segunda-feira, junho 04, 2012

Surpresas venenosas

A vida gosta de surpreender, disso não tenho dúvidas, porém nunca deixa que a surpresa seja minimamente previsível, daí custar viver esses momentos quando não vem por bem. Mas antes de mergulhar as palavras numa amargura total acho que é necessário explicar alguns acontecimentos recentes.

Na imperfeição dos dias encontro sempre motivos para justificar um sorriso ou gargalhada. Não um sorriso amarelo ou uma gargalhada atrapalhada, mas sim um sorriso BD (banda desenhada), como uma menina apelida o meu verdadeiro sorriso, ou uma gargalhada valente. Confesso que não tem hora para isso acontecer, contudo sucede mais quando uma chamada amiga é trocada ou numa saída à noite ao acaso.

Sabe bem! Este sabor doce de felicidade faz esquecer, nem que por momentos, a amargura dos problemas.que esperam solução, por vezes utópica. Na minha rendição a esta bela amizade encontro tudo o que preciso no presente, que cada vez mais assenta bem os pés no chão e que se recusa correr loucamente para além dele. Sei que esta valiosa amizade tem preenchido de calor humano dois corações perdidos, cada um com as suas próprias aflições, amizade esta que guardo e estimo como se de uma rara boneca de porcelana se tratasse.

Foram grandes demais os dias que antecederam um descanso já previsto e, quando a mente parecia encontrar, finalmente, o yang do seu yin, foi quando a balança voltou a desequilibrar e a vida surpreendeu. A revolta, o ódio, a expressão enrugada de arreliação transformaram tudo ao reparar num simples nome e numa mensagem recebida. Uma simples sopa de palavras foi o suficiente para transtornar, a arrogância da pessoa quase que permitia que a sua voz fosse ouvida, num longo sussurro que parecia chegar de longe. 

Agora, já os minutos perfizeram uma mão cheia de horas mas ainda sinto os dentes a ranger, tentando não deixar escapar um rosnar enfurecido. Se no desrespeitar, por amor, o respeito sempre foi bandeira ao vento, então não tolero que o desrespeito pelos os meus sentimentos seja motivo para justificar o contacto em forma de lembrança de persona non grata. Não mereceu resposta, simplesmente por mera boa educação, pois as palavras certamente seriam cruéis, manchadas de sangre e veneno.

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