terça-feira, agosto 06, 2013

A empatia da confidência

Às vezes precisamos deitar tudo cá para fora, sem data ou hora marcada, sem local marcado e, por vezes, com a pessoa que por mais perto está naquela altura. Gosto de pensar que sou pessoa de bom ouvido, talvez por assim ser já não me surpreendo quando alguém se senta ao meu lado e expele tudo o que lhe vai na alma. A cada palavra falada outras duas apressam-se a serem contadas, seja por desgosto, paixão, ansiedade... Certo é que não procuramos somente desabafar, porque mesmo que não exista coragem para pedir um conselho as pessoas esperam ouvir palavras sábias.

Será sempre fácil opinar quando a outra pessoa não passa de um conhecido ou colega, quase sempre devido ao fraco relacionamento emocional que existe entre ambas as partes, agora quando nos preocupamos com o outro não é tão simples, é como caminhar por uma estrada escura e desconhecida, sempre com o medo de nos perdermos ou cair no erro de uma má escolha, isto é, o não querer mal aconselhar a pessoa.

É sempre difícil formar juízos somente pelo que nos é contado, afinal de contas existem sempre duas versões da mesma história e, na impossibilidade de conhecer parte dessa história, os seus motivos e acções que se escondem por detrás do alvo da conversa, acabamos sempre por meter o dedo numa ferida aberta sem certeza de agravar ou não a situação.

Apesar de todos esses factores adversos, a experiência é a resposta a todas as questões e nas coincidências, que não o são, as respostas formam-se de palavras conselheiras e amigas.

Confesso que obtenho uma certa satisfação ao estender a mão a alguém, ainda mais quando no dia seguinte vejo um sorriso por entre os lábios da pessoa. Recentemente, senti-me feliz por ver que as minhas palavras, mesmo que tremidas, fizeram efeito e deixaram que o sono pudesse regressar à vida de uma pessoa que tanto o procurava.

Não que seja especificamente sobre esta conversa, Henry Ford disse um dia que "um idealista é uma pessoa que ajuda a prosperar", ao lembrar-me disso acho que tenho muito de idealista e, sempre que ajudo alguém estou a batalhar para que tenha uma vida mais decente, mais bela e mais nobre.

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