Ía já a hora avançada da noite quando a mensagem da menina chega ao seu destino, passam meros segundos até o seu telefone tocar em resposta ao seu apelo. As vozes começam por trocar pequenos e doces olás envergonhados, para de seguida viverem um pouco da vida da outra pessoa. Duas pessoas totalmente diferentes numa troca de sons enigmáticos, ao mesmo tempo que trocam sentimentos acabam por criarem uma ligação pessoal que poderá dar frutos com o fluir do tempo.
As doces palavras só caminham para um lado, nunca regressavam como agradecimento mas sim como palavras adulteradas e sem jeito, sem dúvida que o embaraço era grande mas lá no fundo a sensação era agradável.
Quando finalmente os telefones repousam o rapaz não deixa de pensar como é possível a amizade estar presa por valores materias como o dinheiro, porque motivo paga-se para sermos amigos, ou seja, a única maneira de sentirem o outro, através do abrir e fechar dos lábios, é pagando para telefonar. Já não bastava a cruel distância e agora valores materiais. Mas atenção, não seria isso com certeza que iria impedir o tocar do telefone sempre que desejasse sentir-se perto dela ou ela dele... muito menos vozes que se faziam soar de bem longe e que poderiam ser mal interpretadas.
(Continua...)
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