tempo, não consegui arranjar coragem para abandonar a Cookie naquela noite, não como ela estava, e assim por casa fiquei, sempre melancólico, sempre a desejar que a Cookie soubesse como me sentia naquele momento, como que num fatalismo português percebesse a dor que seria se alguma coisa lhe acontecesse.

Com este final de férias atribulado voltei ao trabalho, já com reportagem especial agendada, a minha primeira reacção foi respirar fundo, já imaginando que seria mais um tema depressivo, a última coisa de que precisava após as férias. Foi só mesmo segunda-feira que descobri, para meu contentamento, que não havia motivos para pensar no pior, afinal a temática era a felicidade e, aí, achei curioso ter sido o escolhido, talvez tenha sido o meu sorriso "BD", como a Sara o gosta de classificar, talvez a minha boa disposição diária, que tenha pesado na escolha para editar a tal reportagem.

Hoje, após duas semanas a editá-la, posso confessar que foi uma viagem tranquila, e até animada, cheia de trabalho, que o diga a minha tendinite, mas que finalmente chega ao fim e nada melhor do que ver um fim de semana à porta, com dia extra de descanso na segunda feira, visto não ter sido convocado para trabalhar nesse feriado.

Mas voltando atrás, a esse primeiro dia de trabalho, foi o único dia em que abandonei a minha Cookie à solidão da casa, arrastando o colar por onde quer que andasse, contudo já mais espevita e, no dia seguinte, terça-feira,  lá estava ela no hospital para retirar o que sobrava do penso, um médico bem sorridente com a sua recuperação. Um pedido final, por parte dele, que no local da operação a Cookie levasse um pouco de creme todos os dias, para ajudar às comichões do pêlo a crescer. Penso que foi aí que um enorme peso desapareceu das minhas costas, e com pouco tempo para sorrisos e festa, deixei a Cookie em casa e dirigi-me para o trabalho, tendo avisado previamente que chegaria hora e meia mais tarde. E agora que penso nisso tenho de enviar um mail para o chefe para que não me descontem essa hora. Não me posso esquecer!

Foi um mês estranho, começou bem animado, cheio de nostalgia e reencontros, um mês de sofrimento por aqueles que nos fazem sorrir todos os dias, um mês cheio de trabalho, chegar a casa exausto mas, tal e qual como nos tempos de escola, com trabalhos de casa, pesquisar sons e bandas sonoras, um mês propício a esquecer aquela pessoa que preenchia o espaço em branco no coração, mês propício a isso embora difícil de querer acreditar que tudo tivesse terminado, mas talvez por reavaliar decisões passadas coloque várias questões em relação ao futuro, que rumo tomar, que caminhos atravessar...

Enfim, um mês que termina, o Outono está aí e só me apetece sair para fotografar a beleza desta estação, de dizer adeus ao sol enquanto adormece no mar, de sentir o cheiro da terra com as primeiras chuvas, saborear as primeiras castanhas assadas, com uma noz de manteiga em cima, de estar no calor da minha casa, ver a chuva bater na janela, atraindo a curiosidade da Cookie e, bem, imaginar um beijo apaixonado daquela rapariga que um dia há-de bater à porta e pedir para entrar...

domingo, outubro 03, 2010

Outubro não poderia ter começado de melhor forma, primeiro dia cheio de significado e concretização de desejos, logo seguido por um novo dia que terminou em beleza! Que assim continue ao longo do mês e que mais e melhores dias possam chegar...

sábado, setembro 25, 2010

Não sei como cheguei, mais uma vez, ao ponto de me deixar embalar pelo coração mas, acabou! Chega! Pára aqui tudo! 

Chegou a altura de ser frio comigo mesmo, é a única solução para acalmar todos os sentimentos que hoje me atormentam. Chegou a altura de ser frio e realista, não mais nem menos do que isso, frio e realista e, colocar um ponto final nesta história. Chega de telefonemas, de almoços, de divertidas provocações, de palavras bondosas e sentidas. Antes que seja internado de emergência com um coração partido, extermino assim toda e qualquer esperança que ainda sobreviva e... renasço.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Hoje era um excelente dia para estar a trabalhar, não estaria a pensar no que não devo ou quero!

Quem os quer?

Daqui a uma semana estarei a entrar em férias, tinha planos para passar um fim-de-semana em Coimbra mas à muito que isso está posto de parte, o motivo de lá estar seria o concerto dos U2 mas, sem companhia alguma para partilhar esse fim-de-semana, que deveria ser especial, e agora também sem grande motivação, prefiro "oferecer" (vender) os bilhetes dourados. Assim, se alguém tiver interessado que me diga algo durante este fim-de-semana (pode ser via facebook) porque a partir de segunda-feira talvez siga o exemplo de outra pessoa e os doe à União Zoófila, que fará o favor de os leiloar em proveito da associação.

Os bilhetes são para a exclusiva Red Zone, a zona bem perto do palco, bem pertinho da banda, vendo-os por 250 euros (valem 260 euros)...

quinta-feira, setembro 23, 2010

Hoje despertei, no silêncio da casa, com um sorriso espelhado por entre os lábios, a Cookie deitada ao meu lado, enroscada como se do frio inexistente fugisse, que ao aperceber-se dos meus olhos a abrir, começou a ronronar à procura de mimos. Foi nesse pequeno paraíso que lembrei-me da data em que me encontrava, depois de uma bela e longa espreguiçadela, e já com a mão roída pela minha adorada gata, procurei pelas horas do dia, pois não me podia atrasar, mil e umas coisas para me manter ocupado até ao momento exacto chegar. Um pitada de ansiedade e comecei a tratar da minha, chegar atrasado ao emprego ainda vá que não vá mas a um jantar como este significa para mim, jamais! Ok, ok, pode parecer divertido ver desta perspectiva mas é assim com as prioridades, umas são sempre mais importantes que outras, daí, bem, se chamar prioridades... duh!

A barba de vagabundo que carregava foi caindo com cada passagem da lâmina, sempre debaixo do olhar atento da Cookie, que penso não ter qualquer noção do que o humano perante ela fazia, até acho que deve ter pensado "nos meus bigodes ninguém mexe!". Cada vez que a lâmina percorria a minha face sentia algo de estranho, mas não percebia, um pouco como daquelas vezes em que nos esquecemos de algo e não conseguimos lembrar o quê ao certo, mas tentar afastar esse sentimento perturbador, pois distracções não eram precisas naquele preciso momento, pois não queria marcar a face em tão importante dia revelou-se difícil, até que, nada sendo por acaso, iludido pela perfeição daquele dia corri, com meia cara preenchida por gel da barba, até à sala ao ouvir uma mensagem a chegar ao telemóvel, entre o desbloquear o telemóvel e o carregar da mensagem só desejava que fosse ela e, bem, acertei! O largo sorriso depressa virou cinzento como o dia lá fora. Boas notícias não eram e... bem... que mais dizer senão que ali mesmo morri! Tudo o que se passou a seguir não será televisionado, relatado ou lido...

quarta-feira, setembro 22, 2010

Uma vez que espreitas por esta janela adentro todos os dias, que nem pupila da professora lua, hoje deixo-te somente um pequeno beijo de conforto e esperança...