Sinto-me triste ao ver que já ninguém escreve cartas de amor, poucos são aqueles que pegam numa flor e a oferecem à pessoa que os faz sonhar, mas acima de tudo já ninguém luta por amor ou se luta a resistência que encontra é aterradora.
Sempre que recordo a minha infância sorrio, pois nela escrevo inocentes cartas de amor para aquela menina que chegou mais perto de mim, que sentada dentro de um bidão apoia a cabeça de um menino perdido na sua ingenuidade. Onde as palavras ecoadas acabam por se perder na brisa daquele dia mais ameno, os olhos delas cada vez mais próximos até os conseguir deixar de os deslumbrar. É quando abro esse livro de memórias que lembro daquela expressão, tão banalizada nos dias que passam a correr e que já foi mesmo usada como meio publicitário pela a avó que dizia «Eu ainda sou do tempo...». Pois eu ainda sou do tempo em que as primaveras era mais desejadas e vividas, onde a brisa empurrava aquele rapaz envergonhado até à tímida rapariga, ainda sou do tempo que recebia mais cartas da pessoa amada no correio do que publicidade ou contas, ainda sou do tempo onde as pessoas passeavam de mão dada, ainda sou do tempo, bem, em que o passado era o presente.
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