Tipicamente sou o tipo de pessoa que gosta de estar a horas em determinado local combinado, porém acontece que às vezes atraso-me uns minutos, suficiente para me irritar se souber que já esperam por mim, mas ao chegar ao local, se não deslumbrar qualquer alma o coração acalma e a indignação esfumaça-se. São muitas as situações da vida que nos fazem esperar, ora uns minutos ora uns dias ou mesmo meses, contudo certas esperas transformam-se em desertos, onde caminhamos dia após dia sem descobrir o tão desejado oásis, e ali, na escaldante areia, acabamos por tombar e desistir de tudo. É nessas alturas que ponderamos a simples decisão de sequer ter posto um pé fora de casa para atravessar o incerto deserto, é certo que a adrenalina e a descoberta do novo atam uma corda em torno da nossa cintura e puxam-nos para esse deserto, partimos sempre com expectativas, expectativas essas que crescem enquanto a motivação e as nossas crenças são fortes, todavia, perante a seca do deserto, essas motivações e crenças acabam por morrer se no horizonte não conseguirmos deslumbrar o tal objectivo que como tanto amor perseguimos. Paramos. Olhamos em redor. Ali no meio da nada a incerteza apodera-se da nossa mente, questão atrás de questão perdemos qualquer convicção que tínhamos como garantia da nossa salvação, é aí que voltamos costas ao caminho ainda por descobrir e arrastamos-nos de volta a casa, triste, cansado e desapontado por expectativas que agora viraram frustrações. Desistimos. Choramos. Arrependemos-nos de tudo termos feito e nada conseguido, consciente de que novos motivos nos levarão a retomar o caminho, numa nova direcção é certo, certo igualmente que nunca mais rumo ao mesmo oásis.
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