quarta-feira, agosto 25, 2010

No meio da escuridão um farol sempre aceso

Sou suspeito quando afirmo o seguinte: ontem à noite a lua mandou apagar as luzes ao longo da avenida. Pois invejosa como é, queria brilhar mais que tudo e todos, fazer ver que é dona da escuridão. Está bem que não terá sido essa a razão (pelo) do apagão, por duas vezes, ali para os lados da Lisboa francesa, o certo é que deu maior protagonismo à dádiva de luz oferecida pela majestosa lua. 
 
É curioso que é preciso a escuridão para empurrar as pessoas até às suas janelas e logo ali começar a troca de palavras de janela para janela, vizinhas a questionar sobre a falta de luz pela hora do jantar. Muitos como eu terão ficados sem grandes alternativas (senão) a não ser esperar. 
 
Mas, enquanto esperava, aproveitei o sossego no meio daquele negrume para estar à janela, ouvindo a minha própria respiração, a admirar a lua que atravessava o rio de ponta a ponta e mergulhar nos meus pensamentos, reflectir sobre tudo o que se tem passado desde que iniciei um novo percurso e tudo o que poderá estar à minha espera no futuro. 
 
Tudo acabou por se resolver eventualmente e as pessoas retomaram as suas rotinas...

Mais tarde acabei por receber uma mensagem, que não esperava receber, não àquela hora, fez-me sorrir e senti o coração encher-se de felicidade, como um foguete lançado no ar, subindo, subindo e subindo, acabando por explodir. Poderia ter sido de qualquer amigo, mas aquela mensagem tinha um significado especial. Era uma mensagem que eu próprio poderia ter escrito e enviado para ela, pois naquele momento voltávamos a ser cúmplices. O facto de se lembrar de mim perante o luar que admirava do outro lado da cidade, a mim diz-me muito, não creio que seja coincidência (lá está de novo a maldita palavra sem sentido verdadeiro!) mas não vou criar histórias onde elas não existem, ou ainda não se admite existirem. Mas esta cumplicidade só me dá esperanças para um futuro onde, provavelmente, poderemos estar lado a lado perante o mesmo luar e de mãos dadas deixar os nossos olhares falar todas aquelas palavras que só o coração sabe ler.

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